Dilma entra em campo para salvar meta fiscal e desmobilizar impeachment

Por Painel

Cartada final A poucas horas da decisão que pode culminar com um processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o Palácio do Planalto ainda não sabia “ler” o adversário. No escuro em relação aos próximos passos de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ministros petistas se preparavam para o pior na semana mais decisiva do ano até agora. A presidente da República precisou entrar em campo para garantir, de um lado, a aprovação da nova meta fiscal e, de outro, o seu próprio pescoço.

Cara a cara Com a dupla missão, Dilma chamará nesta terça cada um de seus ministros políticos e ainda fará pessoalmente reunião com líderes da Câmara e do Senado.

Discórdia Ainda na expectativa de que os petistas votem com Cunha no Conselho de Ética, o Planalto segue irritado com a nota de Rui Falcão sobre Delcídio do Amaral (PT-MS). Acha que ela inibe os deputados que podem salvar Cunha e aumenta a desconfiança do peemedebista.

Cavalo da chuva Cunha, a propósito, não abrirá o processo de deposição da presidente da República nesta terça-feira.

Prato frio O chefe da Câmara só deve mexer no vespeiro do impeachment nos dias seguintes. Não quer parecer revanchista. Mas já contabilizava os três votos do PT no Conselho de Ética como contrários a ele.

Bancarrota Cunha, aliás, avaliava, em conversas reservadas, a situação de André Esteves: “Quebraram o cara. Agora vão quebrar o banco.”

Zelotes Investigadores rastrearam outras seis medidas provisórias que serviram aos interesses de lobistas e empresas privadas, entre elas do setor automotivo.

Homem ao mar O governo também quer se livrar do fardo chamado Delcídio, mas desde que sua digital não apareça. A tolerância de Dilma em relação ao senador se esgotou quando este declarou que ela participou da indicação de Nestor Cerveró.

Estilingue Vem aí mais uma campanha do PT contra Joaquim Levy. O partido defenderá o deficit zero para 2016, enquanto o titular da Fazenda insiste em manter a meta de superavit primário de 0,7% do PIB. “As agências de risco não são bobas, sabem que é impossível cumprir”, diz um dirigente.

Primeirão Suplentes do deputado Julio Delgado (PSB-MG) no Conselho de Ética devem apostar corrida para marcar presença na reunião desta terça. O primeiro que aparecer participa da votação. Eliziane Gama (Rede-MA) e Bebeto Galvão (PSB-BA) disputam a vaga.

Espírito… Apesar do movimento contrário à recondução de Aroldo Cedraz à presidência do TCU, ministros do tribunal defendem sua permanência.

… de corpo O entendimento é o de que Cedraz tem de ser reeleito e, caso seja provada a existência de tráfico de influência em benefício de seu filho, aí, sim, terá de ser afastado.

Bola na rede O senador Romário (PSB-RJ) pretende votar na CPI do Futebol desta terça cerca de 20 pedidos de quebra de sigilo, dentre eles o de Carolina Galan, a ex-namorada de Marco Polo Del Nero, presidente da CBF.

Ausentes Senadores que compõe a comissão têm se articulado para esvaziar as reuniões. As duas últimas foram adiadas por falta de quorum.

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Mudas No que tem chamado de “resposta” à tragédia de Mariana, o governador Fernando Pimentel (MG) quer plantar 30 milhões de árvores em três anos. O investimento é de R$ 393 milhões.

Outro lado O prefeito Fernando Haddad tem dito nos bastidores que não autorizou ninguém a negociar, em seu nome, alianças com o PSD de Gilberto Kassab para as eleições de 2016.


TIROTEIO

Infeliz foi o senador que ficou parado no trânsito e na chuva. Serra poderia ter ido de metrô ao seu compromisso na Paulista.

DE PAULO FIORILO, presidente do PT paulistano, sobre José Serra dizer que os paulistanos são “infelizes ao quadrado” ao criticar fechamento da Paulista.


CONTRAPONTO

Natureza em fúria

Uma semana antes de embarcar para a COP 21, em Paris, a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) apresentou dados do desmatamento no cerrado.
Durante sua fala, a ministra elogiou os recursos tecnológicos que mapearam a área e revelaram que quase metade do bioma já foi desmatada.
—Daqui a pouco vamos soltar um espirro e o satélite vai falar: “Saúde!” —brincou.
Embora a tecnologia tenha avançado, Izabella ponderou que a divulgação dos resultados ainda é motivo de idas e vindas do trabalho dos técnicos.
—Até eles liberem a divulgação, já tive uns dez ataques!