Governo de São Paulo deve promover mais bloqueios de gastos ao longo do ano

Por Painel

Apenas o começo O congelamento de R$ 6,9 bilhões no Estado de São Paulo não deve parar por aí. O governo Geraldo Alckmin (PSDB) deve promover mais bloqueios de gastos ao longo de 2016. No ano passado, a queda de arrecadação foi de 4,7%, de acordo com a gestão. O contingenciamento só não foi pior em razão do “up” com o aumento do ICMS de cerveja e cigarro, aprovado na assembleia paulista em novembro. A alíquota da bebida foi de 18% para 20%; a do tabaco subiu de 25% para 30%.

Verão passado Em 2015, Alckmin decidiu que obras que estavam pouco adiantadas parariam de receber dinheiro, e disponibilizou os recursos que restavam para este fim a obras perto de finalização. A mesma estratégia deve ser usada neste ano.

Nas redes O governador quer apertar mais as torneiras do custeio da máquina pública. O último pedido foi cortar os celulares para baixar a conta de telefones. “Ele agora quer que a gente use mais o WhatsApp”, afirma um interlocutor do governo Alckmin.

Aos amigos, tudo Ciro Gomes costuma dizer que um dos erros da presidente Dilma Rousseff, aliada dele, foi ter montado um governo com candidatos derrotados nas últimas eleições.

Aos bois E segue o raciocínio listando os nomes: o ministro Eduardo Braga (Minas e Energia); Helder Barbalho (Portos); família Sarney, com vários indicados a diversos escalões; Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

Faixa de Gaza Ex-ministro de Lula, Ciro acrescenta, ainda, que outro erro de Dilma foi ter feito uma gestão hostil aos governadores eleitos em 2014, tanto no campo político como na economia.

Rivais Ciro acha que Dilma erra ao não rivalizar com o vice-presidente Michel Temer. Diz ele que se cair o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a presidente fica sem antagonista.

Eu contra ele Aliados de Temer afirmam que, se Renan decidir disputar a presidência do partido, o vice “fará uma disputa de biografias”.

Lado bom O melhor cenário para Fernando Haddad é o PMDB unido. Abre espaço para ampliar sua coligação ao oferecer a vice na chapa, diz Chalita a interlocutores.

Amigos do peito O senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi a São Paulo almoçar com Michel Temer na quinta (14). “É sinal de que o senador do Paraná não é contra o Temer, como algumas pessoas pintam”, avalia um observador do governo paulista.

Prevenir Com receio da CPI do BNDES e da Operação Zelotes, o ex-ministro Guido Mantega (Fazenda) se reuniu com os advogados que o representam nas frentes —respectivamente, José Roberto Batochio e Pierpaolo Bottini— a fim de se inteirar sobre possíveis desdobramentos.

Sai de mim Advogados de delatores na Operação Lava Jato querem distância do manifesto que outros defensores lançaram na semana passada, com críticas à força-tarefa de procuradores e ao juiz federal Sergio Moro.

Carapuça Uma das críticas é que prisões preventivas foram usadas para pressionar réus a fecharem colaborações. “Essa eu não vou comentar nem…”, irrita-se o defensor de um dos delatores, e completa com um palavrão.

Réus e véus Em meio a defesas na Lava Jato, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, celebrou o casamento de Marcelo Turbay, seu sócio, em Pirenópolis (GO). Ele discursou e recitou um poema de Fernando Pessoa.

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Vigiar e punir “Casei meu sócio, é sociedade punitiva”, brinca, mencionando conceito do filósofo Michel Foucault. “É a crise, tenho que buscar alternativas. Saí de lá com vários convites para batizado”, ele emenda.


TIROTEIO

Se eleger subprefeito é bom, então vamos eleger o secretário da Educação, da Saúde… Aí mandamos o prefeito embora. Não dá.

DE JOÃO DORIA JR., pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, sobre a decisão do prefeito Fernando Haddad de promover eleições para subprefeitos


CONTRAPONTO

Corre no sangue

Em 2010, quando concorreu ao Senado, mas não se elegeu, Jorge Picciani (PMDB) fez um balanço de sua atuação na Assembleia do Rio, que estava deixando.

— O PMDB do Rio é um grande partido, que tem projetos, tem experiências exitosas — disse ele.

Em 2014, Picciani voltou à Casa, que atualmente preside. No mesmo ano, dois de seus filhos se elegeram: Leonardo, na Câmara dos Deputados, e Rafael, na Assembleia do Rio. Na mesma entrevista, o peemedebista foi questionado se cogitava deixar a vida política.

— A gente até tenta sair dela, mas o problema é que ela não sai da gente — afirmou entre risos.