Petistas preveem saída de Joaquim Levy do governo na virada do ano

Por Painel

Prazo de validade Ministros e petistas preveem a saída de Joaquim Levy da Fazenda na virada do ano. E, para evitar uma despedida traumática, desejam que ele obtenha ao menos uma vitória para chamar de sua. Nos cálculos internos, isso reduziria a possibilidade de Levy sair atirando. Apesar das pressões, Dilma Rousseff resiste a tirar seu chefe da equipe econômica. Até mesmo o ex-presidente Lula, que criticou publicamente o ajuste fiscal, não vê o desembarque, neste momento, como oportuno.

Preferido Por ora, nada indica que o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles seria o substituto de Joaquim Levy caso este deixe, de fato, o ministério.

Disparada O governo já mediu o impacto de uma saída do titular da Fazenda agora: o dólar chegaria rapidamente à marca de R$ 4,50.

Recuo Já o ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) avaliou, em encontro com líderes partidários nesta terça, que a cotação da moeda americana cairá para R$ 3,60 caso os vetos de Dilma sejam mantidos no Congresso.

Chiste Na reunião com Dilma no Alvorada, semana passada, Lula brincou sobre a extensão da reforma ministerial: “Só faltaram o Levy e o Cardozo (ministro da Justiça)”, disse ele, ironizando sobre a especulação de que defende a exoneração de ambos.

Tolerância zero Os movimentos de moradia ligados ao PT assinam carta aberta, que será divulgada em breve, em que pedem a destituição de Levy. Até o momento, apenas se posicionavam contra a política econômica.

Velhos… Ministros petistas avaliam que, a despeito da reforma ministerial, o “modus operandi” do governo ainda não mudou. O Planalto segue centralizando decisões e agindo por espasmos, sem avaliar os efeitos de seus passos.

… costumes Segundo essa ideia, a ofensiva do governo contra Augusto Nardes, relator das contas de Dilma no TCU, pode ter o efeito contrário. Lembram que, em tática semelhante, Eduardo Cunha ganhou projeção e, de quebra, a presidência da Câmara.

Ciúme Líderes de partidos da base, como PP, PTB e PRB, ajudaram o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a não dar quorum à sessão que analisaria vetos presidenciais. O argumento é de que apenas o PMDB fora contemplado com a nova distribuição de cargos.

(Des)conectado Celso Pansera (PMDB), novo ministro da Ciência e Tecnologia, garantia a colegas no plenário da Câmara que haveria votação dos vetos e que a lista dos oposicionistas no PMDB cairia de 22 para 15 deputados.

Nem vem Aliados de Renan Calheiros dizem que, quanto mais Cunha forçar para que o presidente do Senado paute a PEC do financiamento eleitoral, menos ele se empenhará para fazer o assunto andar. “Cunha não pautará o Congresso”, diz um peemedebista.

Jogos… Dentro da proposta de liberar jogos de azar no Brasil, o governo tentará regulamentar ao menos a modalidade online para poder cobrar impostos hoje recolhidos fora do país.

…de azar Outra medida vista como viável pelo Planalto é a que libera cassinos, desde que se instalem em locais distantes e de difícil acesso. Fala-se em concentrar as casas na Amazônia e no Nordeste –já apelidado de “Las Vegas brasileira”.

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Alalaô O Pixuleco, boneco inflável do ex-presidente Lula, ganhará marchinha de carnaval. O “Melô do Pixuleco” será lançado pelo Movimento Brasil Livre, no Rio.


TIROTEIO

Não aceitamos o aumento de carga tributária no país com a justificativa de que há no governo falta de verba para a Saúde.

DE CARLOS VITAL, presidente do Conselho Federal de Medicina, sobre o ministro Marcelo de Castro (Saúde) defender a CPMF permanente.


CONTRAPONTO

Tenho dito

Em reunião com líderes do Senado nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi cobrado novamente sobre alternativas à CPMF para engordar o caixa federal diante da queda na arrecadação.
–Pensaremos em qualquer outra coisa e faremos mais cortes –respondeu o ministro, sem perder de vista o discurso do ajuste fiscal.
Coube ao senador Blairo Maggi (PR-MT) rebater:
–Então é melhor o senhor preparar um plano B, porque aqui não vai passar — disse, provocando constrangimento ao ministro e aos colegas de Senado, que se apressaram em mudar de assunto.