Governo cogita mais um pacote de estímulo à economia para enfrentar crise

Por Painel

Mais um? Encurralado pela crise, o governo Dilma Rousseff cogita lançar um pacote de estímulo à economia. A presidente disse a petistas que pretende apresentar um conjunto de medidas para melhorar o ambiente de negócios e ampliar a circulação de crédito no mercado. Mas falta o principal: dinheiro. A proposta foi discutida na reunião que sacramentou a ida de Lula para a Casa Civil, na quarta (16). O Planalto corre atrás de “fatos novos” para reduzir a adesão ao processo de impeachment.

Pastel de vento Nem o próprio governo tem muita ideia do que incluir nesse pacote. Fala-se em mais crédito para empresas, estímulo à construção civil e medidas para fazer deslanchar as concessões públicas.

Paquerando Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa, está negociando fazer delação premiada, afirmam integrantes da Lava Jato. O afilhado político de Eduardo Cunha tem sinalizado que pode colaborar com a força-tarefa.

Vestígios No auto da diligência de busca e apreensão feita no sítio em Atibaia (SP), frequentada por Lula e sua família, consta que “foram encontradas algumas canecas com a inscrição Construtora OAS” dentro de uma caixa térmica de cerveja Itaipava”.

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Nem os músicos De um líder peemedebista sobre a vontade do governo de entregar o que for possível para distanciar o partido do impeachment: “Que fiquem com o Titanic inteiro para eles”.

Me segura! A cúpula da PF está em chamas com as declarações do ministro Eugênio Aragão (Justiça). Decidiu, entretanto, agir “friamente”.

Nada favorável Até sábado, a ordem era não “morder a isca” e descartar um pedido de demissão coletiva. Mas, se houver interferência na PF, o caldo vai entornar.

Fi-fa-fo-fu O Planalto chancelou a fala de Aragão. Mais do que “cheiro de vazamento”, conforme afirmou o ministro para ameaçar demitir todo mundo, há cheiro de crise institucional no ar.

Regalo O taxista que prestava serviços para José de Filippi, tesoureiro da campanha de Dilma em 2010, confirmou à PF que foi cerca de 20 vezes à sede da UTC buscar “presentes” para o petista entre 2010 e 2014.

Encomenda “Como regra, pegava no subsolo sacolas de papelão do tipo de marca de grife, sempre fechadas com algum grampo ou etiqueta adesiva”, disse João Henrique Worn à Lava Jato.

Colaboração Em sua delação premiada, Ricardo Pessoa, da UTC, disse ter distribuído R$ 750 mil ao petista como caixa dois. A assessoria de Filippi não conseguiu contatá-lo para comentar.

Velhos hábitos Dilma voltou a ler os jornais. No primeiro mandato, devorava os diários e governava a partir deles. Já no segundo, passou a ler apenas o necessário.

Achei a desculpa! O comando do PMDB, que nunca morreu de amores pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, agora usa a constrangedora gravação de uma conversa com Lula para dizer que fica mais distante de sua candidatura presidencial em 2018.

Tô de olho Emissários de José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, acompanharam a movimentação de filiados para flagrar supostas irregularidades de João Doria nas prévias de domingo.

Impedimento O objetivo é reforçar a representação que pede a impugnação do empresário para que o partido não ratifique sua candidatura na convenção de junho.

Todos por um O prefeito Fernando Haddad pediu a seus secretários petistas que saiam candidatos a vereador. Simão Pedro (Serviços), Eduardo Suplicy (Direitos Humanos) e Nabil Bonduki (Cultura) disseram ao chefe que aceitam a missão.


TIROTEIO

A Datafolha é o tiro de misericórdia. A prova dos nove da vontade da maioria. O caminho mais curto é o impeachment.

DO DEPUTADO MARCUS PESTANA (PSDB-MG), sobre o Datafolha ter indicado desaprovação de Dilma e Lula e amplo apoio ao impeachment.


CONTRAPONTO

Não faz chover

O deputado Alberto Fraga (DEM-DF) entrou na sala do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), animadíssimo com a aceleração do impeachment.
— Me diga aí, Fraga, como está a contagem dos votos? — brincou Cunha.
— Na planilha de hoje, Eduardo, temos uns 400 — respondeu o oposicionista.
— E Lula consegue reverter? — voltou a indagar Cunha, parecendo saber qual seria a resposta do colega.
— Acho que não. É como trazer o Messi para jogar no Confiança. Com esse governo, nem craque consegue operar milagres — afirmou o deputado do DEM.