Dilma pede que ministros atuem para conter ataques de petistas a Levy

Por Painel

Basta! Preocupada com o forte ataque especulativo do PT e de movimentos sociais contra o ministro Joaquim Levy, a presidente Dilma Rousseff ordenou que alguns dos seus principais auxiliares transmitissem o seguinte recado ao Instituto Lula: parar com a carga contra a política econômica e contra o titular da Fazenda. É a primeira vez que Dilma emite sinal tão inequívoco de insatisfação em relação às pressões para que flexibilize alguns pontos centrais do ajuste fiscal promovido por Levy.

DDI Em visita à Suécia, Dilma disparou telefonemas para o Planalto. Conversou com o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, e outros auxiliares. Em algumas das ligações, mostrou irritação com o fato de Nelson Barbosa (Planejamento) ter dado uma palestra no Instituto Lula.

Passo à frente As críticas de Rui Falcão e de Lula a Levy têm como pano de fundo o temor dos petistas de que, com a manutenção da atual política econômica, Dilma não resista ao crescimento do desemprego que se avizinha.

Acúmulo Líderes do PT acham que a presidente precisa aproveitar o pouco do capital político que lhe resta para promover uma troca na Fazenda. Já a elite do mercado financeiro avalia que uma alteração dessa magnitude só poderia ocorrer quando Dilma recuperar alguma força.

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Lados opostos Levy e um de seus principais críticos dentro do PT, o senador Lindbergh Farias (RJ), sentaram lado a lado na sala de espera do Santos Dumont, no Rio. Cumprimentaram-se cordialmente, mas logo recorreram ao celular para não conversar.

Linha direta Irritadíssimo, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) também telefonou para Jaques Wagner. Reclamou da fala de Dilma a seu respeito.

Pegou mal Nem mesmo a cúpula do governo aprovou a declaração da presidente contra o peemedebista. Nas avaliações internas, Cunha pode permanecer por um bom tempo à frente da Câmara –e com a caneta do impeachment em punho.

No telhado O PMDB decidiu cancelar seu congresso marcado para novembro devido às incertezas quanto ao cenário do impeachment.

Versão pocket No lugar do evento que sinalizaria o rompimento da sigla com o governo Dilma, a legenda realizará apenas um encontro nacional da Fundação Ulysses Guimarães, entre os dias 17 e 18, para deliberar exclusivamente sobre o seu programa partidário.

Sem barulho A solenidade ficará restrita a dirigentes da sigla e da fundação. Não contará, portanto, com a presença de militantes, o que estava inicialmente previsto pelos organizadores.

Medo A realização do congresso nos moldes originais era vista como um péssimo sinal pelo mercado financeiro. Em um relatório obtido pela coluna, uma agência internacional de classificação de risco considerava que o rompimento era uma das variáveis para o rebaixamento da nota de crédito do Brasil.

De pai para filho Jorge Picciani, presidente da Assembleia do Rio e autoridade máxima do PMDB no Estado, foi a São Paulo nesta segunda sondar o vice Michel Temer sobre as chances de seu filho Leonardo Picciani, líder na Câmara, ser o nome do partido para o lugar de Cunha.

Verão passado A decisão do STF de barrar as emendas sem conexão com medidas provisórias não é a primeira na história do Congresso. Temer era presidente da Câmara quando proibiu os chamados “jabutis” aos projetos que tramitavam na Casa.

Quatro mãos Nas inserções que levará ao ar nesta terça, o DEM dirá que Dilma não é a única responsável pela crise. “O desmonte da economia foi feito a quatro mãos. Por ela e por Lula, seu chefe e criador”, afirma o líder no Senado, Ronaldo Caiado (GO).


TIROTEIO

O “fica Levy” de Dilma é uma pá de cal na possibilidade de recuperação desse governo. Responderemos nas ruas.

DE GUILHERME BOULOS, líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), sobre a presidente garantir a permanência de Joaquim Levy na Fazenda.


CONTRAPONTO

Vamos falar de coisa boa

Durante entrevista ao programa “Show Business”, comandado João Doria Jr. na Band, Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), fez críticas ao governo de Geraldo Alckmin.
–A questão da Segurança Pública em São Paulo, por exemplo, é de responsabilidade do Estado, é péssima e preocupa toda a população –disse Skaf, que em 2014 disputou com Alckmin a eleição para o governo paulista.
Doria, que é pré-candidato do PSDB a prefeito de São Paulo e busca o apoio do governador na disputa interna tucana, interrompeu seu convidado:
–Vamos focar aqui em economia.