Oposição quer organizar calendário de protestos contra o governo aos moldes das Diretas Já

Por Painel

No estilo Diretas Já Com a fundação de um comitê pró-impeachment, a oposição tentará criar um clima de “vigília permanente” depois da manifestação pela deposição de Dilma Rousseff, marcada para o dia 13 de março. A ideia é organizar um calendário de atos em capitais do país, como São Paulo, Rio e Salvador, em defesa da saída da petista. O grupo pretende se inspirar nos comícios das Diretas Já. Ainda busca artistas e atletas que topem subir nos palcos e possam dar visibilidade ao movimento.

Acorda, esquecido O MBL, um dos movimentos que articulam a manifestação de março, afirma que a prisão do marqueteiro João Santana aumentou o engajamento nas últimas horas. “Ela relembra as pessoas dos problemas”, diz Kim Kataguiri, coordenador do MBL.

Mais uma O deputado Alexandre Baldy (PSDB-GO) apresenta nesta quarta (24) mais um voto em separado à CPI do BNDES: pedirá o indiciamento do ex-presidente Lula, de José Carlos Bumlai e do presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Prazo O Planalto pediu que líderes de partidos aliados na Câmara meçam a temperatura de suas bancadas sobre a CPMF até quinta que vem, quando deve decidir que destino dará ao projeto de recriação do tributo.

Fôlego O Congresso instala, nesta quarta, 11 comissões de análise de medidas provisórias para que não percam a validade. Com quorum completo, seriam necessários 132 senadores para atuar, ao mesmo tempo, em todas. Só há 81. Deve haver correria na Casa.

É fome? De um líder de movimento social após o panelaço em SP durante o programa do PT: “Esse pessoal está batendo panela por falta de merenda escolar?”.

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Ginga Dias depois das acusações da ex-amante Mirian Dutra, FHC tentou se mostrar bem disposto. Em evento de Andrea Matarazzo, fez dancinha ao ouvir o jingle da campanha do aliado. “Boa, muito boa”, dizia ele.

Biruta O mercado financeiro está atônito com o cenário político imposto pela nova fase da Lava Jato. Alguns investidores já especulavam até sobre o passado do ex-governador Ciro Gomes (PDT). Indagam se ele teria chances eleitorais na hipótese de o TSE impugnar Dilma e Temer.

Dá voltas Em almoço com aliados, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aproveitou o momento de bombardeio em território inimigo para arrancar risos dos convidados: “Perto do João Santana, meu caso deveria ir para o tribunal de pequenas causas”.

Lotação Na PF em Curitiba, onde Marcelo Odebrecht prestava depoimento, chamava a atenção o séquito do “príncipe dos empreiteiros”, apelido antigo do empresário. O criminalista Nabor Bulhões debatia com outros cinco advogados no corredor. O executivo ficou em silêncio.

Me chama? O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), pediu há 120 dias uma audiência com Dilma. Mas nada de resposta. O petista brinca que topa até um cafezinho se a correligionária assim preferir.

Sondando Um grupo de empresários paulistanos decidiu bancar uma pesquisa qualitativa sobre os pré-candidatos tucanos à prefeitura. Querem saber qual deles tem mais chance de ganhar a eleição municipal.

Pragmatista “É uma questão de mira. Não adianta doar sem saber se acertará o alvo”, diz um empresário.

Visita à Folha Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Alexandre de Moraes, secretário de Segurança Pública, Marcio Aith, subsecretário de Comunicação, e Fabiana Campos, assessora de imprensa.


TIROTEIO

A presidente Dilma Rousseff já dizia besteira todo dia com João Santana solto. Imagina como será agora que ele está preso.

DE DANIEL COELHO (PSDB-PE), deputado federal, sobre a prisão do marqueteiro que fez as duas campanhas de Dilma e a ajudava em seus pronunciamentos.


CONTRAPONTO

Vire essa boca para lá

No evento de início da última fase de testes da vacina contra a dengue, o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, tentava convencer a presidente Dilma Rousseff a criar uma força-tarefa para mudar as regras de importação de insumos de pesquisa, simplificando o processo.
— Presidente, se entrarmos em guerra com a Argentina, toda a nossa pesquisa irá parar! — disse o médico.
A presidente ouviu atentamente o apelo de Kalil e respondeu sem firulas:
— Kalil, concordo com o pedido. É importante. Mas justifique de maneira menos dramática e belicosa! — afirmou, sorrindo, diante do claro exagero do diretor.