Aliados de Cunha querem novo candidato para liderança do PMDB

Por Painel

Queijo quente Peemedebistas ligados a Eduardo Cunha pressionam a bancada mineira do partido na Câmara a apresentar já no início de janeiro um nome que tenha apoio de todos os deputados do Estado para disputar a liderança da sigla. “Se não unir Minas, não une a bancada”, disse Cunha a um interlocutor. A avaliação é que Leonardo Quintão, deposto do cargo uma semana depois de assumi-lo, perdeu capital. Newton Cardoso Jr. ganhou força com as bênçãos do presidente da Câmara.

Vai ter troco Diante da operação tartaruga de policiais rodoviários, José Eduardo Cardozo (Justiça) determinou a abertura de processos disciplinares para quem não retomar a fiscalização integral das rodovias e, se for o caso, a instauração de inquérito por prevaricação.

Momento Michel Em outro embate, o Ministério da Justiça enviará uma dura carta à Associação de Nacional de Delegados da PF rechaçando a acusação de “desmonte” da corporação.

Bateu, levou “O fortalecimento do trabalho da PF é um dever de Estado e qualquer agente público ou instituição jamais poderá condicioná-lo a intrigas políticas. Por isso, sempre optamos pelo caminho do diálogo, mesmo que injustamente atacados”, diz um dos trechos da carta.

Terra de cego Governadores que estiveram reunidos com Nelson Barbosa (Fazenda) festejaram ter sido ao menos recebidos. “Com Levy, nem isso conseguíamos”, diz um deles.

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De berço Valdir Simão ganhou novo apelido: Ministro Zé Gotinha. Segundo interlocutores, o visual lustroso confere ao titular do Planejamento singular semelhança com o personagem criado na década de 80 para a campanha de vacinação do governo.

Raiz Secretário de Geraldo Alckmin, Floriano Pesaro enviou carta ao Itamaraty pedindo a imediata aceitação de Dani Dayan, embaixador indicado por Israel para o país. Judeu, ele acusa o governo de ser “discriminatório e descortês”.

Conta amarga Para um ministro do TCU, a presidente Dilma Rousseff está dando uma “pedalada retroativa” ao optar por pagar ainda neste ano os R$ 57 bilhões devidos aos bancos estatais.

Não agradou “Estão explodindo o deficit nas contas públicas neste ano para ver se melhoram o resultado que irão apresentar em 2016”, afirma o ministro.

Dê munição A CSN faz as contas e não vê como recuar da decisão de demitir trabalhadores, como pretende o ministro Miguel Rossetto (Trabalho). A empresa está disposta a negociar uma redução no número de baixas, mas avalia que o governo precisará oferecer algum plano de compensação.

Ou suba a muralha As siderúrgicas do país defendem que o governo aumente as medidas de proteção ao setor, que enfrenta concorrência pesada dos chineses mesmo com o dólar alto

Vai ou não vai? Empresas de logística aguardam a definição do governo sobre a renovação antecipada de trechos de ferrovias. As conversas ocorrem há meses e nada. Empresários reclamam que, com isso, fica ainda mais difícil conseguir dinheiro para fazer investimentos.

Quem assume? O Banco do Brasil segue atento à situação do BTG, que tenta vender negócios para debelar a crise após a prisão de André Esteves. O banco estatal fez empréstimos a empresas do BTG e quer saber com quem terá de negociar daqui para frente.

Arroz de festa Banqueiros comentam, aliás, que Persio Arida, sócio do BTG, tem atuado com afinco para se tornar a nova cara do banco. Não há evento do setor que deixe de comparecer. Mesmo antes da prisão, Esteves havia deixado de circular nas rodinhas do sistema financeiro.


TIROTEIO

A trilha sonora do dia é: ‘Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão’. Foi uma punhalada nos trabalhadores.

DE MIGUEL TORRES, presidente da Força Sindical, lembrando que, há um ano, Dilma Rousseff editava MPs com corte de benefícios como o seguro-desemprego.


CONTRAPONTO

Cândido de Voltaire

Numa reunião recente, o ex-presidente Lula fazia uma avaliação sombria sobre os próximos anos. Ao ouvir o prognóstico, o economista Delfim Netto interrompeu-o e começou a listar fatores positivos: o superavit na balança comercial, a manutenção das reservas internacionais em cerca de US$ 370 bilhões, a compreensão até por Dilma de que o ajuste fiscal é inevitável…
Lula escutou atento e rebateu:
–Pô, Delfim, você não está otimista demais?
E o ex-ministro da Fazenda apelou ao seu bordão:
–Estou com 87 anos. Se não for otimista nessa idade, o que me resta? — divertiu-se.