Estudo que indica três anos consecutivos de recessão para SP assusta gabinete de Alckmin

Por Painel

Nuvens negras Projeções desoladoras sobre a economia de SP chegaram à mesa de Geraldo Alckmin. Estudo da Fipe, encomendado pelo governo local, indica queda de 4% no PIB do Estado em 2015. Tal retração é mais profunda que a de 3,7% esperada para o país. A pesquisa sustenta que os paulistas enfrentarão três anos consecutivos de recessão. Em 2014, a queda fora de 2%. Em 2016, o PIB deve cair ao menos 2,6%. O bloqueio de gastos anunciado por Alckmin tende a agravar o cenário.

Ladeira abaixo Os gráficos mostram que, desde 2014, a produção da indústria e as vendas no varejo só fazem cair. A massa salarial da região metropolitana de São Paulo também vem murchando.

Como faz Secretários próximos já se preparam para uma explosão no desemprego neste ano e um cenário desafiador até o fim do mandato do governador.

Alcatraz Um preso chegou até o telhado do CMP (Centro Médico Penal), em Pinhais, onde está a maioria dos detentos da Lava Jato. Mas o fujão acabou contido pelos policiais. O ex-ministro José Dirceu relatou o episódio a alguns de seus visitantes com certo humor.

Cabelo em pé O Palácio do Planalto não está nada contente com o ministro da Saúde, Marcelo Castro. Além de ser visto como uma verdadeira metralhadora giratória de frases polêmicas, o titular da pasta ainda não conseguiu, aos olhos do governo, aliviar o surto de dengue no país, apesar dos investimentos.

Interventores Diante da insatisfação com a atuação do ministério, a Casa Civil assumirá a coordenação das ações federais contra a epidemia. Dilma também tem dado cada vez mais atribuições ao general Adriano Pereira Júnior, chefe da Defesa Civil, no combate à doença.

Edward Paulinho da Força retornou à presidência da central sindical com a tesoura na mão. Pelo menos três funcionários de grupos contrários a ele perderam cargos. A justificativa oficial é a falta de dinheiro.

Vivo ou morto Hoje adormecida, a possibilidade de rompimento com o governo na convenção de março ainda anima alas do PMDB. Apostam na recessão para inflamar os descontentes.

Cordão umbilical A presidente da República perderá um de seus mais longevos assessores. Anderson Dorneles, há 19 anos atuando como uma espécie de sombra de Dilma, pediu em outubro para deixar o governo. Voltará para Porto Alegre em março, logo depois de se casar.

temer

88 minutos Com medo do vazamento de versões conflitantes, a reunião de Dilma e Temer nesta quarta-feira (20) foi literalmente cronometrada. O ponteiro do relógio marcava 10:14 quando o encontro começou. O ministro Ricardo Berzoini juntou-se à dupla após 16 minutos. Jaques Wagner entrou logo em seguida. Às 11:32, a reunião terminou.

Olho grande Não é só a eleição para a liderança do PMDB que preocupa o Planalto. O comando de bancadas da base, como o PP, e até da oposição, como o PSB, estão no radar do governo. O temor é que líderes menos vinculados ao Planalto assumam esses cargos.

À espera O diretório paulistano do PSDB solicitou ao TRE que ceda urnas eletrônicas para a realização das prévias da sigla. A resposta ainda não veio. Mas o tribunal já confirmou que mais de 27.000 filiados estão aptos a votar. Em 2012, eram 21.000.

Quórum O empresário João Dória, pré-candidato tucano à Prefeitura de SP, espera que um bom número de secretários de Alckmin aceite seu convite para um jantar nesta quinta (20). A ideia é que ele possa se apresentar aos auxiliares e falar sobre suas ideias para a cidade.


TIROTEIO

A nova equipe econômica tem de ter ousadia no anúncio das medidas. Se não correr riscos, não retomaremos o crescimento econômico.

DE JOSÉ GUIMARÃES (PT-CE), líder do governo na Câmara, sobre a expectativa da base aliada em relação ao novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa.


CONTRAPONTO

O deputado federal Bruno Covas (PSDB-SP) comentava satisfeito que a emenda de sua autoria incluída na Lei da Repatriação de recursos mantidos no exterior havia escapado da lista de vetos da presidente Dilma Rousseff.
O item proíbe que políticos e seus parentes se beneficiem da anistia promovida pelo governo com a nova lei e legalizem recursos não declarados à Receita Federal.
Houve quem desse os parabéns ao parlamentar. Houve quem discordasse da iniciativa. E houve ainda quem cobrasse Covas de forma mais direta:
— Caramba, Deputado! Como é que eu vou trazer agora as rapaduras do meu Piauí? — disse um, para riso geral.