Governo aposta em ato com presença de Lula para mostrar resistência ao impeachment

Por Painel

Queda de braço O Planalto reconhece que a adesão aos protestos pró-impeachment foi expressiva, mas aposta no ato do dia 18, com a presença de Lula, para mostrar resistência. O governo admite, no entanto, que dificilmente conseguirá número similar nas manifestações pró-Dilma. Com o veto deste domingo, petistas se apegam às vaias aos tucanos como sinal de que o espólio das ruas não foi conquistado pela oposição. Parece pouco para quem terá de enfrentar duríssima votação do impeachment.

Quanto pior Na avaliação do PT, a hostilização ao governador Geraldo Alckmin e ao senador Aécio Neves na Paulista mostra que a situação política no país é ainda mais preocupante, com uma “raiva” generalizada em relação a todos os partidos.

Exagero? “A história já mostrou diversas vezes que quando há a negação da política, a sociedade corre sério risco de cair em regimes ditatoriais. Não sabemos para onde vamos”, diz um dirigente petista.

Inflexão Embora não deixe de reconhecer a repulsa ao PT, ao ex-presidente Lula e ao governo Dilma Rousseff, parte do PT viu nos atos deste domingo espaço para que a presidente passe a dar mais atenção às pautas da esquerda e dos movimentos sociais.

Não deu Auxiliares de Alckmin haviam planejado um roteiro menor para o governador na avenida Paulista. No script original, o tucano desceria do carro em uma rua paralela menos movimentada, andaria poucos metros, posaria para fotos e retornaria ao Bandeirantes.

Na multidão Uma das conselheiras do Cade participou da manifestação pró-impeachment no Rio. Indicada pelo ex-ministro Joaquim Levy, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt tomou posse em junho do ano passado.

Tô de olho Na terça-feira (15), os coordenadores estaduais do MBL (Movimento Brasil Livre) vão ao Congresso para pressionar os parlamentares a acelerar o processo de impeachment.

Guerra virtual As redes sociais refletiram as manifestações deste domingo. Estudo feito pela Máquina Cohn & Wolfe em parceria com o Scup indica que, em uma amostragem de 30 mil posts no Twitter e no Instagram, a hashtag #VemPraRua ganhou da #MarchaDasCoxinhas.

Reflexão Aliados de Lula que ainda defendem que o petista assuma um ministério para adquirir foro privilegiado disseram ao ex-presidente concordar com o fato de que ele viraria herói se fosse preso — mas o título não se estenderia para sua família.

Família ê! Caso o petista entre para o governo, advogados próximos avaliam as chances de Lula puxar consigo para o Supremo as investigações sobre seus parentes.

Lei da física Há um ano, quando a popularidade de Dilma despencou, petistas foram a Lula pedir que ele assumisse um ministério. “Não vai dar. Duas pessoas não ocupam a mesma cabeceira”, respondeu o ex-presidente.

Contra tudo Em reunião recente com o PT, o ministro Nelson Barbosa (Fazenda) assim reagiu às críticas dos aliados contra a reforma da Previdência: “Como ser contra algo que não sei o que é nem como vai ficar?”

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Bloco do eu sozinho Os últimos preparativos para a delação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) foram deflagrados no fim do Carnaval. Os depoimentos da colaboração duraram cinco dias.

Como faz? A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal estima que, até 2018, o deficit de delegados da corporação atingirá 40% das 2.200 vagas que existem em todo o país.

Na fila Hoje são 500 os postos que não estão preenchidos e, nos próximos três anos, outros 400 delegados devem se aposentar.


TIROTEIO

Financiaram os atos, mobilizaram, gravaram vídeos e saíram vaiados das manifestações. Não levam nas urnas e nem no golpe.

DA SENADORA GLEISI HOFFMANN (PT-PR), sobre os tucanos Geraldo Alckmin e Aécio Neves terem sido hostilizados na manifestação pró-impeachment.


CONTRAPONTO

Poker face

Era fim de 2015. Ciro Gomes (PDT) dava uma palestra em São Paulo quando um competidor de poker, que já foi campeão mundial, perguntou, da plateia, por que o ex-ministro não foi eleito em 2002, quando disputou a Presidência da República pelo PPS e terminou o primeiro turno do pleito em quarto lugar, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva, José Serra e Anthony Garotinho.
— Porque eu não estava maduro.
— No poker, usamos o poder da mente para termos autocontrole e ganhar a partida– rebateu o jogador.
— Se eu for candidato, você estará na minha equipe! — disse o ex-ministro, pré-candidato a presidente em 2018.