Lula acha que Dilma tem de usar máquina para ‘dar boas notícias’

Por Painel

Sair das cordas De passagem por Brasília enquanto Dilma Rousseff está fora do país, o ex-presidente Lula alertou a aliados que sua sucessora precisa aproveitar com urgência a máquina do governo para recuperar sua gestão e amenizar a agenda dominada por denúncias de corrupção e crise econômica. O petista afirmou que os problemas chegaram a um ponto em que só a presidente pode comandar a reação. Para o ex-presidente, a única saída é que ela passe a “governar” e “dar boas notícias” ao país.

Tiro… Antes de se reunir com as bancadas, Lula reclamou que os parlamentares do PT só pensam na própria reeleição e não reagem às acusações de corrupção.

… no pé Para ele, se o PT chegar “destruído” às próximas eleições, não haverá chance de sucesso para deputados e senadores.

Descontrole Demonstrando preocupação com as declarações de Ricardo Pessoa, Lula disse que o PT e aliados do governo deveriam se manifestar contra “arbitrariedades” na Lava Jato.

Patriarca Na mesma linha, Emílio Odebrecht, presidente do conselho de administração e que está mais presente no dia a dia da empresa desde que o filho Marcelo foi preso, desabafou a um parlamentar que o país vive um “regime de exceção”.

Tubérculos Auxiliares dizem que o ataque de Dilma a Pessoa foi uma reação “indignada” e “impensada”. “Foi mais uma mandiocada”, resumiu um petista.

Doutor House Membros do governo ironizavam a decisão de Joaquim Levy (Fazenda) de viajar logo após ser internado: “Se ele se arriscou a viajar para os EUA após embolia pulmonar, não foi uma gripe que o impediu de anunciar o contingenciamento”.

apode3006painellNão tá fácil… Em reunião de líderes, Jandira Feghali (PC do B) se queixou que a crise a obrigou a fechar um restaurante árabe no Rio. Celso Russomanno (PRB-SP) emendou que também pode encerrar um negócio em São Paulo.

Conta outra A bancada do PT na Câmara Municipal se irritou com o que considerou uma tentativa de Fernando Haddad de se descolar do partido, fazendo circular a versão de que pensou em trocar a sigla pelo PSOL ou PSB.

Barriga cheia Os vereadores dizem que têm sido mais fiéis a ele do que a bancada foi em relação a Marta Suplicy ou Luiza Erundina, ex-prefeitas pela sigla. E que, fora do PT e sem Lula, não haveria chance de reeleição para o prefeito.

Pedala A inauguração da ciclovia na avenida Paulista foi celebrada por aliados de Haddad, mas não passou sem críticas: “Ele continua dialogando só com a turma dele”, diz um petista.

Mãos à obra Além das plenárias de prestação de conta às quais Haddad iráno segundo semestre, a prefeitura fará debates temáticos a partir de agosto.

Eixos Serão três seminários até outubro. O primeiro será sobre ações na periferia. O segundo sobre “uso do espaço público versus conservadorismo” e o terceiro terá o mote “um futuro mais moderno e mais humano”.

Pelo menos Além de arrebanhar metade do tempo de TV, aliados de Haddad têm como meta chegar ao fim do ano com índice de ótimo e bom nas pesquisas maior que 25% –o que não acontece desde junho de 2013.

Tête-à-tête Aliados de Marta sinalizaram ao vice Michel Temer que a senadora está disposta a conversar nos próximos dias sobre a possibilidade de filiação ao PMDB.

Para depois Apesar da defesa do parlamentarismo feita por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Temer defende uma “reforma ampla”, com a redução do número de partidos, antes da discussão sobre o sistema de governo.


TIROTEIO

A declaração manifesta uma mentalidade classista, elitista e egoísta, que não enxerga todos como portadores de dignidade e direitos.
DE JEAN WYLLYS (PSOL-RJ), sobre entrevista em que Bandeira de Mello sugere que quem ‘viveu numa favela’ pode ser submetido a condições menos satisfatórias na prisão.

CONTRAPONTO

Só pensam naquilo

Em encontro com dirigentes do PSDB no último fim de semana, o senador José Serra (SP) lembrou sua primeira passagem pelo Congresso. Relatou aos tucanos uma conversa que teve com Ulysses Guimarães, em que o peemedebista quis saber as impressões do aliado, recém-chegado à Câmara dos Deputados.
— Concluí que há cinco coisas intocáveis: criancinha, velhinho, Jesus Cristo, mulher e município… –respondeu Serra, segundo contou aos aliados.
Agora no Senado, Serra disse aos colegas de partido que acrescentou mais um ponto à lista:
–A reeleição dos próprios parlamentares!