Crise e incerteza sobre impeachment fazem empresas recuarem de empréstimos com FGTS

Por Painel

Quem quer dinheiro? Num ano em que os bancos aumentaram os juros e reduziram o crédito, cerca de R$ 12 bilhões do FGTS que estavam à disposição das empresas ficaram simplesmente parados. O motivo? Falta de interessados. Os pedidos de empréstimo até chegaram à Caixa, que administra o FI-FGTS, mas as companhias não mandaram os documentos necessários ou desistiram de agendar reuniões. As empresas dizem que a recessão e a incerteza sobre quem governará o país as fizeram revisar planos.

Solitária Em abril, a CCR, de rodovias, recebeu R$ 610 milhões. Depois, ninguém mais. É um recorde negativo para o FI-FGTS, criado para investir dinheiro do fundo de garantia dos trabalhadores em infraestrutura. Em janeiro, serão avaliados os casos de Rumo, Rialma e Energisa.

Transparência O fundo passou a divulgar na internet as recomendações de investimento da Caixa e o voto dos 12 membros do comitê gestor. A medida tenta inibir pedidos de vista desnecessários.

Foco Integrantes do fundo sustentam que um aliado de Eduardo Cunha solicitava mais tempo para analisar os processos para constranger empresas. O Ministério Público diz que o peemedebista já recebeu propina por negócios no FI-FGTS, o que ele nega.

Cobertor curto Partiu do PT e de governadores da sigla a ideia considerada “primária” por Nelson Barbosa (Fazenda) de usar as reservas internacionais para obras de infraestrutura. Wellington Dias, governador do Piauí, sugeriu que parte fosse investida em ações contra a seca.

Vai ter marcha A Frente Brasil Popular, que reúne dezenas de movimentos sociais, fará encontro no dia 18 de janeiro em São Paulo para definir o cronograma de manifestações de 2016. Uma marcha contra o impeachment de Dilma Rousseff deve ocorrer em Brasília no início do ano.

Planos ousados “Temos obrigação de colocar pelo menos 100 mil pessoas na Esplanada”, afirma Raimundo Bonfim, coordenador geral da CMP (Central de Movimentos Populares). Segundo ele, o objetivo é pressionar os deputados a barrar o processo.

Deixe estar A manifestação contra a presidente pensada pela oposição para a segunda quinzena de janeiro deve ficar para a volta do recesso, depois do Carnaval.

Cadeado 1 O Tribunal Superior Eleitoral aprovou resolução em dezembro para dificultar fraudes na criação de partidos políticos: agora, as informações sobre os apoiadores das novas siglas serão incluídas em um banco de dados.

Cadeado 2 A Justiça Eleitoral quer fazer cruzamentos para checar a duplicidade de assinaturas e verificar se o eleitor já é filiado a partido político, o que é proibido.

Sofrimento contínuo A oposição e aliados de Michel Temer já calculam que, com a chegada dos recursos no Supremo sobre o rito definido para o impeachment, a novela da deposição de Dilma Rousseff pode se arrastar por todo o primeiro semestre.

Vai levando A estratégia dos dois grupos é prolongar a agonia da petista e tumultuar o ambiente no Legislativo para impedir que ela esboce reação e saia do buraco.

Todos contra um Alvejado na Lava Jato, o PMDB do Senado engrossa o coro de petistas e quer José Eduardo Cardozo fora do Ministério da Justiça. Sonham em emplacar um nome da sigla para tentar influir nas investigações.

Escaldado Cardozo diz a interlocutores que se diverte com o movimento: uns querem sua saída porque ele interfere muito, outros, porque não interfere. “Não tem jeito.”

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Afeto Deputados relatam que Marcelo Aro (PHS-MG), aliado de Eduardo Cunha, tem se referido ao presidente da Câmara pelo nome carinhoso de “papi” em reuniões. Já saiu até um “papito”.


TIROTEIO

Geddel diz que eu não sou candidato à Presidência em 2018. Fico tão feliz de concordar com ele! Coisa rara de acontecer.

DE EDUARDO PAES, prefeito do Rio e integrante de ala oposta à de Geddel Vieira Lima no PMDB, sobre a possibilidade de candidatar-se à sucessão de Dilma.


CONTRAPONTO

Só dá caixa postal

Eleito em 2012 com a promessa de que contaria com a boa vontade do governo federal para engordar o caixa da prefeitura paulistana, o petista Fernando Haddad enfrenta dificuldades em sua relação com o Planalto desde que assumiu o posto.
Recentemente, um secretário municipal comentava com o chefe que as obras de drenagem da cidade poderiam estar bem mais avançadas se a presidente Dilma Rousseff liberasse os recursos necessários.
Ao que Haddad respondeu:
— Eu ficaria satisfeito se ela ao menos atendesse os meus telefonemas!