Câmara exigiu que Jovair Arantes fizesse relatório a favor de impeachment para colocá-lo em relatoria

Por Painel

Acordo tácito Na noite de quarta-feira (16), líderes partidários se reuniram na residência oficial de Eduardo Cunha (PMDB) e acertaram, ali, o roteiro do impeachment de Dilma Rousseff. Nomearam Jovair Arantes (PTB-GO) relator do processo, mas exigiram do deputado o compromisso de que não faria o jogo do governo. Os convivas deixaram o jantar convictos de que o parecer de Arantes recomendará a cassação da petista. “O futuro do país foi forjado naquela noite”, disse um dos presentes.

Jogada Nas palavras de um dos parlamentares, a nomeação de Arantes foi um grande lance da oposição. “Sendo ele da base, como vão reclamar quando fizer o relatório condenando Dilma?”

Será? A oposição quis emplacar Rodrigo Maia (DEM-RJ), questionando se Jovair Arantes manteria o acordo, mas saiu convencida. “Ele é firme”, garantiu um dos deputados.

Veja bem Arantes não retornou os contatos feitos pela coluna. Um aliado diz que, confrontado em reunião da base aliada sobre o apoio dos rivais , afirmou que não tem compromisso nem com o governo, nem com a oposição.

O chute é livre As apostas para a votação do impeachment seguem a contabilidade criativa. Na Câmara, a coluna ouviu que Dilma seria deposta por 400 votos; depois, por 384; mais adiante, por 413. Um deputado reagiu: “Ela vence por dez. Contei!”.

Não acabou O Palácio do Planalto aposta na reversão da decisão do ministro Gilmar Mendes pelo plenário do STF.

Dá tempo? O risco é a força-tarefa, em Curitiba, pedir a prisão do ex-presidente antes de o colegiado se reunir.

Ajudinha Peemedebistas que ainda estavam receosos com a capacidade dos caciques da sigla de resistirem às investidas de Lula dizem que, depois dos vazamentos em que “esculhambou” os Poderes, recusar aliança com o ex-presidente virou obrigação.

No relógio A cúpula do governo avalia que, se não houver reação nas duas próximas semanas, as chances de sobrevivência acabam.

Cronômetro “Estamos num parlamentarismo branco com um referendo em dois meses para dizer se o primeiro-ministro fica ou sai”, diz um experiente analista.

Nunca antes Dilma Rousseff (PT) bate, de longe, o recorde em número de pedidos de impeachment de que é alvo na Câmara. Até sexta-feira, eram 59 — um acolhido, 48 arquivados e dez ainda em processamento.

De lavada Lula recebeu 34 pedidos de deposição. Fernando Collor vem em seguida, com 29. FHC teve 17 e Itamar Franco, outros quatro.

macondo

Realismo mágico De um experiente senador, embasbacado com os eventos da última semana: “Brasília virou Macondo”, em referência à aldeia retratada no clássico “Cem anos de Solidão”, do colombiano Gabriel García Márquez.

Era um sósia O Planalto se diz surpreso com as declarações do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Víamos como alguém que jamais operaria para nós, mas que nunca partiria para cima de nós”, diz um palaciano.

Nem vem Apesar das investidas do governo, a cúpula do PRB (Partido Republicano Brasileiro) ainda sustenta que não há chance alguma de a sigla voltar atrás em sua decisão de romper com Dilma.

Vida que segue O agora candidato tucano à Prefeitura de SP, João Doria diz que, na segunda, buscará apoio de PSB, PPS, DEM e Solidariedade. “Com eles, chegaremos a quase 20 minutos de TV”, diz.

Direto e reto Agora fora do PSDB, Andrea Matarazzo pretende manter seu mandato de vereador. “Darei o combate. Farei tudo para evitar que oportunistas ou arrivistas se apossem de São Paulo”.


TIROTEIO

Dilma disse que, no exterior, quem grampeia presidente vai preso. Se fosse no Japão, íamos ver vários corruptos cometendo haraquiri.

DO DEPUTADO IZALCI LUCAS (PSDB-DF), sobre a crítica feita pela presidente aos grampos no celular utilizado por Lula e divulgados pela Justiça.


CONTRAPONTO

Estourou a meta

O deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) presidia os trabalhos da primeira reunião da Comissão de Orçamento. Ele substituía a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), titular da cadeira, que deixava a sala naquele momento.
— Gostaria de registrar nossa admiração. Vossa Excelência, até de uma forma inédita, mais uma vez inova, pela competência, pela responsabilidade, pela seriedade — afirmou Sávio, que classificou Rose ainda como “cidadã brilhante” e que dá “exemplo”.
A senadora agradeceu de forma inusitada:
— Vossa Excelência sempre aumenta os elogios em 60%. Está no ritmo da inflação! — exagerou.