Governo organiza plano de combate para derrotar impeachment

Por Painel

Blitzkrieg O governo começa a construir seu plano de combate para derrotar o pedido de deposição. Dilma Rousseff atuará pessoalmente para atrair o apoio de pesos pesados do PIB. Lula ficará responsável pela “infantaria”, buscando a adesão das ruas. Ministros políticos tentarão desorganizar a base de Eduardo Cunha, trabalhando para herdá-la caso o presidente da Câmara caia antes de o impeachment ser votado em plenário. O Planalto corre e tenta resolver tudo tal qual uma guerra-relâmpago.

Preparar Eduardo Cunha cospe fogo quando fala de Jaques Wagner. Acha que o ministro da Casa Civil prometeu os votos do PT para salvá-lo no Conselho de Ética, mas não os entregou.

Apontar Cunha promete revelar, “no momento certo”, os detalhes das três últimas conversas que manteve com o homem forte do governo Dilma antes de anunciar o impeachment.

Fogo “Quero ver desmentir. As três foram barganha”, tem alegado o peemedebista.

Abre o olho A ala do PMDB ansiosa pela deposição de Dilma iniciou um “road show” pelo país organizando uma frente de governadores a favor da troca de guarda no Palácio do Planalto.

I’m back Joaquim Levy voltou a ser dono do próprio nariz. Até pouco tempo atrás, sua saída –ainda que voluntária– seria encarada como demissão. Agora, com o calvário de Dilma, o governo tornou a depender mais do ministro do que o contrário.

Online O PC do B decidiu “atuar nas ruas, nas redes e na Justiça a favor da presidente”. Também definiu os nomes dos deputados que integrarão a comissão especial que analisará o impeachment na Câmara. Jandira Feghali (RJ) será a titular e Orlando Silva (SP), o suplente.

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Zen Na carceragem em Curitiba, o ex-ministro José Dirceu ganhou o apelido de “guia espiritual”. Entre os presos da Lava Jato, ele é apontado como o mais sereno e centrado de todos.

O último a sair… A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) descredenciou, este ano, sem explicação, cerca de 1,5 milhão de famílias do programa da Tarifa Social de energia.

… apaga a luz? Segundo relatório da agência enviado à Câmara, na validação de cadastro deste ano, 3,2 milhões de famílias foram descredenciadas porque tinham algum tipo de erro cadastral ou porque já não se enquadravam mais nos critérios de renda.

Liga de novo Procurada, a Aneel diz que passou a analisar o cadastro com mais rigor a partir de 2014. “Se uma família deixou de receber o benefício, e retornar aos critérios estabelecidos, pode solicitar nova concessão.”

Melhor não O governador Geraldo Alckmin tem dito a interlocutores que não vê mais possibilidade de lançar seu secretário de Segurança, Alexandre de Moraes, a prefeito de São Paulo. Segundo ele, seria muito difícil convencer o PSDB a aceitar um “cristão novo”.

Jogo duplo Há cerca de 20 dias, quando se intensificaram as manifestações contra a reorganização escolar, Herman Voorwald passou a pedir que o núcleo duro do governo convencesse Alckmin a voltar atrás, embora na frente do governador defendesse a proposta.

Vai que é sua Com a demissão de Voolward, o governador pode jogar o fracasso do processo no colo do secretário. Auxiliares de Alckmin dizem que o governo “vira a página” e deixa de “disputar espaço no noticiário com o impeachment de Dilma”.

Na parede Após vir à tona o acordo entre Romário e Eduardo Paes em torno da candidatura de Pedro Paulo a prefeito do Rio, a direção do PSB cobrou que o senador assuma “de forma clara e definitiva que é candidato”.


TIROTEIO

Esta postura não cabe na biografia do vice-presidente. Num momento como este, flertar com o impeachment não condiz com ele.

DE EDINHO SILVA, ministro da Comunicação Social, sobre a suposta participação de Michel Temer em um complô para tirar Dilma Rousseff do governo.


CONTRAPONTO

Pior que lá 

Em uma conversa reservada com alguns empresários no gabinete do Paulo Skaf, antes do almoço organizado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na última sexta-feira, o presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, perguntou aos convivas:
–Quais são as consequências da demissão do ministro do PMDB? –indagou, referindo-se a Eliseu Padilha.
Ouviu que o caso tem seu peso porque, afinal, Padilha é muito ligado ao vice-presidente Michel Temer.
–Todo dia tem uma notícia ruim por aqui –disse o líder argentino, entre abismado e curioso com os desdobramentos da crise política no Brasil.