Aécio deve evitar defesa aberta de impeachment em convenção tucana

Por Painel

Um passo de cada vez Visto como potencial beneficiário da crescente articulação da oposição e do PMDB para forçar o afastamento da presidente Dilma Rousseff, Aécio Neves deve adotar tom cauteloso em seu discurso durante a convenção do PSDB, neste domingo. Embora haja expectativa dos tucanos de que o presidente da sigla “dê o tom” sobre um possível impeachment, o mineiro não deve abordar o tema. Dirá apenas que o país está “sem governo” e fará um inventário dos problemas políticos e econômicos.

Divórcio 1 Irritado com os ataques do PT à manobra que permitiu votar pela segunda vez a redução da maioridade penal, Eduardo Cunha (RJ) vai pressionar internamente e defender publicamente o rompimento definitivo do PMDB com o governo.

Divórcio 2 Para o presidente da Câmara, a relação vem piorando, e se tornou insustentável com a decisão do PT e de aliados de questionar no Supremo suas decisões no comando da Câmara.

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‌Sem selfie Michel Temer passou a receber dirigentes partidários e parlamentares que já falam abertamente em desembarcar da base. “Ninguém quer sair na foto com quem tem 9% de aprovação. Os partidos começaram a procurar os 91%”, afirma um auxiliar do vice.

Separação… Integrantes da cúpula do PMDB se municiam de argumentos jurídicos para defender a legitimidade da permanência de Temer no poder caso Dilma seja cassada pelo TSE no processo que apura se sua campanha recebeu dinheiro de corrupção.

… de bens Argumentam que o vice tinha um comitê financeiro e um tesoureiro próprios. Portanto, não teria sido “contaminado” pelo financiamento irregular. Temer já foi informado dessa argumentação por um dirigente.

Prospecção Empresários, que antes rejeitavam uma ruptura por recear a instabilidade econômica, agora procuram caciques do Congresso para sondar o terreno e para dizer que não botam mais fé no ajuste fiscal.

Day after Senadores envolvidos na CPI da CBF, que pode ser instalada nesta semana, admitem a possibilidade de a investigação levar à queda da cúpula da entidade. Um dos cenários seria que Fernando Sarney, um dos vice-presidentes, sucedesse Marco Polo Del Nero.

Tudo bem Em reunião com Renan Calheiros (PMDB-AL), Eunício Oliveira (PMDB-CE), Humberto Costa (PT-PE) e Tião Viana (PT-AC), Romário (PSB-RJ), ferrenho opositor de Del Nero, disse que não se oporia se o filho do ex-presidente José Sarney chegasse ao comando da CBF, segundo três relatos feitos à coluna.

Acordo O comentário foi interpretado como um aceno de Romário ao PMDB, que tem resistido em ceder a relatoria da CPI ao ex-jogador.

Fala… Procurado, Romário afirmou que “há muita boataria” nos momentos que antecedem a CPI e que “os agentes desses boatos são justamente aqueles que têm interesse de enterrar as investigações e desqualificar a CPI”. “A única pessoa que pode garantir meus posicionamentos sou eu mesmo.”

… peixe “Fernando Sarney nem é o primeiro na linha de sucessão. Em uma possível queda do Del Nero, quem assumiria seria Delfim Peixoto, o vice mais velho”, diz o pessebista, para quem a CPI não tem como “objetivo central” derrubar o presidente da CBF, mas “trazer a público todas as irregularidades”.

Spam Deputados que votaram contra a redução da maioridade penal relatam ter recebido diversas ameaças em mensagens privadas em suas redes sociais.

Stalker A maioria dos textos das mensagens enviadas aos parlamentares é genérica, mas algumas com detalhes sobre familiares e rotina dos políticos preocuparam suas equipes.


TIROTEIO

Os prefeitos estavam enxugando gelo. Quanto mais pagavam, mais deviam. Agora, finalmente, se fará justiça fiscal.

DE MARCIO LACERDA (PSB), presidente da Frente Nacional de Prefeitos, sobre a Câmara ter aprovado projeto que obriga a renegociação de dívidas com a União.


CONTRAPONTO

Jogo de compadres

Em sessão para tratar da reforma política no Senado, no início da semana, Aécio Neves (PSDB-MG) fez um afago em Garibaldi Alves (PMDB-RN).
—É de uma competência extraordinária e incomparável o nosso ministro, senador, governador —é extensa a lista– e hoje senador!
—Prefeito também —lembrou Jorge Viana (PT-AC).
Envaidecido, Alves respondeu, arrancando risos:
—Eu não votei em Aécio, mas agora estou com ele!
Com o pedido para que as falas fossem registradas, o peemedebista achou melhor pedir cautela:
—Não exageremos! —encerrou, dando risada.