Em encontro com Cunha, Dilma pede interlocução direta com peemedebista

Por Painel

Olhos nos olhos No encontro que teve, a seu pedido, com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nesta terça-feira, Dilma Rousseff sugeriu uma “interlocução direta” com o presidente da Câmara daqui para a frente. A aliados, o peemedebista disse que não pode evitar “um mínimo de convivência” com a presidente, mas que isso não significa que tenha recuado do rompimento com o governo. A aproximação chamou a atenção do grupo de Michel Temer, que viu um avanço de Dilma sobre funções que eram do vice.

Dublê de corpo Um cacique peemedebista ligado ao vice resume: “Ninguém sabe se o Temer quer o lugar dela, mas que ela quer o lugar do Temer, isso ela quer”.

Coador Um deputado de oposição perguntou a Cunha se o café do Planalto era gostoso. “Igual ao de todo lugar”, desconversou o presidente.

Água mole O ministro da Saúde, Arthur Chioro, marcou reunião com deputados nesta quarta-feira para tratar do financiamento da área. A agenda foi vista como sinal de que o governo não abandonou totalmente a ideia de um substituto à CPMF.

Novo recuo A presidente da Comissão de Orçamento, senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), diz que a equipe de Nelson Barbosa (Planejamento) deu sinais de que vai encaminhar um adendo ao Orçamento para zerar o deficit previsto na peça inicial.

Veja bem A assessoria do Banco Central diz que Alexandre Tombini não ameaçou deixar a presidência da instituição. A coluna informou na terça que ele fez chegar a Dilma preocupação com a possibilidade de que o BC perca o status de ministério.

Nota só Antes da reunião de terça com Dilma, líderes aliados brincaram que formariam uma banda com o ministro da Fazenda para tentar afinar as ações do governo: “Acadêmicos do Levy”.

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Trombone Domingos Neto (Pros-CE) seria o vocalista, Rogério Rosso (PSD-DF) tocaria baixo e Jandira Feghalli (PC do B-RJ), bateria.

Bênção O secretário Alexandre de Moraes (Segurança Pública) almoçou nesta terça com Temer, em Brasília, para comunicar sua saída do PMDB rumo ao PSDB, onde deve disputar as prévias para a Prefeitura de São Paulo.

2 em 1 Os partidos da base de Geraldo Alckmin –PPS, PSB, DEM e PV– fizeram chegar ao governador que ele tem de interferir no processo interno do PSDB para garantir que o candidato esteja alinhado com sua pré-candidatura a presidente em 2018.

Será? Na véspera da inscrição de João Doria Jr. nas prévias do PSDB, na semana passada, Alckmin esteve na casa do empresário num esforço para tentar demovê-lo da ideia de entrar na disputa interna do partido.

Mensageiro A defesa de Marcelo Odebrecht considerou positivo seu depoimento à CPI da Petrobras. Os advogados acreditam que o empresário conseguiu passar “recado” ao juiz Sergio Moro sobre cerceamento de defesa.

Holofotes Na avaliação da defesa, Odebrecht teria tirado o foco dos outros executivos da empresa e feito um contraponto à imagem de José Dirceu, que apareceu abatido diante da comissão.

Revanche A UJS (União da Juventude Socialista), grupo a que pertence a militante que “esfaqueou” o boneco inflável de Lula vestido de presidiário, planeja novo ataque.

Arma Integrantes do movimento passaram os últimos dias procurando zarabatanas para tentar atingi-lo de longe.

Visita à Folha Rodrigo Xavier, CEO do Bank of America Merrill Lynch no Brasil, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de David Beker, economista-chefe para o Brasil, e de Vaguinaldo Marinheiro, jornalista.


TIROTEIO

Dilma renunciou à política econômica, à articulação política, à agenda. Agora, ao Orçamento. É a renúncia lenta e gradual.

DO DEPUTADO SILVIO TORRES (SP), secretário-geral do PSDB, sobre a presidente ter enviado ao Congresso previsão de deficit de R$ 31 bi para 2016.


CONTRAPONTO

Meritocracia às avessas

No lançamento do Renave –sistema para simplificar a venda de carros usados no país–, nesta segunda-feira, em São Paulo, o ministro Guilherme Afif (Micro e Pequena Empresa) falava aos empresários do setor automotivo:
–No setor privado, a gente aprende errando. No público, não há espaço para erros e criatividade.
Ainda comparando as duas esferas, prosseguiu:
–No setor público, quem faz mais tem mais chance de errar; quem faz menos tem menos chance de errar, e quem não faz nada não vai errar nunca.
E concluiu, para gargalhada geral:
–E são exatamente eles os que são promovidos!