Para atrair PMDB, Planalto quer dar mais ministérios e chamar sigla a ser ‘sócia de verdade’

Por Painel

Tinta na caneta Com o desfecho do processo de impeachment de Dilma Rousseff se aproximando e já sob a batuta de Lula, o Planalto decidiu radicalizar na dose de um remédio antigo para tentar atrair o PMDB de volta para o lado governista. A ideia é ceder tudo o que for necessário para a sigla — não só destravando nomeações represadas, mas também distribuindo novos ministérios. “Ou chamamos o PMDB para ser nosso sócio de verdade ou não haverá escapatória”, resume um palaciano.

Morre na praia? A onda da Lava Jato se aproxima mais e mais do PMDB. A depender do alvo — e tudo indica que será graúdo — o tabuleiro da crise pode se embaralhar de novo.

Mesmo barco Há quem defenda fazer as pazes com o PT caso um tsunami afogue novos peemedebistas.

O profeta No café da manhã com senadores na semana passada, Lula foi premonitório. Mostrando um telefone celular, disse: “O que acaba com o político é esta merda.”

Efeito grampo Personagens que surgiram nas gravações conversando com Lula moderaram seus comentários em telefonemas trocados nesta quinta-feira (17).

nelson

Sobreviveu A ressaca moral dos que caíram no grampo com Lula não atingiu Nelson Barbosa (Fazenda). Da série de diálogos revelados, ganhou o apelido de “ministro-ninja” por se safar de uma conversa embaraçosa. Só respondia “tá”, “ahã” e “uhum”.

Sem rodeios Em reunião com líderes empresariais nesta quinta-feira, Paulo Skaf, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de SP), foi direto ao ponto: “Não adianta discutir agendas pontuais antes de derrubar a Dilma”.

É do ramo A senadores, o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) deu o seu palpite sobre o futuro do governo: “Estamos em um processo de extrema gravidade, que ninguém vai conseguir barrar”.

Superterça Presidente e relator da comissão de impeachment, Rogério Rosso (PSD-DF) e Jovair Arantes (PTB-GO) têm um traço comum: são os dois únicos que participam tanto das reuniões de líderes aliados no Planalto quanto dos almoços na casa de Eduardo Cunha.

Lá e cá O governo federal torce para que isso indique que a dupla está disposta a salvar tanto Cunha quanto Dilma Rousseff. Já os mais escaldados veem nesse trânsito todo chances maiores de traição para um dos lados.

Spam Congressistas que constam como “indecisos” nas listas dos movimentos pró-impeachment têm recebido centenas de e-mails e dezenas de ligações por dia — além de trotes no gabinete.

Tempo de sobra Após a divulgação dos grampos de Lula, o ex-ministro Gilberto Carvalho recebeu uma ligação.

Alô, ministro Era um curioso que se identificou como “Zé Ninguém”. Vira o número de telefone do petista nos papéis liberados pelo juiz Sergio Moro e queria checar se era verdade.

Esquerda volver Movimentos sociais comemoravam a notícia de que o governo fará na segunda (21) o lançamento da terceira etapa do Minha Casa, Minha Vida. Diziam que, finalmente, o Palácio do Planalto dava sinais da tal guinada à esquerda.

Fogo de palha “Será a terceira vez que lançaremos essa nova etapa”, diz um incrédulo funcionário presidencial.

Não é, não O Planalto diz oficialmente que o número usado por Lula e interceptado pela PF não pertence à Presidência. Auxiliares do petista negaram nesta quinta que a linha fosse de um laranja e indicaram que o número seria do Palácio.


TIROTEIO

Dilma entendeu que tinha de renunciar, mas interpretou a Constituição de forma errada: entregou o cargo para o ex e não para o vice.

DO DEPUTADO CARLOS MARUN (PMDB-MS), sobre a posse do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil mesmo após os protestos da população.


CONTRAPONTO

Pragmatismo profundo

Em encontro de líderes empresariais em SP nesta quinta (17), um executivo tomou a palavra. Ao anunciar que era de Curitiba, foi aplaudido pelos presentes e brincou:
— Aguardamos o Lula lá em breve, com certeza!
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, também entrou na brincadeira. Em determinado momento, foi questionado por um integrante da Associação Paulista de Medicina sobre qual deveria ser a posição do grupo em relação aos caciques do PMDB, ainda indecisos em relação ao impeachment. Skaf, que é filiado ao partido, respondeu:
— Aprendi com seus colegas: quando temos um acidentado, nos preocupamos primeiro com o mais grave!