Risco de recessão nos Estados Unidos entra nos cálculos do governo e aflige equipe econômica

Por Painel

A terceira onda Entrou nos cálculos internos do governo o risco de uma recessão nos Estados Unidos. “Aí tudo viraria para baixo. Uma terceira onda da crise internacional”, diz, aflito, um importante emissário presidencial. Apesar do tom sombrio, a equipe econômica ainda vê chances de alguma estabilização em setores da economia brasileira a partir de junho. Em avaliações recentes, o Ministério da Fazenda sustentou já ter chegado ao “fundo do poço” em alguns indicadores nacionais.

Só faltava essa Além da reforma da Previdência, petistas veem mais um ponto de colisão com o governo: a revisão da obrigatoriedade da participação da Petrobras no pré-sal. Lembram que Dilma explorou na campanha a soberania no petróleo.

Pode mudar Aliados de Michel Temer consideraram que os ataques ao PSDB na defesa apresentada ao TSE criaram um clima desnecessário de confronto com os tucanos. Mas dizem que não havia saída. “Enfraquecer a tese do PT, por ora, é enfraquecer toda a chapa”, diz um aliado.

Já era A tropa do vice avalia que, a um mês da convenção do PMDB, não há tempo hábil para que rivais consigam apeá-lo do comando da sigla. Quem conhece o partido diz ser impossível dar um cavalo-de-pau agora.

Entrelinhas A oposição se animou com um trecho da manifestação de Rodrigo Janot ao STF. Nela, o procurador diz que “as coalizões passaram a ser decididas em razão do pagamento de somas desviadas”. A menção abriria portas para que a presidente seja escrutinada pelo MP.

Demorou Entre os dez presos que a juíza Kenarik Boujikian (SP) mandou soltar após suspeitar de prisão além do tempo estava Elissandro Duarte dos Santos, cujo processo ficou parado no gabinete da magistrada por quase um ano — de 14 de maio de 2014 a 8 de abril de 2015.

Tic tac Outros cinco processos aguardaram por mais de seis meses pela análise da juíza. O tempo máximo tolerado pelo CNJ é de cem dias.

Papi Aloizio Mercadante (Educação) escolheu Osasco como destino de sua mobilização contra o Aedes aegypti neste sábado (13). Motivo: seu pai, de 91 anos, mora na cidade e teve dengue recentemente. Ministros farão campanha pelo país contra o mosquito.

Exílio Andrea Matarazzo exonerou nesta sexta (12) cinco servidores de seu gabinete. As demissões ocorreram para que os auxiliares se dediquem à sua pré-campanha à prefeitura de SP, disse o tucano por meio de sua assessoria. Ele promete bancar pessoalmente o salário dos funcionários.

Reação? Ocorre que Matarazzo faz campanha desde o ano passado. Sua equipe sustenta ter trabalhado fora do horário comercial. As exonerações foram efetivadas dias depois de João Doria, rival na disputa, ser acusado de pagar militantes para atrair votos a seu favor.

Papo reto Alvo da Operação Alba Branca, o presidente da Assembleia paulista, Fernando Capez (PSDB), foi chamado pelo governador Geraldo Alckmin para uma conversa a portas fechadas no Palácio dos Bandeirantes na quinta (11). O encontro não foi incluído na agenda oficial.

Convenceu? O deputado, acusado de participar de um esquema de desvio de verbas de merenda escolar, se disse injustiçado. No dia seguinte, Alckmin saiu em sua defesa publicamente, algo raro para o tradicional jeitão reservado — e desconfiado — do governador.

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Procura-se Pré-candidatos tucanos reclamam da dificuldade de localizar filiados para fazer campanha. Segundo eles, o cadastro do partido, a poucos dias das prévias, está uma bagunça. Um deles calcula que, dos 27 mil votantes, só 15 mil têm o endereço cadastrado. E, mesmo assim, muitos estão desatualizados.


TIROTEIO

A dúvida que fica da visita de Dilma ao Lula é se o local do encontro vai ser o tríplex do Guarujá ou o sítio de Atibaia.

DE VANDERLEI MACRIS (PSDB-SP), deputado federal, sobre as articulações do do governo para promover um encontro entre a presidente e seu antecessor.


CONTRAPONTO

Sejamos didáticos

O finado fotógrafo Jair Cardoso vivia às turras com seu editor no “Jornal do Brasil”, que lhe exigia identificação de todos os personagens em cada foto.
Renomado profissional, cobria o Palácio do Planalto, quando foi enviado para acompanhar o então presidente Médici na Feira Internacional de Gado Zebu, em Minas.
No evento, Médici posou ao lado do touro ganhador. Cardoso flagrou o momento e, antes de enviar a fotografia à redação, sapecou a legenda: “Médici coloca a faixa de campeão no touro vencedor”. E acrescentou, ainda, uma gaiata identificação: “O presidente é o de gravata”.
Acabou demitido.