Temer tenta quebrar isolamento de Cunha e reaproximá-lo do governo

Por Painel

O pacificador Preocupado com a reação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à tentativa do governo de isolá-lo, o vice-presidente Michel Temer convidou o presidente da Câmara para uma reunião com ele e o comandante do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para discutir a Agenda Brasil. O encontro deve ser na segunda-feira. “O governo tem de reunificar o país para superar a crise. Nosso primeiro desafio é unir Senado e Câmara para encontrar saídas para retomar o crescimento”, disse Temer à coluna.

2 + 2 Organizadores das manifestações denunciarão nos carros de som no domingo a costura de um “acordão” para fritar Cunha e manter a presidente no poder.

= 5 Para os ativistas, o prazo dado pelo TCU a Dilma foi jogo combinado para dar tempo de o procurador-geral Rodrigo Janot denunciar o presidente da Câmara e melar o impeachment.

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A tiracolo O MBL mudou o lema dos atos para “Fora Dilma, e leve o Renan com você”. “Como o presidente do Senado quer ficar ao lado de alguém que queremos derrubar, que saia com ela”, disse Renan Santos, um dos líderes.

Dedo duro O grupo vai distribuir nos atos lista de deputados que estariam indecisos em votar sim ou não em caso de impeachment. PR e PRB encabeçam a relação.

Veterano Aliados de Renan dizem que ele está calejado com protestos e que, se for alvo no domingo, será uma “vaia colateral”. “Não é a mesma coisa que o ‘Fora Renan’ de 2013”, diz um amigo.

Mira Já ministros do TCU receiam ser alvo das ruas. Já estão recebendo centenas de mensagens pedindo a rejeição das contas de Dilma.

Civil OAB e as confederações nacionais da Indústria, dos Transportes, da Agricultura e Pecuária publicarão carta na quarta-feira com críticas a crises “ética, política e econômica”. O tom dependerá do tamanho dos atos. Nesta quinta, alguns dirigentes defenderam o impeachment.

UTI 1 O prefeito Fernando Haddad decidiu demitir José de Filippi Jr. da Secretaria de Saúde. O novo secretário será Alexandre Padilha, hoje nas Relações Governamentais e que foi ministro da Saúde no primeiro governo Dilma.

UTI 2 Haddad considera a Saúde a pior área do governo e já queria ter demitido Filippi antes, mas adiou a troca quando o petista, ex-tesoureiro da campanha de Dilma em 2010, foi citado na Lava Jato, para não queimá-lo.

Embaixador Júlio Semeghini será o novo representante do governo de São Paulo em Brasília. O cargo, subordinado à Casa Civil, vai coordenar a negociação de empréstimos, convênios com a União e projetos de interesse da gestão no Congresso.

Holofotes Após Alckmin cobrar mais exposição do secretariado, Alexandre de Moraes (Segurança), apontado como pré-candidato a prefeito, passou a concentrar entrevistas da pasta, ofuscando o comandante da PM e o delegado-geral da Polícia Civil.

Visita à Folha Robson Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava com José Augusto Fernandes, diretor de política e estratégia, e Carlos Barreiros, diretor de comunicação.

O general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado dos generais João Camilo Campos, comandante militar do Sudeste, Mauro Cesar Cid, futuro comandante do Sudeste, e Otavio do Rêgo Barros, chefe de comunicação social.

Orlando Marques, presidente da Abap (Associação Brasileira das Agências de Publicidade), visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Andreza Taglietti, assessora de imprensa.


TIROTEIO

O PDT está indo para o caminho errado. Prefere ir atrás de carguinhos ao invés de oferecer um verdadeiro projeto de país.

DE JOSÉ ANTONIO REGUFFE (PDT-DF), senador, sobre Carlos Lupi, presidente do partido, reconsiderar o rompimento com o governo após apelo de Dilma.


CONTRAPONTO

Estranho no ninho

Na última terça-feira, um dia depois de apresentar a Dilma Rousseff a Agenda Brasil, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), convocou uma reunião de líderes da Casa para discutir a reforma política.
O empenho no tema faz parte da estratégia do peemedebista para ajudar o governo a sair da crise de governabilidade e evitar as pautas-bombas da Câmara.
Ao chegar atrasado para a reunião, Ronaldo Caiado (DEM-GO) levou um susto ao constatar que havia apenas parlamentares governistas.
Cumprimentou todos e brincou, antes de sair da sala:
–Já que cheguei atrasado, finjam que eu nem vim!