Decisão do STF de prorrogar prisão fez ‘evaporar poder’ de André Esteves

Por Painel

Caindo por terra A decisão do ministro Teori Zavascki, do STF, de manter André Esteves preso por tempo indeterminado fez evaporar no mundo político e empresarial a tese de que o dono do BTG teria poder suficiente para passar poucos dias encarcerado. Investigadores da Lava Jato já diziam, desde as primeiras horas da detenção do banqueiro, que a situação de Esteves, ao longo dos dias, “se mostraria muito difícil”. Decretada a preventiva, já se diz que ele pode “passar um bom tempo” na cadeia.

Relações perigosas No pedido enviado a Zavascki, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aponta para uma relação entre o banqueiro e José Carlos Bumlai. Diz que o BTG fez negócios “altamente improváveis e escassamente explicáveis” com os filhos do pecuarista.

No radar O pedido afirma ainda que a participação de Esteves na Lava Jato já vinha sendo investigada pela força-tarefa do Ministério Público em Curitiba, tendo como foco tanto a relação do BTG com Bumlai como com a Petrobras.

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Corrida Depois das prisões da semana passada, o que se tem dito nos corredores do Congresso é que, a partir de agora, foi dada a largada sobre qual será a primeira delação a vir a público: a de Bumlai ou a de Delcídio.

Acelara Geraldo Alckmin, até então a voz mais cautelosa do PSDB em relação ao impeachment de Dilma Rousseff, passou a defender que “se acelere um desfecho” para a crise. “O país não aguenta nem pode mais esperar tanta indefinição”, tem dito o governador paulista.

Veja bem Alckmin, que via como “precipitada” a discussão sobre a deposição, mantém a tese de que a Constituição deve ser respeitada, mas já não trata como remota a possibilidade de Dilma ter cometido crime de responsabilidade.

Esclarece O governador diz que nunca foi contra o impeachment, mas passou a admitir nos bastidores que “não estava se fazendo entender”.

Além-mar Em suas investidas fora de São Paulo, Geraldo Alckmin desembarca em Brasília no dia 11 para inaugurar a sede do governo paulista na capital federal. O escritório, subordinado à Casa Civil, será comandado por Julio Semeghini.

Périplo O deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) esteve há alguns dias com Alckmin para pedir que o governador apoie seu nome para a sucessão da liderança do partido na Câmara.

Deixa estar Embora parte da bancada do PC do B defenda publicamente o processo pela cassação de Eduardo Cunha no Conselho de Ética, o partido não se juntará à obstrução conjunta contra o presidente da Câmara.

No recuo O partido atendeu pedido do Planalto para que a base não entrasse em obstrução. A avaliação é que, além de prejudicar o andamento das pautas do governo, atacar formalmente Cunha fragiliza ainda mais a presidente Dilma Rousseff.

Lá na frente Interlocutores do prefeito Fernando Haddad almoçaram com Gilberto Kassab para discutir um possível apoio do PSD ao PT nas eleições do ano que vem. Kassab disse que ainda era cedo para definições e pediu que voltassem a se falar no início de 2016.

Nem em sonho Quem conhece o ministro das Cidades diz, no entanto, que as chances de o PSD selar uma aliança com Haddad são remotas. O prefeito, afirmam interlocutores de Kassab, não teria sido muito “gentil” à gestão que o antecedeu.

De onde vem As escolas privadas de Direito assumiram o papel de celeiro de grandes advogados. A edição 2015 do anuário “Análise Advocacia 500” mostra que 52% dos profissionais mais votados se formaram em escolas particulares.


TIROTEIO

A prisão de Delcídio antecipa 2016 e abre a temporada de ações do Supremo contra os políticos envolvidos na Lava Jato.

DO DEPUTADO SILVIO TORRES (PSDB-SP), sobre a Lava Jato chegar aos que têm foro privilegiado e as consequências sobre as eleições municipais.


CONTRAPONTO

Rebobinando a fita

Em julho, em entrevista ao jornal “A Crítica”, de Campo Grande (MS), Delcídio do Amaral explicava porquê, em meio à crise, aceitou ser líder do governo no Senado.
–Companheiro é companheiro. Nas horas boas e nas difíceis. O governo está passando por uma crise, mas tem condições de suplantá-la. A gente aprende na crise.
Mais à frente, o senador afirmou:
–Temos que ser zelosos com o dinheiro público. O povo não é bobo e sabe muito bem o que cada um fez. As medidas tomadas pelas instituições, pela legislação anticorrupção, estão dando resultado. Hoje aparece muito mais, antes ficava tudo no “escurinho do cinema”.