PMDB avalia que Padilha vai para ‘exército inimigo’ em prol de Temer

Por Painel

Contenção de danos Peemedebistas prometem, por ora, não seguir Eliseu Padilha (Aviação Civil) na entrega dos cargos de primeiro escalão. Avaliam que a saída do principal aliado de Michel Temer é um sinal claro de que o ministro se alistou no “exército inimigo” para pavimentar o impeachment em prol do vice. O governo tenta evitar o êxodo do PMDB porque sabe que uma debandada agora alimentaria a ideia de isolamento. Dilma Rousseff já não pode se dar ao luxo de posar sozinha nas fotografias oficiais.

Preto ou branco Na reunião com ministros na quinta, Dilma fez um chamado duro aos inquilinos da Esplanada: “Não existe ser governo e ser a favor do impeachment”.

Sem saída Apesar da bronca, o governo ficou irritadíssimo, mas se viu sem reação diante da decisão do PRB, que controla o Ministério do Esporte, de não assinar o manifesto contra a deposição.

Sem sossego A oposição vai operar para que Renan Calheiros convoque o Congresso durante o recesso com pauta definida: a votação das chamadas pedaladas de 2014.

Espertinhos O objetivo é aprovar o parecer do Tribunal de Contas da União para, então, reforçar os argumentos a favor do impeachment quando este for a plenário.

Na coxia O Planalto vê o afastamento de Temer em três atos: a ausência do vice no pronunciamento de Dilma na quarta, sua falta na reunião do dia seguinte e a saída de Padilha do ministério.

Olha aí 1 Chegou às mãos de Leonardo Picciani (RJ) sugestão de nomes do PMDB para compor a ala oposicionista da bancada da sigla na comissão do impeachment.

Olha aí 2 Manoel Júnior (PB), Lúcio Vieira Lima (BA), Carlos Marun (MS) e Laudivio Carvalho (MG) figuram entre os nomes pelos quais Eduardo Cunha tem simpatia, mas de quem o Palácio do Planalto quer distância.

Guerrilha A oposição prepara painéis com os nomes de deputados contrários ao impeachment para afixar em suas bases eleitorais.

Tudo ou nada Antes de o Planalto tomar a decisão de liberar os votos do PT no Conselho de Ética, um dos ministros do núcleo duro de Dilma desabafou com a seguinte frase: “Melhor um fim trágico do que uma tragédia sem fim”.

Corrida Tão logo Cunha acatou o pedido de impeachment, o PRB definiu seus nomes na comissão: os titulares serão Vinicius Carvalho (SP) e Jhonatan de Jesus (RR). Os suplentes serão Cleber Verde (MA) e Ronaldo Martins (CE).

Quiz Carvalho, aliás, publicou enquete no Facebook pedindo a opinião dos seguidores sobre a deposição. A maioria se manifestou a favor.

Combinado Na reunião da Executiva do PT, movimentos sociais e centrais sindicais como MST, CMP e CUT disseram à direção do partido que vão às ruas em defesa da presidente, mas não abrem mão de levantar bandeiras contra o ajuste fiscal.

No horizonte“Não basta salvar o mandato de Dilma, temos que salvar o governo”, sustenta um dos líderes.

No peito Quando Herman Voorwald levou a proposta da reorganização escolar à cúpula do governo Alckmin, auxiliares do governador defenderam que, antes de ser implementada, fosse feito um período de experiência em uma única escola. Mas o secretário bateu o pé.

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Procura-se Alckmin considerou a gota d’água o fato de o secretário ter “sumido” por três dias na semana passada para fazer exames sem avisá-lo.

Visita à Folha O deputado federal Fausto Pinato (PRB-SP) visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Cláudio Camargo, diretor da ExLibris Comunicação Integrada, e Julio Moreira, assessor de imprensa.


TIROTEIO

O Brasil é um gato de sete fôlegos e vai sair deste momento. Não sei como, nem quando. Mas não será com um salvador da pátria.

DE FREI BETTO, escritor e assessor especial de Lula no início do mandato, sobre a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.


CONTRAPONTO

Leitura dinâmica 

As três horas que Beto Mansur (PRB-SP) gastou para ler o processo de impeachment de Dilma Rousseff na Câmara na quinta não foram suas primeiras dedicadas ao ofício: também coube a ele comunicar aos deputados a mensagem da presidente na abertura do ano legislativo.
À ocasião, ele se queixou do tamanho do texto e ouviu uma brincadeira de Aloizio Mercadante, então chefe da Casa Civil, que acompanhava a cerimônia:
–Por que não pulou umas páginas?–questionou o ministro petista.
Mansur devolveu a provocação:
–E por que vocês não mandaram um texto menor?