Aliados de Cunha preparam recursos ao STF para que impeachment comece em fevereiro

Por Renata Agostini

Operação férias Pessimistas sobre o julgamento do rito do impeachment no STF, aliados de Eduardo Cunha preparam ações para evitar que o processo contra Dilma Rousseff transcorra em janeiro, como quer o governo. O plano é apresentar recursos em série à corte. Cunha quer jogar tudo para fevereiro de 2016 e votar a deposição em plenário na primeira semana de março. Ao operar pelo recesso, o peemedebista tenta reduzir o seu grau de exposição e garantir sobrevida no comando da Câmara.

Malvado favorito Algoz inconteste de Dilma, o presidente da Câmara enviou nesta segunda-feira um cartão de “feliz aniversário” à presidente da República.

Amigo da onça “Seria agressivo de minha parte se eu deixasse passar em branco”, diz o dirigente, sem esboçar um sorriso sequer.

Campo minado O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), aliado de primeira hora de Cunha, é o favorito para assumir a presidência da comissão do impeachment. O oposicionista Rodrigo Maia (DEM-RJ) ficaria com a relatoria.

E agora? O Planalto teme um “efeito PMDB” caso os líderes precisem indicar novos nomes para a comissão especial. Avalia que as alas rebeldes tentarão vender caro um eventual apoio.

São Tomé Leonardo Picciani, o líder destituído, repete a deputados do PMDB que, até o final da semana, apresentará uma nova lista de assinaturas para retomar o posto. Adversários apostam que o papel não vai aparecer.

Mais do mesmo A ideia de Dilma de chamar presidentes de partidos para conversar enfrenta resistências. “Ela falou e não ouviu nada durante cinco anos. Ninguém acredita mais em diálogo”, diz o chefe de uma sigla da base.

Trocadilho Ao contrário da oposição, que planeja protestos para 13 de março –após a data prevista para a votação do impeachment na Câmara–, o deputado Paulo Pereira da Silva (SDD-SP) quer atos em 17 de janeiro para apelidar a manifestação de “a marcha do 171”.

Contra todos O PSDB vai contestar a atuação de Luís Inácio Adams na defesa de Dilma. Argumentará que o ministro não pode atuar contra os interesses da União.

Reforço Os taxistas ganharam um aliado na batalha contra o Uber. Para Eros Grau, ex-ministro do STF, o transporte de passageiros por motoristas do aplicativo é “inquestionavelmente ilegal”. Segundo ele, juristas que sustentam o contrário tomam “alhos por bugalhos”.

Munição O parecer foi protocolado pelos advogados dos taxistas no Cade, que investiga se a categoria cometeu irregularidades na tentativa de barrar o Uber no país.

Legado O deputado Indio da Costa (PSD-RJ), que foi relator da lei da Ficha Limpa, já apresentou 19 projetos de lei para ajudar a viabilizar, no Congresso, um pacote de medidas contra a corrupção proposto pelo Ministério Público. Quer garantir que a iniciativa não perca fôlego.

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Carece não João Dória promete abrir mão do salário caso seja eleito prefeito de São Paulo. “Se for obrigado a receber, doarei todo mês meus vencimentos para instituições do terceiro setor”, afirma o empresário, pré-candidato pelo PSDB.

Eu te escuto Laurent Fabius, chanceler francês e presidente da COP21, lembrou-se de Dilma. Disse, em Paris, que os conselhos da presidente brasileira foram “valiosos” para o seu trabalho na conferência do clima. Não revelou quais.

Visita à Folha O deputado Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB na Câmara, visitou ontem a Folha, a convite do jornal. Estava acompanhado de Marco Tulio Chaves, assessor de imprensa.


TIROTEIO

A coisa está tão feia que, daqui a pouco, o Cunha consegue que prendam os ministros do Supremo Tribunal Federal.

DO APRESENTADOR DE TV JÔ SOARES (GLOBO), sobre o poder do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e sua capacidade de se manter no cargo.


CONTRAPONTO

Do carneirinho, com amor

Na semana passada, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) telefonou para sua mãe para narrar os últimos fatos políticos. De Juiz de Fora, dona Isa fez um pedido:
— Meu filho, não vá brigar. Faça como seu amigo, aquele de cabelo enroladinho, que parece um carneirinho. Ele pensa igual a você, mas não se mete em briga —, referindo-se ao deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).
Sabendo do episódio, Alencar resolveu dar uma força à dona Isa. Passou a Delgado uma imagem que havia recebido de Santa Rita de Cássia, a “protetora das causas impossíveis”.
— Você está precisando mais do que eu—, disse.