Governo permitirá que estrangeiros sejam donos de aéreas no Brasil; medida ajuda a salvar a Gol

Por Painel

Venham a nós O governo edita nesta quarta (2) uma medida provisória permitindo que um estrangeiro adquira o controle de uma companhia aérea brasileira desde que seu país de origem autorize empresas daqui a fazer o mesmo lá. Na prática, será possível comprar integralmente uma companhia nacional se houver acordo de reciprocidade. Para os demais casos, o governo elevará de 20% para 49% a participação de capital externo nas aéreas nacionais. A medida salva a Gol da bancarrota.

Aberto Os europeus estão interessados. A Ryanair, de baixo custo, já demonstrou apetite por operação própria no Brasil — acima até do novo limite de 49%. Isso será possível agora, mas mediante acordo prévio com a União Europeia.

Relaxei Dilma, antes contra a abertura, foi convencida pela crise a mudar. Um dos focos não declarados do governo é ajudar a Gol, cuja dívida hoje é considerada quase impagável. A empresa poderá captar mais dinheiro com estrangeiros.

Freios A indicação de um aliado de Jaques Wagner para o Ministério da Justiça impulsionou na Câmara a articulação para aprovar uma PEC que dá independência orçamentária, administrativa e funcional à PF.

Ajudinha Deputados ligados à corporação já conversaram com Eduardo Cunha.

Achado Investigadores da Operação Zelotes acreditam ter encontrado o “mapa da mina” do esquema no Carf.

Preto no branco Na casa de um servidor foi apreendido um caderno que indica quais empresas pagaram propina para se livrar de multa, quanto pagaram e — principalmente — a quem pagaram.

Paralisia Funcionários graduados da Esplanada reclamam sem cerimônia que o governo parou.

Tá difícil O Planalto não consegue articular uma resposta à crise porque tem de apagar um incêndio por dia. “Andamos agachados para não levar tanta porrada na cabeça”, diz um palaciano.

Tá solto A articulação está ainda mais frouxa no Congresso. Medidas provisórias do ajuste fiscal são votadas no limite. A que aumenta o imposto sobre juros de capital próprio está em vias de perder a validade.

Vai ter quorum Após o fiasco de dezembro, os atos pró-impeachment devem esquentar. “Acredito que teremos o mesmo número de abril de 2015”, diz Kim Kataguiri, do MBL. Na ocasião, 100 mil pessoas se reuniram em SP, segundo o Datafolha.

Plim-plim Os partidos de oposição vão usar as inserções a que tem direito na TV até o dia 13 de março para convocar as pessoas ao ato.

Tens a força? O segundo turno das prévias tucanas em SP será uma disputa entre Geraldo Alckmin e os cabeças brancas da sigla. Se perder, o governador ficará desmoralizado no próprio quintal. Se ganhar, dará grande demonstração de força.

Deixa disso Diante das agressões no primeiro turno, Ricardo Tripoli brincou com colegas de bancada: “Agora entendi por que me colocavam para sentar entre o Andrea e o Doria nos debates!”

humilder

‌‘Humilder’ O senador Wilder Morais (PP-GO) roubou a cena em evento do PSDB em Goiás. Chegou ao local num helicóptero vermelho. Na aeronave, seu nome estampado. Logo ganhou o apelido de “humilder” e “senador ostentação”. Aécio Neves, presidente da sigla, foi de van.

Visita à Folha Abilio Diniz, presidente do conselho de administração da BRF e da Península Participações, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Renata Catelan Rodrigues, vice-presidente da Península Participações, e Sérgio Malbergier, consultor de comunicação.


 

TIROTEIO

O governo deu espaço para que juízes fizessem esse lobby agressivo. Agora, duvido que os deputados terão coragem de votar.

DO DEPUTADO NELSON MARCHEZAN (PSDB-RS) sobre a decisão do governo de tirar o regime de urgência do projeto que evita os supersalários de servidores.


 

CONTRAPONTO

Do além

Na audiência da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional, que discutia as contas públicas da presidente Dilma Rousseff relativas ao ano de 2014, o deputado Hildo Rocha (PMDB-MA) fazia uma defesa empolgada dos argumentos do ministro Luís Inácio Adams (AGU), responsável por tentar destruir a tese do Tribunal de Contas da União de que houve pedaladas fiscais.
Para confirmar seus argumentos de que as manobras daquele nao não configuraram operações de crédito, Hildo Rocha socorreu-se do ministro:
— Foi o que disse o Adam Smith, não é mesmo?! — indagou o congressista. Ninguém na sessão segurou o riso