Cúpula do PMDB no Senado fecha com Dilma e trabalha para impedir recesso

Por Painel

Ele, ela Se, na Câmara, o apoio do PMDB ao Planalto parece ainda menor, no Senado, a cúpula do partido decidiu fechar com Dilma Rousseff. Em reunião reservada na noite de segunda-feira com a presença de caciques como Renan Calheiros e José Sarney, ficou acertado que o grupo ajudaria o governo a manter o Congresso trabalhando nas férias. Após o encontro, a presidente da República foi avisada de que a carta do vice Michel Temer seria tratada publicamente como vendeta pessoal.

Uni-duni-tê Duas das opções para manter o Legislativo aberto em janeiro foram consideradas viáveis na reunião do PMDB: aplicar a lei 1.079, que prevê a convocação do Congresso por um terço da Câmara ou do Senado para continuar discutindo o impeachment, ou, simplesmente, não votar a LDO.

Matemágica Os 199 votos favoráveis à presidente da República mostram que é estreita a margem do governo para evitar a deposição. Mas o placar sinaliza, por outro lado, que o jogo do impeachment ainda está em aberto.

No escuro O Planalto foi traído por pelo menos 30 deputados. Antes da votação contabilizava que 230 votos era o número máximo que conseguiria atingir –e o mínimo para ter mais segurança na condução do processo.

Lá e cá Até deputados do PMDB inscritos na chapa governista festejaram a vitória dos rivais. Vitor Valim (PMDB-CE) gravou vídeo celebrando, com a comemoração dos parlamentares de oposição ao fundo.

Nua e crua De um deputado, segundos após a vitória da oposição: “Isso é acerto de conta. Cada voto aqui, para reverter, vai ser um pedaço do Brasil que Dilma Rousseff terá de entregar.”

Persistência No Jaburu, a tropa de Temer dizia que a derrota da petista lembra a eleição de Cunha para a Câmara: como em fevereiro, o governo não aceitou negociar a composição da comissão. Perdeu nas duas.

Castelo de areia Diante do placar, aliados de Dilma criticaram a articulação política do Planalto. “Espero que sirva ao menos para estimular a criação de um comando de crise amplo no Planalto. O PT sozinho não dá”, diz Orlando Silva (PC do B-SP), vice-líder do governo.

Ao combate Em sua primeira declaração pública desde que Eduardo Cunha acatou o pedido de impeachment, o advogado Carlos Araújo, ex-marido da presidente, diz: “Dilma cresce no confronto. Não vão encontrar fraqueza nunca ali”.

Golpe “Repete-se 1954, repete-se 1964, mas desta vez eles não levarão. Essa é a diferença”, afirma Araújo.

Interna corporis Para a defesa de Eduardo Cunha, a decisão do STF de indeferir o afastamento de Fausto Pinato (PRB-SP) da relatoria de seu processo no Conselho de Ética teve um ponto positivo: definiu que a Mesa Diretora da Casa, aliada a Cunha, é que deve arbitrar o caso.

Na manga Aliados de Cunha têm pronto recurso pelo impedimento de José Carlos Araújo (PSD-BA), presidente do conselho, caso caiba a ele desempatar a votação.

Juntos Diante do movimento de caciques peemedebistas para tirar Leonardo Picciani da liderança da bancada, Renan Calheiros falou com o deputado. Condenou a ação para apeá-lo do cargo.

Mancha Na avaliação de dirigentes do PMDB, a carta de Temer respinga nas eleições de 2016 e “desfaz qualquer possibilidade de aliança com o PT”. Dizem que, em São Paulo, Gabriel Chalita fica “mais desconfortável”, por ser aliado de Haddad.

Visitas à Folha José Goldemberg, presidente da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Carlos Eduardo Lins da Silva, consultor de comunicação.

José Carlos Martins, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) visitou ontem a Folha. Estava com Doca de Oliveira, assessora de comunicação.


TIROTEIO

Não é factível, é factoide. Mais uma ação diversionista para esconder a inação da administração de Haddad.

DO VEREADOR ANDREA MATARAZZO (PSDB), sobre a proposta do prefeito Fernando Haddad de realizar eleições para a escolha de subprefeitos.


CONTRAPONTO

Fila preferencial

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Em meio à confusão no plenário da Câmara que marcou, nesta terça-feira, a sessão que elegeu a chapa oposicionista para controlar a comissão que analisará o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, os deputados Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) e Sérgio Reis (PRB-SP) aguardavam para votar.

Hauly se aproximou, então, de um dos seguranças:
–Tem fila para idoso?
Com a negativa, o tucano brincou com o colega:
–Vai exigir o estatuto do idoso?