Planalto celebra que convocação do PSDB não tenha inflado manifestações

Por Painel

Meio cheio Ao chegar ao Palácio da Alvorada no fim da tarde de domingo, auxiliares de Dilma Rousseff buscavam alento no fato de que a convocação feita pelo PSDB para os protestos não conseguiu inflá-los. Citando a queda de adesão em São Paulo e Rio, governistas ensaiavam o discurso de que o “povo não é massa de manobra” e rejeita a “partidarização” dos atos. Fora do discurso otimista, preocupou o governo o fato de os atos no Nordeste, notadamente em Salvador, terem sido significativos.

Olha ele O que mais chamou a atenção da oposição nos atos foi a unanimidade do apoio ao juiz federal Sergio Moro, que ofuscou todos os líderes partidários, inclusive Aécio Neves (PSDB-MG).

Para já Os tucanos querem usar a “celeridade” do magistrado na condução das investigações para pressionar Rodrigo Janot a apresentar logo as denúncias da Lava Jato.

Questão interna Ainda assim, a presença de Aécio no ato preocupou aliados de Geraldo Alckmin. Acham que o mineiro conseguiu se posicionar para tentar maior proximidade com os movimentos.

Pari passu Por isso, o paulista será instado pelo círculo mais próximo a também buscar contato. “Vai ser difícil manter a posição de mero observador”, diz um auxiliar.

Cristal quebrado Congressistas de DEM e PSDB comemoravam o fato de o ex-presidente Lula ter sido foco dos protestos também no Nordeste. Diziam que a Lava Jato fez com que o petista perdesse a condição de intocável que detinha na região.

Inflamável Deputados insatisfeitos com a aproximação de Dilma com o Senado celebraram o tamanho dos atos. Dizem que eles mostraram que a “Agenda Renan” não foi suficiente para apaziguar as ruas. O clima na Casa deve permanecer instável.

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Espelho meu Faixa empunhada por família na avenida Paulista usava expressão criada na campanha pelo PT para atacar a presidente: “Dilmãe virou Dilmadrasta”.

Saudando… Levantamento do Twitter até as 17h de domingo mostra que, dos cinco termos mais usados sobre as manifestações, um é favorável ao governo (#CarnaCoxinha) e quatro, contrários.

… a coxinha A expressão divulgada pelo PT teve 81.765 menções. A soma dos termos contra a petista (#protesto, #foraDilma e #vemprarua) atingiu 154.992 menções.

Forfait O Vem Pra Rua esperava a presença de Hélio Bicudo nos atos. Gripado, o fundador do PT não foi, mas mandou bilhete dizendo que o sistema democrático foi deixado de lado pelo governo.

Bate-pronto Prefeitos petistas da Grande São Paulo se engajaram no ato do dia 20. Não vão medir esforços para a resposta às manifestações contra Dilma deste domingo.

Perseverança 1 Aliados de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) planejam desgastar a presidente da Comissão Mista de Orçamento, senadora Rose de Freitas (PMDB-ES). Ela promete analisar sem afobamento os pareceres sobre contas presidenciais que forem enviados ao colegiado.

Perseverança 2 Os deputados querem esvaziar os trabalhos da CMO para tentar tirá-la do cargo —e agilizar a análise das contas de Dilma assim que elas forem julgadas pelo Tribunal de Contas.

Olha… Um dia depois de Marta Suplicy selar sua filiação ao PMDB, Gilberto Kassab reuniu as principais lideranças do PSD na capital em um almoço em seu apartamento, no sábado, para lançar a pré-candidatura do sindicalista Ricardo Patah.

… eu aqui Apesar do ceticismo quanto à intenção de Kassab de levar a candidatura própria até o fim, há quem avalie que o ex-prefeito precisa de um porta-voz para defender sua gestão, desconstruída por Fernando Haddad.


TIROTEIO

Ao propor uma agenda com temas que ele achava tacanhos, Renan coloca a digital do Congresso na perda de credibilidade de Dilma.

DO SENADOR JOSÉ AGRIPINO (DEM-RN), presidente do partido, sobre a ‘Agenda Brasil’, apresentada por Renan Calheiros (PMDB-AL) ao Planalto.


CONTRAPONTO

Perdendo ‘em casa’

No carro de som do MBL (Movimento Brasil Livre), em frente ao Masp, na avenida Paulista, jovens se revezaram gritando palavras de ordem e entoando jingle contra Dilma Rousseff e o PT.

Renan Santos, um dos líderes do MBL, comandava o público como um puxador de samba:

—Olê, olê, olê, fora PT! Agora o lado direito!

Em seguida, evocou a claque do lado esquerdo, que foi bem mais ruidosa. Em tom de brincadeira, o jovem provocou o lado direito, brincando com a matriz ideológica do próprio movimento:

—Ah, não! Vocês não vão perder de novo para a esquerda, né?