Com R$ 25 bi parados, fundo do FGTS muda regra de empréstimos para atrair empresas

Por Painel

Corra, empresa, corra O FI-FGTS, fundo do governo que usa dinheiro dos trabalhadores para investir em infraestrutura, mudará regras para acelerar empréstimos às empresas que queiram tocar obras novas. Agora, elas poderão pedir ajuda ao fundo antes mesmo de vencer leilões ou concessões do governo — o que não é possível hoje. Pretende-se, assim, resolver o grande problema do fundo: há cerca de R$ 25 bilhões à espera de bons projetos. A mudança diminuirá em até um ano o tempo de análise dos pedidos.

Expressinho “Nós partiremos com a empresa desde o chamado procedimento de manifestação de interesse”, afirma Carlos Abijaodi, presidente do comitê de investimento do FI-FGTS.

Contrapeso O novo modelo será anunciado em algumas semanas. O dinheiro só será liberado se a empresa vencer a concessão e o lance ficar dentro do estabelecido pela Caixa, que administra o fundo. Empresas investigadas pela Lava Jato só serão impedidas de participar se forem declaradas inidôneas.

Menos é mais Com a volta às atividades do conselho do Bem Mais Simples, o governo quer centrar esforços para destravar a criação do registro civil nacional, espécie de documento único para os cidadãos. Há oposição no Congresso e na Receita.

Vamos conversar 1 Líderes de oposição dizem que sentariam, sim, para conversar com Dilma Rousseff , mas sobre “temas estruturantes” e não sobre soluções provisórias, como a volta da CPMF.

Vamos conversar 2 “Se quer uma pauta séria, diga o que propõe para a reforma da Previdência, mas não venha com ideias tapa-buraco”, afirma o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE).

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‌Você na frente Aliados de Michel Temer brincam com a possibilidade de o governo incorporar pontos da Ponte para o Futuro, do PMDB, em sua agenda econômica. “Só falta pedirem a ele que rode o país defendendo idade mínima para aposentadoria”, diz um auxiliar, sobre a impopularidade da proposta.

Ponta do lápis O grupo de Eduardo Cunha contabiliza 32 dos 67 votos para a candidatura de Hugo Motta (PB) à liderança do PMDB na Câmara. Avaliam que há ainda 12 indecisos, que decidirão a disputa entre ele o atual líder, Leonardo Picciani (RJ).

Truco O deputado fluminense chama a conta de “blefe total” e diz ter mais de 40 votos. “Eles acham que só eles se movimentam”, diz.

Vem na minha 1 Proprietário de duas aeronaves, o deputado e candidato a ministro da Aviação Civil, Mauro Lopes (PMDB-MG), foi relator de um projeto de decreto legislativo que pode reduzir gastos de donos de aviões.

Vem na minha 2 O texto pretende extinguir um valor cobrado pela Infraero das empresas que prestam serviço de manutenção e aluguel de hangar para aeronaves de terceiros. Lopes deu parecer favorável, mas o texto ainda aguarda para ir ao plenário.

Veja bem Procurado, Lopes disse não se lembrar do parecer, elaborado em 2013. Seu texto dizia que a legislação não permite que essas empresas recebam tratamento diferente do concedido a outras empresas aéreas.

Acabou o dinheiro Com a proibição das doações de empresas, dirigentes partidários estimam que os custos oficiais das campanhas nas capitais devem atingir algo entre 5% e 10% dos valores de 2012. “O grande problema vai ser a tentação do caixa dois”, diz um cacique.

Fogo amigo Observadores tucanos avaliam que, com o nível de agressividade a que chegaram as prévias para a Prefeitura de São Paulo, o partido não caminhará unido na disputa deste ano.

Recordar é viver No último grande racha tucano, em 2008, Geraldo Alckmin não foi sequer ao segundo turno.


TIROTEIO

O desespero expresso na carta para tentar pressionar o Judiciário não terá efeito. Os juízes estão preparados para responder sem medo.

DE ANTÔNIO CÉSAR BOCHENEK, presidente da Associação dos Juízes Federais, sobre a revelação de que o texto contra a Lava Jato foi criado pela Odebrecht.


CONTRAPONTO

O silêncio falou mais alto

Políticos locais se enfileiravam para discursar na inauguração do novo estádio municipal de Votuporanga, no noroeste paulista, no sábado (23). Debaixo de um sol de 35º, os cerca de 5.000 pagantes já demonstravam irritação. Queriam assistira à primeira partida da nova arena, entre Votuporanguense e Ponte Preta.

Sentindo o clima, Carlão Pignatari, ex-prefeito da cidade e líder do PSDB na Assembleia, preferiu não usar o microfone.

— Obrigado, não vou falar!

A não participação do deputado, anunciada pelo cerimonial, foi a mais aplaudida do pré-jogo.