Governo prepara saída à esquerda caso Dilma sobreviva ao impeachment

Por Painel

Saída de pela esquerda O governo prepara o que chama de uma “suave correção de rota” caso a presidente da República sobreviva ao processo de impeachment. Auxiliares asseguram que Dilma Rousseff tenderá, aos poucos, para a esquerda. “Não a esquerda irresponsável e expansionista”, diz um ministro próximo. Há pressão na Esplanada, mas a cobrança maior vem do PT e do ex-presidente Lula, em resposta àqueles que, na hora do aperto, vão para as ruas defender o mandato da petista.

Primeira vítima Mesmo ministros que, até agora, estavam ao lado de Joaquim Levy na defesa de um superavit primário de 0,7% do PIB em 2016 já começam a dizer que a meta estabelecida pelo titular da Fazenda não é “razoável”.

Galileu Eis a explicação: o PIB está “em queda livre”. Não se trata mais de adotar medidas para estimular a atividade –mas sim para estabilizar a economia, pondera um dos aliados de Levy.

Eu sozinho O pedido de impeachment foi aceito há 11 dias e, até o momento, a presidente ainda não conta com um gabinete de crise nos moldes do montado pelo antecessor na época do mensalão.

Muita calma Durante o segundo turno das eleições de 2014, o risco de derrota fez o Estado-Maior petista passar a se reunir regularmente. Agora, com o impeachment em curso, nem mesmo uma reunião entre a presidente e o antecessor foi marcada.

Exílio Lula, a propósito, praticamente não falou com Dilma desde a abertura do processo por Eduardo Cunha.

Pouca prosa Apesar de afastado da pupila, o ex-presidente telefona quase que diariamente para ministros próximos a ele. Dá palpites e reclama da falta de acenos para a base política do PT.

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Agora é sério De tanto ameaçar que deixará a Fazenda, colegas brincam que o ministro Joaquim Levy já mandou plastificar sua carta de demissão e anda com ela no bolso. “Só passa Liquid Paper na data”, atira um gaiato.

Pensando bem 1 Apesar da versão adotada por articuladores do Planalto para justificar a derrota na escolha da comissão do impeachmente –de que o “voto secreto é a tentação do demônio”–, parte do governo tem receio de uma nova eleição aberta.

Pensando bem 2 O temor é que a derrota inicial dê fôlego à oposição e a diferença de votos se amplie, expondo ainda mais a fragilidade da base governista.

Elenco Líderes de oposição começam a elencar nomes para falar na comissão. Augusto Nardes, do TCU, o ex-ministro Guido Mantega e o jurista Hélio Bicudo, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma, são alguns dos mais lembrados.

Pipoca Bicudo, 93, estará em um dos trios elétricos do Vem Pra Rua nos protestos deste domingo em São Paulo. O grupo prepara esquema de segurança para que ele consiga chegar até o caminhão.

Liberado A Polícia Federal usa o parecer da juíza Célia Regina Ody Bernardes para refutar a afirmação dos advogados da família Lula de que informações sobre Luís Cláudio, filho caçula do ex-presidente, foram vazadas à imprensa por servidores.

Deadline Foi a própria magistrada que, em sua decisão, determinou o fim do sigilo tão logo fossem cumpridos os atos de busca e apreensão no escritório de Luís Cláudio.

Voo solo Em recente reunião com tucanos no Palácio dos Bandeirantes, Geraldo Alckmin reclamou do silêncio do PSDB durante as manifestações contra a reorganização escolar que era proposta pelo seu governo.

Bom entendedor João Doria, pré-candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, recebeu o apoio de José Herinque Reis Lobo, fiel escudeiro do senador José Serra.


TIROTEIO

O voto no processo de impeachment vai ser o meu momento de também mandar uma cartinha para a presidente Dilma.

DO DEPUTADO BRUNO COVAS (PSDB-SP), sobre o PSDB ter fechado apoio à deposição da presidente e a carta do vice Michel Temer a Dilma.


CONTRAPONTO

Direto e reto

Vice-líder do governo, Silvio Costa (PSC-PE) passou a quarta-feira provocando e cobrando de deputados da base a posição sobre a votação da véspera, que escolheu a comissão do impeachment –chapa um, governista, ou chapa dois, de oposição.
Na hora do almoço, esbarrou com Guilherme Mussi (PP-SP) e cutucou, já sabendo a resposta:
–Deputado, me diga uma coisa. Votou como ontem? Chapa um ou chapa dois?
–Chapa dois –cravou Mussi.
–Mas o PP é da base! –retrucou Costa.
–F…-se! –encerrou Mussi.