Alvo da PF, Cunha nem pensa em sair: “Vão precisar de algo mais forte para me derrubar”

Por Painel

Pedra de gelo Eduardo Cunha já estava de banho tomado e cabelo alinhado quando a polícia bateu à sua porta. “Esperávamos isso há três meses. Imaginávamos como seria esse dia”, disse um segurança do presidente da Câmara a um dos agentes. Cunha ficou furibundo ao ver a Polícia Federal em sua casa. Mas, de tarde, já havia recomposto o tom belicoso. “É ruim me derrubar assim. Precisa de algo mais forte”, desafiou, para depois prometer “anular tudo” contra ele no Conselho de Ética.

Mayday Cresce no PMDB do Senado uma forte resistência a Michel Temer, dificultando o esforço do vice de ter a legenda unida em prol do impeachment.

Mando eu Peemedebistas que consideravam apoiá-lo reclamam da decisão de Temer ter a palavra final, como presidente nacional do PMDB, sobre novas filiações Ðestratégia criada para evitar que Leonardo Picciani, pró-Planalto, recupere a liderança da bancada na Câmara.

Rebelião Senadores prometem filiar novos políticos à revelia do dirigente. ªA gente é grande porque cada cacique tem a sua triboº, diz um correligionário incomodado. “Ele quer unir o país em uma recessão dividindo o PMDB?”

Dependência Um importante auxiliar presidencial desabafou: “Graças a Deus o ministro Teori Zavascki não acatou no STF pedido de diligência na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros. Não dá para incendiar o país assim”.

Carregamento Em razão da quantidade de documentos apreendidos na casa do presidente da Câmara, os agentes solicitaram uma viatura extra para realizar o transporte de toda a papelada.

DNA No endereço de Cunha no Rio, sua filha mais nova, Bárbara (18), estava sozinha em casa quando a PF chegou. Como os advogados demoraram a aparecer, ela acompanhou os agentes e teria impedido, conforme relato do pai, ações além das determinadas no mandado.

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Há vagas “Vai começar a faltar japonês para dar conta de tanta gente. Vamos ter de contratar sósias”, diz um integrante do primeiro escalão da PF, referindo-se ao agente Newton Ishii.

Questão de tempo Em conversas nos últimos dias, portanto antes da revisão da meta fiscal, o ministro Joaquim Levy (Fazenda) deixou claro que a decisão de deixar o cargo está tomada.

Comigo, não Já na noite terça, Levy afirmou a interlocutores não ter intenção de criar problema para Dilma, saindo “no meio do fogo”, mas que não tolerará a pecha de “anti-Bolsa Família”. Amigos apostam que o ministro não fecha janeiro no cargo.

Epitáfio O chefe da Fazenda foi aconselhado a ser o mais sutil possível no seu roteiro de despedida. O ministro prometeu ser “discreto e elegante”.

Pão nosso Nos diálogos mantidos após a revisão da meta, Levy apontou a aprovação do projeto da repatriação. “Os senadores foram nota 10. No fim, o que vai botar o pão na mesa do brasileiro é isso”, disse ele a interlocutores.

Feliz Levy comemorou “um fato raro em qualquer governo”: extinguir uma estatal. “Ao lado do Braga [ministro de Minas e Energia], o Tesouro conseguiu fechar a Eletronet”, afirmou à equipe.

Aí não O empresariado teme que a penúria do governo paralise o Portal Único, um dos poucos projetos que andam na Esplanada. Atenta às tesouradas da equipe econômica, a CNI defende que sejam preservados ao menos os R$ 29 milhões do projeto, que facilitará as exportações.

Esse fica O Mdic, coordenador da iniciativa, afirma não haver sinal de que os recursos serão cortados.

Para garantir O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC decidiu alugar 29 ônibus para buscar trabalhadores nas fábricas e levá-los à Avenida Paulista. Mesmo com muitos já de férias, quer encorpar o ato contra o impeachment de Dilma nesta quarta.


TIROTEIO

 Como este partido vai assumir a República? Sair do PT no lodo para cair nas águas turvas do PMDB é trocar seis por meia dúzia

DE ELIAS GOMES (PSDB), prefeito de Jaboatão dos Guararapes (PE), sobre a nova etapa da Lava Jato que atingiu caciques do PMDB na Câmara e no Senado


CONTRAPONTO

Vade retro

O engenheiro Pedro Parente, ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento do governo FHC, falava sobre a atual crise política e econômica do país a militantes tucanos em São Paulo no sábado passado.
Respeitando a tradição e seguro de que iria agradar o convidado, o deputado federal Floriano Pesaro (PSDB-SP), que organizou o evento, chamava Parente a todo momento por “ministro”. Após algumas citações, contudo, o palestrante não se conteve e decidiu intervir:
— Floriano, melhor você me chamar só pelo nome mesmo. Ou alguém acaba achando que eu sou ministro desse governo que está aí!