Erenice Guerra admite à PF parceria com membro do Carf e narra encontro entre lobista e sócio da Bertin

Por Painel

Relações perigosas A ex-ministra Erenice Guerra admitiu à PF ter firmado parceria com o então conselheiro do Carf José Ricardo da Silva para resolver uma “grande dívida tributária” da chinesa Huawei. Indagada se a parceria era ética, disse que José Ricardo não via impedimento em advogar contra o órgão para o qual trabalhava. Erenice contou ter levado o lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS, para um encontro com Fernando Bertin, do grupo Bertin. Alvos da Zelotes, José Ricardo e APS estão presos.

Me fugiu Em diversos momentos, a memória de Erenice falhou. No depoimento dado à polícia em dezembro, ela afirmou não se recordar se a procuração para atuar com José Ricardo foi protocolada no Carf e quem custeou a passagem para encontrar Bertin.

Sei não Erenice negou irregularidades. Confirmou, porém, ter recebido pedido de seu irmão para que indicasse José Ricardo para o conselho do Carf. Sustentou não ter influência no Ministério da Fazenda, mas, confrontada com e-mail no qual fez uma indicação para outro conselho da pasta, afirmou não se lembrar.

Essa eu sei! Erenice contou que conheceu APS e José Ricardo no casamento da filha do ex-ministro Silas Rondeau, em 13/08/2011.

Pacificador Escalado para dialogar com a oposição, Jaques Wagner (Casa Civil) começará a aproximação pelo PSB, partido dividido sobre o impeachment. O encontro com a sigla deve ocorrer depois do Carnaval.

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Busão da Dilma Preocupados com a epidemia de zika, ministros do governo visitarão escolas públicas do país. O objetivo é que eles conversem com professores e alunos e se engajem mais na campanha de combate à microcefalia.

Sincericídio A paciência do Planalto com o ministro Marcelo Castro (Saúde) está batendo no teto. O governo está furioso com a recente frase do auxiliar: “Estamos perdendo a batalha para o mosquito”.

Gato escaldado O PT quer que os candidatos a prefeito pelo partido assinem um termo de compromisso assumindo a responsabilidade por eventuais práticas irregulares de arrecadação de campanha. Trata-se de uma espécie de cláusula anti-caixa dois.

Amamos coxinhas Enquanto Dilma segue firme na dieta Ravenna, o governo aumentou a estimativa de consumo de pães, biscoitos e salgadinhos para abastecer o Palácio do Planalto e eventos federais. A licitação para a contratação de empresa de panificação prevê 48 mil salgados, 12 mil a mais que o previsto no ano passado.

Barriga cheia Na lista, há novos itens como minicroissants de “aroma amanteigado e uma leve crocância na superfície” e biscoito caseiro “tipo casadinho”. O custo estimado é de R$ 139.107,50. No ano passado, a previsão era de R$ 98.900.

Caixeiro viajante Apesar de a eleição ser para líder de bancada, o deputado peemedebista Hugo Motta (PB) está fazendo campanha nacional. Já visitou diversos Estados — entre eles Minas e São Paulo — atrás de votos para desbancar Leonardo Picciani (RJ) do comando do partido na Câmara.

Trem da alegria Fiador da campanha de Motta, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se dispôs a rodar o país ao lado do correligionário durante o Carnaval. “Não perco esta eleição nem ferrando”, disse o presidente da Câmara a ao menos um interlocutor.

À la carte O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador José Serra almoçaram no domingo (24) na casa de Andrea Matarazzo, pré-candidato à Prefeitura de São Paulo. Avaliaram que o apoio dos vereadores tucanos oferece boa margem de votos da militância durante as prévias da sigla.


TIROTEIO

Antes diziam que tinha estatal vendida por preço de banana. Agora, tem banana que está sendo vendida por preço de estatal.

DE FELIPE SIGOLLO, secretário-adjunto de Desenvolvimento Social de SP, sobre as críticas de petistas às privatizações tucanas e o preço das ações da Petrobras.


CONTRAPONTO

Adeus, Lenin

Em sua estreia no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, resolveu conceder uma série de entrevistas a veículos internacionais de imprensa para acalmar os mercados lá fora.
Já na décima conversa do dia com jornalistas de diferentes países, o chefe da equipe econômica foi surpreendido por uma pergunta.
— Você é um socialista? — disparou uma repórter de um prestigiado periódico americano.
— Como? — indagou o ministro para, em seguida, responder secamente:
— Socialista, não; pragmatista, sim.