Governo teme que juro mais alto aprofunde recessão

Por Painel

Medo dos juros Integrantes do governo temem que o Banco Central seja “duro demais” e aumente a Selic em meio ponto percentual na semana que vem, aprofundando o cenário de recessão econômica. Bancos públicos e privados também estão preocupados com os sinais de elevação da taxa de juros para além do desejável e preveem redução ainda maior da oferta de crédito para o consumo. Nas avaliações internas, o governo está fraco e perdeu muita influência sobre as decisões do BC.

Corda solta No passado, a presidente Dilma Rousseff costumava cobrar de forma enfática um alinhamento maior do banco com sua política macroeconômica.

Frustração Até a redução da meta do superavit primário, anunciada na quarta, o mercado e o Executivo apostavam ou no aumento de 0,25 ponto percentual ou na manutenção da Selic no patamar atual de 13,75% ao ano.

Choque Diante da surpresa, as projeções passaram a contemplar uma alta de 0,5 ponto percentual. O próprio Banco Central, que trabalhava com um cenário de aperto fiscal bem maior até 2017, foi pego de surpresa com a queda abrupta do superavit primário de 1,1% para 0,15% do PIB.

Prece “Do jeito que a coisa está, é para não ter aumento algum”, disse um importante auxiliar da presidente.

Vale… Líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS) começou a trabalhar para flexibilizar as regras de repatriação de ativos, em um esforço para construir consenso pela aprovação da medida bilionária no Congresso.

… tudo Seu texto deve apresentar uma proposta de redução da alíquota de 35% para casos excepcionais, como pagamentos à vista de valores repatriados. Também deve incluir regras mais duras para evitar a entrada de dinheiro sujo no país.

Tremelique Contando com cada centavo possível para engordar o franzino caixa federal, a equipe econômica tem calafrios quando ouve a expressão “flexibilizar”.

Via expressa O senador Romero Jucá (PMDB-RR) levou ao ministro Joaquim Levy (Fazenda) uma proposta para acelerar licenciamentos de PPPs e concessões. A ideia é impor prazo a órgãos como Funai e Iphan para que se manifestem sobre as obras.

Ação e reação O Palácio dos Bandeirantes decidiu atuar ostensivamente na operação que prendeu fiscais delatados pelo doleiro Alberto Youssef, por meio de sua corregedoria, com receio de que o governo fosse contaminado pela Operação Lava Jato.

No bolso Dois dos fiscais presos já fizeram contribuições para candidatos a deputado, do PSDB e do Solidariedade. As investigações, segundo o governo, não apontaram conexão política.

Radar Dados preliminares da Prefeitura de São Paulo indicam que a redução da velocidade máxima nas marginais tem sido positiva. Por ora, a tendência é de manutenção deste limite. Um balanço mais completo será apresentado em breve.

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Alô, criançada Um importante interlocutor de Fernando Haddad faz piada sobre a sondagem de rivais ao apresentador José Luiz Datena para que se candidate em 2016. “A gente está preocupado de o SBT liberar o Bozo.”

Visitas à Folha Luiz Fernando Pezão, governador do Rio de Janeiro, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Leonardo Espíndola, secretário-chefe da Casa Civil, Julio Cesar Carmo Bueno, secretário de Fazenda, Tânia Lazzoli, coordenadora de imprensa, e Fernanda Almeida, assessora especial.

Joaquim Levy, ministro da Fazenda, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Rodrigo de Almeida, assessor de imprensa.


TIROTEIO

Ao tomar iniciativas que favorecem seu amigo Cunha na CPI, Celso Pansera parece que, do passado, só conservou certa ousadia.

DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre o peemedebista, chamado de ‘pau mandado’ de Eduardo Cunha, ter militado no PSTU quando jovem.


CONTRAPONTO

Pravda

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, participava de uma entrevista no final da cúpula de centrais sindicais dos países que integram os Brics, na Rússia.

Na ocasião, um jornalista do “Pravda” quis saber sobre as manifestações de rua no Brasil contra o governo Dilma Rousseff, ao qual a Força se opõe.

—Os atos são democráticos e pressionam por mudanças —esquivou-se Torres.

—Mas o senhor considera as manifestações revolucionárias ou contra-revolucionárias? —insistiu o repórter.

Desconcertado, Torres encerrou o assunto:

—São por mudanças!