Convenção expõe divisão entre Aécio, Alckmin e Serra sobre papel do PSDB

Por Painel

O que quer cada um A convenção do PSDB evidenciou que, apesar de comungarem da avaliação de que a permanência de Dilma Rousseff caminha para se tornar insustentável, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra divergem sobre o caminho que o partido deve seguir. Enquanto o senador mineiro e seu grupo defendem que a melhor alternativa seria a cassação da presidente e de seu vice, Michel Temer, pela Justiça Eleitoral, os paulistas preferem a saída em que o peemedebista assuma o Planalto.

Cautela Apesar do tom duríssimo adotado por Alckmin em seu discurso, o governador considera, segundo aliados, que a hipótese de cassação da presidente pelo TSE cheira a golpismo.

Caminhos Além disso, uma nova eleição, na qual Aécio largaria na frente pelo recall de 2014, não agrada ao governador, virtual pré-candidato da sigla em 2018.

Sou eu 1 O tom da fala de Alckmin, com críticas “estruturais” ao PT, foi traduzido por aliados como um movimento para se posicionar como ator nacional, com uma visão além de São Paulo.

Sou eu 2 O discurso de Serra em defesa do parlamentarismo foi lido por tucanos como um sinal de que o senador já acredita em um governo Temer e pensa em ser um ministro forte da nova coalizão.

Fumaça branca Do senador tucano Cássio Cunha Lima ao explicar por que acha que Dilma não resiste à crise: “Já são 18 delatores a acusar o PT. Se 18 cardeais fizerem delação, até o papa cai”.

Fla-Flu na rede A convenção tucana foi a estreia do partido no Periscope, a ferramenta do Twitter para transmitir vídeos ao vivo. A fala de Aécio recebeu 15 mil curtidas. A estreia de Dilma, no congresso do PT, teve 21 mil.

apode0607painell

Telinha O programa que Fernando Henrique Cardoso terá no Canal Brasil vai abordar a vida e a obra de pensadores do Brasil. O ex-presidente já está gravando os episódios. Serão 13, e o primeiro será sobre dom Pedro 2°.

Gatilho 1 A Câmara prepara a votação —nas próximas semanas ou no retorno do recesso parlamentar, em agosto— de outras duas “bombas” que podem afetar ainda mais as contas do governo e sepultar sua capacidade de articulação política.

Gatilho 2 Um dos projetos obriga a União a garantir as verbas necessárias a Estados e municípios quando delegar serviços a eles. O outro é o texto que altera o índice de reajuste do FGTS.

Arrepio A prisão de Jorge Zelada na quinta-feira deixou “meio Congresso de cabelo em pé”, segundo um peemedebista. Deputados que tinham relações com o ex-diretor da Petrobras temem que surjam gravações e registros que arrastem a bancada do PMDB para a crise.

Deixa… A Petrobras sabia desde 2013 que Zelada havia participado de irregularidades na contratação do navio-sonda da empresa Vantage.

… comigo Auditoria daquele ano descobriu que o então diretor recebia em seu e-mail pessoal as propostas comerciais, apesar de haver uma comissão de negociação.

Faz-tudo A empresa dizia que Zelada não submeteu as negociações à diretoria-executiva da estatal e criou “ambiente favorável para que os negócios celebrados tivessem não conformidades”.

Tudo azul No comando da holding do grupo Odebrecht, Newton de Souza foi a Nova York na última semana passar uma mensagem de otimismo a investidores.

Vai passar Em périplo por bancos ao lado da vice-presidente de finanças, Marcela Drehmer, disse que os negócios estão sob controle, apesar da prisão de Marcelo Odebrecht. A ordem é mostrar que a dinâmica da empresa está sendo afetada o mínimo possível pela Lava Jato.


TIROTEIO

Alckmin cortou o leite de 37 mil crianças carentes. O PT tirou 36 milhões de pessoas da miséria. Quem é que não gosta de pobre?

DE EMIDIO DE SOUZA, presidente do PT paulista, em reposta à declaração de Geraldo Alckmin (PSDB) de que ‘o PT não gosta de pobre, gosta de poder’.


CONTRAPONTO

Voto em trânsito

Na votação da nova lei de Migração na Comissão de Relações Exteriores do Senado, semana passada, o presidente Aloysio Nunes (PSDB-SP) fazia chamada nominal quando se confundiu e chamou Humberto Costa (PT-PE), que é suplente. Logo se corrigiu, mas o petista, que estava ao telefone na sala ao lado, entrou esbaforido:

—É sim, presidente, é sim!

Todos os membros da comissão se voltaram para ele, que perguntou, meio sem graça:

—O que foi? Votei errado?

—Na hora errada! Parece que o senador Humberto está migrando —respondeu Aloysio.