Para investigadores da Lava Jato, pior momento para o governo ainda está por vir

Por Painel

Cara de epitáfio? Queda de 3,8% do PIB em 2015, menção direta a Lula e Dilma Rousseff na delação de Delcídio do Amaral, prisão preventiva do marqueteiro João Santana, racha com o PT e sinais de uma nova operação no forno da Lava Jato. Poucas vezes Brasília viu um dia tão devastador como esta quinta-feira (3). E o pior ainda está por vir, diz um investigador: “As peças mais importantes do xadrez começam a ser movimentadas a partir de agora. O jogo ficará bruto”.

Sonho meu Eis o roteiro desejado pelos inimigos de Dilma: nesta semana, desperta-se a articulação entre oposição e Michel Temer. Se houver muita gente na rua no dia 13 — e uma operação da Lava Jato no meio —, a semana seguinte é o começo do fim.

Cavalo da chuva A oposição ficará rouca. Mas Dilma não renuncia em hipótese alguma. Ninguém nem toca nesse assunto com ela com medo de levar pito.

Para maiores Ao tomar conhecimento dos trechos da delação de seu ex-líder do governo, a presidente abriu a gaveta dos palavrões. Só parou de xingar o correligionário quando terminou de ler a reportagem sobre sua delação.

Tá puxado Ao fim do dia, as olheiras denunciavam o cansaço de Dilma.

Tá estranho Nos trechos da delação, chama atenção o fato de a reportagem de “Istoé” ter sido assinada de Curitiba. O problema é que a colaboração premiada do senador petista corre em Brasília, na Procuradoria-Geral da República, não no Paraná.

Contaminado No lugar de apresentar mais um pedido de impeachment, a oposição resolveu nesta quinta (3) aditar a petição já existente. O objetivo é evitar que Eduardo Cunha tenha o poder de decidir sobre o acolhimento de uma nova requisição.

Não toca! Para o PSDB, quanto mais o presidente da Câmara se aproxima do impeachment, menos chance a deposição tem de prosperar.

Joga fora Nas reuniões com congressistas do PDT e do PRB, Dilma foi aconselhada a deixar o PT. Ela não reagiu ao ouvir a sugestão.

Não tem saída boa Na avaliação dos aliados, a desfiliação do partido seria a única forma de reduzir a crise.

Nota paulista A prestação de contas de Delcídio no Senado confirma que ele esteve em São Paulo em 22 de maio, quando afirma ter dado R$ 50 mil ao advogado de Nestor Cerveró para tentar brecar a delação do ex-diretor da Petrobras.

Atestado de óbito Delcídio será “trucidado” no Conselho de Ética. Se não houver um pedido formal para incluir a delação na ação, o próprio relator, Telmário Mota (PDT-RR), deve fazê-lo.

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‌Radioativo Delcídio ganhou de senadores o apelido de Joaquim Silvério dos Reis. Nos últimos dias, alguns colegas alertavam: “Não fala com ele que ele fez delação premiada.”

Ra-re-ri-ro-rua O processo de expulsão de Delcídio do PT deve ser deflagrado em breve, mas deve ainda deve durar cerca de três meses —um pouco mais do que esperavam líderes da sigla.

Para dar e vender De um figurão do PMDB: “Tudo o que a Lava Jato revelou até então não pesa 50% do que se descobriu hoje. Tem uns três impeachments soltos naquelas páginas”.

Vem na nossa O gabinete de Ricardo Berzoini distribuiu uma papelada sobre Pasadena a líderes no Congresso, pedindo que eles ajudassem a fazer a defesa da presidente. O documento foi feito por Dilma Rousseff.

Visita à Folha O embaixador da União Europeia no Brasil, João Gomes Cravinho, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço.


TIROTEIO

O governo acabou. O que falta agora é saber apenas por qual instrumento. Até o PT já abandonou o barco. É o salve-se quem puder.

DO SENADOR AÉCIO NEVES, presidente nacional do PSDB, sobre o impacto da delação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) no governo de Dilma Rousseff.


CONTRAPONTO

Dupla decepção

O deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) deixava o carro com um manobrista para mais um compromisso de sua pré-campanha à Prefeitura de SP. Eram os últimos dias de andança antes da votação nas prévias tucanas.

— Estamos juntos! — disse o funcionário do estacionamento ao parlamentar antes de pegar o carro.

Animado, Tripoli perguntou de imediato:

— Legal! Você é filiado do PSDB?

— Não… Só vi o boné do Santos no banco de trás. Sou santista — disse o manobrista.

Tripoli, palmeirense roxo, sorriu amarelo. O boné havia sido esquecido no carro pelo filho de um aliado.