Para Cunha, ausência de petistas em denúncia de Janot é prova de acordão

Por Painel

Céu sem estrelas Eduardo Cunha (PMDB-RJ) conta com a ausência de petistas na primeira leva de denunciados de Rodrigo Janot para ajudar a sustentar o discurso de que foi escolhido como alvo preferencial num “acordão” entre Dilma Rousseff, o Ministério Público e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na reunião com aliados, o presidente da Câmara citou os senadores petistas Gleisi Hoffmann (PR) e Lindbergh Farias (RJ), cujos inquéritos não teriam andado na mesma velocidade que o dele.

No fogo A primeira fornada de denúncias de Janot não deve incluir o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ao contrário do que se cogitou.

Na bandeja Já a peça pedindo abertura de ação penal contra o também senador e ex-presidente Fernando Collor está pronta.

Colaterais Depois das primeiras denúncias, o procurador-geral da República pode mandar para o STF nos próximos dias alguns arquivamentos de inquéritos e novos indiciamentos de autoridades com foro privilegiado.

Faroeste A tropa do presidente da Câmara chegou a defender que ele abrisse ainda nesta quarta-feira a comissão para analisar o pedido de impeachment de Dilma. “É melhor atirar antes de tomar o tiro”, disse um peemedebista.

Bom tamanho A PGR considerou que há tantas evidências para denunciar Cunha que decidiu nem esperar o depoimento de sua chefe de gabinete, na segunda-feira.

Estrelando Cunha gravou como um dos protagonistas das inserções que o PMDB levará à TV no início de setembro. Irá ao ar mesmo com a denúncia.

O PMDB fica A propaganda –que terá ainda falas de Michel Temer e Renan– dirá que governos passam, mas “o Brasil permanece”, e que o país é maior e “mais importante” que qualquer governo.

O reunificador Os comerciais vão mostrar o partido do vice-presidente como o fiel da balança para superar a crise. Será um contraponto aos spots de PSDB e PT, que, para peemebebistas, dividiram ainda mais a população.

Tríade Embora tenham gravado separadamente nesta quarta-feira, em Brasília, Temer, Renan e Cunha aparecerão em imagens alternadas, como num jogral.

Comboio Os organizadores do ato em defesa do governo e contra o impeachment desta quinta-feira esperam que 350 ônibus saiam das cidades da Grande São Paulo rumo ao Largo da Batata.

Tropa Calculam que pelo menos 15 mil pessoas desembarquem na capital paulista.

Expediente Secretários da Prefeitura de São Paulo como Alexandre Padilha (Relações Governamentais) e Eduardo Suplicy (Direitos Humanos) confirmaram presença na manifestação.

Bússola Reunidos nesta quarta-feira, líderes da oposição cobraram do PSDB uma postura unificada e clara sobre o desfecho que prefere para a crise. Jogam na conta da divisão dos tucanos o respiro que o governo teve.

Bloquinho O grupo, que inclui DEM, PPS, PSC e SDD, prepara uma carta conjunta com os tucanos defendendo a saída da presidente.

Conta-gotas Em reunião com líderes no início da semana, Eliseu Padilha (Aviação Civil) disse ter acertado com Joaquim Levy (Fazenda) a liberação de R$ 500 milhões em emendas para os próximos dias, inclusive para novos deputados.

O estrangeiro A reunião de Fernando Haddad (PT) com vereadores do PMDB para barrar uma possível candidatura de Marta Suplicy irritou a direção estadual do partido. Disseram o prefeito estaria “se intrometendo” em questões internas.

Apelos A ida de José Américo (PT) para a coordenação política de Haddad atendeu a reivindicação dos vereadores petistas, que reclamavam de falta de espaço no governo.

Antiqueda José de Filippi Jr., que deixa a Secretaria de Saúde, ficará, sem prazo definido, como assessor do sucessor, Alexandre Padilha.


TIROTEIO

Nas inserções em que convoca para seus atos, o PT esconde a presidente Dilma, disfarça a estrela no canto da tela e abre mão do futuro.

DO SENADOR AÉCIO NEVES, presidente do PSDB, sobre propagandas em que o PT conclama apoiadores a participar de manifestações contra impeachment.


CONTRAPONTO

Cantei, mas não traguei

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Durante o julgamento da descriminalização do porte de drogas para consumo próprio no Supremo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendia a manutenção da Lei Antidrogas da maneira como está escrita.
Na argumentação, Janot citou a música “Lucy in the Sky with Diamonds”, dos Beatles, cujo título forma um acrônimo para LSD.
–É uma música da minha época, cantei muito essa música –, disse o procurador-geral, que tem 58 anos.
–Mas nem por isso eu fiz uso –, defendeu-se.