Para petistas, fragilidade do governo impediu blindagem de Cardozo em CPI

Por Painel

Vai tu mesmo Surpreendidos com a movimentação da cúpula da CPI da Petrobras na noite de quarta-feira para convocar o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), integrantes da articulação política do governo procuraram deputados do PT para tentar desmobilizar a manobra. Ouviram que, diante da fragilidade do Planalto, seria impossível barrar todas as convocações de petistas e que alguém seria sacrificado. Evitar a ida do ex-ministro José Dirceu, agora, era o que de melhor poderia ser feito.

Jogando em casa Integrantes da pasta tentaram reverter a convocação de Cardozo pouco antes do início da sessão de quinta. Ofereceram duas saídas: transformá-la em convite ou realizar uma audiência na sede do ministério, mas não houve acordo.

Carga total Apesar de não ter insistido na reunião desta quinta-feira, a cúpula da CPI não descartou a convocação dos ministros Edinho Silva (Secom) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).

Questão de tempo Integrantes do colegiado dizem que pressionarão pela aprovação dos pedidos nas próximas reuniões para discussão de requerimentos, em agosto.

Vem pra cá O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) reuniu-se nesta quinta, no Rio, com integrantes dos movimentos contra Dilma Rousseff, que planejam atos no dia 16 de agosto. A ideia é que os grupos abracem a tese de uma nova eleição, e não apenas a da saída da presidente.

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‌Blitz Um dirigente do PT explica o receio sobre a vontade da oposição em insistir no afastamento da presidente Dilma: “Eles estão igual a um guarda de trânsito: quando decide te aplicar uma multa, revira o carro até achar alguma coisa errada”, afirma.

Formiguinhas O secretário Eduardo Suplicy diz nunca ter jogado Ant Smasher —o aplicativo em que o usuário mata formigas sobre o qual tuitou na quarta-feira. “Minha assessora teve o iPad roubado”, explica. “A filha dela brincava com o jogo, como crianças costumam fazer.”

Contra tudo Na mesma decisão em que rejeitou os ataques feitos por Dilma aos delatores da Lava Jato, o juiz Sergio Moro rebate crítica de que existem muitos colaboradores na investigação. No início da semana, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, disse nunca ter visto “tanta delação premiada”.

Contra todos No despacho —em que defende a prisão de Marcelo Odebrecht—, Moro afirma que a crítica é inconsistente. “O número [de delatores] é, em realidade, pouco expressivo, sendo provavelmente explicado pela crença equivocada […] na impunidade”, escreve.

Patrimônio… Um mês após a deflagração da Lava Jato, em março do ano passado, Armando Furlan Junior, sócio de Fernando Baiano, abriu uma empresa em conjunto com o irmão do lobista, Gustavo —que tem uma procuração em nome do réu.

… em família A Manas Gestão está registrada na cidade de Ribeirão Pires (SP), no mesmo endereço em que a Technis, empresa que também tem Furlan Junior como sócio e recebeu pagamentos provenientes de propina, de acordo com a investigação do Ministério Público Federal.

Em segredo 1 Em 1970, os EUA tiveram acesso, por meio da DIA (Agência de Inteligência de Defesa), a um plano de sequestro a um embaixador e a uma lista de presos que deveriam ser trocados.

Em segredo 2 Não se sabia que os americanos possuíam o documento, que está também no arquivo do general Emílio Garrastazu Médici.

Troca No papel, liberado após a visita de Dilma aos EUA, há o nome da presidente como um dos que poderiam ser soltos. Sequestrado, o embaixador alemão Ehrenfried von Holleben foi solto em troca de 40 presos, mas Dilma ficou presa até 1972.


TIROTEIO

As transgressões são tantas e em tantos casos que é provável que o próprio ministro não saiba sobre qual assunto vai depor na CPI.

DE JOSÉ ANÍBAL (PSDB-SP), sobre a convocação de José Eduardo Cardozo, contra quem move uma ação por denunciação caluniosa no caso do cartel do Metrô.


CONTRAPONTO

Mãos ao alto

Na tramitação da medida provisória do futebol na Câmara, o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) foi um dos que apresentaram os chamados jabutis emendas que fogem ao tema da matéria. O texto defendido por Moreira alterava a lei de registro, porte e comércio de armas.

Durante as negociações para a aprovação do projeto, a proposta acabou descartada. O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, que acompanhava a sessão, comentou com o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), rubro-negro e relator da medida provisória:

—Tá certo que o futebol brasileiro carece de bons armadores, mas não é por aí…