Parte do Supremo já avalia tese para afastamento de Eduardo Cunha

Por Painel

Caminho das pedras Ministros do Supremo começam a defender uma tese para afastar Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Pela argumento de parte da corte, as manobras regimentais do dirigente obstruem, sim, as investigações. “Uma pessoa que usa o cargo para impedir sua cassação o faz para manter o foro privilegiado. Assim, pode escolher o tribunal que o julga, o juiz que o julga e ter direito a regime jurídico especial, como só ser preso em caso de flagrante”, diz um interessado na saída.

Bangu Segundo essa análise, André Esteves teve sua prisão preventiva decretada para não prejudicar a apuração da Lava Jato.

Mimimi Uma outra ala da corte, porém, ainda não vê argumento jurídico para tal por se tratar de “questão interna, disciplinar” da Câmara. “Isso aqui não é a casa da suplicação geral”, diz um ministro contrário à ideia de interferir no processo da Câmara.

Pompa Magistrados afirmam que o STF precisa ser “provocado por alguém legitimado”, dando a entender que seria preciso uma instituição de peso como patrocinador do pedido de afastamento.

Escaldado A defesa de Cunha conta com decisões do Supremo –como a que determinou que a responsabilidade da troca do relator no Conselho de Ética era da própria Câmara– para tentar tirar força da tese em curso.

Olho grande Congressistas que mantêm contato com a Procuradoria-Geral da República dizem que as análises sobre pedidos anteriores da oposição podem ficar prontos já na próxima semana.

Negócios à parte Apesar da atuação alinhada entre Cunha e Michel Temer nos últimos dias, o grupo do vice começa a sentir a pressão das cobranças sobre a legitimidade do presidente da Câmara para tocar a deposição de Dilma Rousseff.

PT saudações José Carlos Aleluia (DEM-BA) decidiu responder ao telegrama de Dilma cumprimentando-o pelo aniversário: “Obrigado pela lembrança. Sabemos que o correio do Planalto anda bastante movimentado…”, escreveu, em referência à carta de Michel Temer.

Reforço extra Em razão da crise, Cunha levou o jornalista Laerte Rimoli para coordenar a comunicação da presidência da Câmara.

Parla Tanto na Lava Jato quanto no STF, a colaboração do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) é tratada como “a delação das delações”.

Terceiros Um dos integrantes do inquérito levanta a suspeita de que o petista parecia cumprir uma missão ao tentar o silêncio de Nestor Cerveró. “Ele não parecia estar negociando para ele.”

Oitiva O presidente do PT, Rui Falcão, prestou depoimento à PF de Brasília na terça. Os esclarecimentos à Lava Jato não foram dados na condição de investigado.

APODE1112PAINEL

Selfie Durante passagem pelo Paraná, apoteose da Lava Jato, o ministro José Eduardo Cardozo não resistiu: pediu para tirar uma foto com o agente Newton Ishii, “o japonês da Lava Jato”.

Campo… Ministros do TCU estão fazendo um périplo na Câmara para impedir que o projeto de lei sobre acordo de leniência seja aprovado da maneira como está.

… minado Pela proposta, se uma empresa fechar acordo com a Advocacia-Geral da União ou a Controladoria-Geral da União, os processos contra ela em tribunais de contas podem ser suspenso.

Bombardeio “É um golpe contra o TCU”, diz Júlio Marcelo de Oliveira, procurador do Tribunal de Contas.

Alerta Com o temor de falta de repelente para conter o zika vírus, o governo chamou empresas produtoras para uma reunião. Quer saber como estão os estoques e qual é a capacidade de produção.


TIROTEIO

O PT tenta vender a falsa tese de luta entre Cunha e Dilma. O impeachment é, na verdade, uma batalha entre os brasileiros e Dilma.

DO DEPUTADO FÁBIO SOUSA (PSDB-GO), sobre estratégia do governo de opor Dilma Rousseff a Eduardo Cunha para deslegitimar o pedido de afastamento.


CONTRAPONTO

Famoso quem?

Assim que desembarcou no Paraná na terça-feira, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deu de cara com Newton Ishii, o “japonês da Lava Jato”.
Ao longo do dia, o agente que se tornou a cara da operação mais retumbante da Polícia Federal, escoltou Cardozo pelas ruas de Curitiba.
Na hora do almoço, o ministro e o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, decidiram almoçar em um movimentado restaurante da cidade.
Ao entrar, não foram reconhecidos por ninguém.
–O japonês está mais famoso do que a gente –disse Cardozo a Daiello.