Governo empacota medidas para tentar alavancar aprovação de Dilma

Por Painel

Fundo é mais embaixo O governo reagiu com resignação ao novo recorde de rejeição a Dilma Rousseff captado pelo Datafolha e espera que ele caia abaixo dos dois dígitos no início do segundo semestre. Sem muita margem para mudar o quadro, o Planalto empacota uma série de ações para tentar impulsionar a economia. As iniciativas, nem todas novas, incluem o plano de agricultura familiar, a fase 3 do Minha Casa, Minha Vida —que em 2015 quase não teve novos contratos— e o plano de banda larga.

Chegou lá Os segmentos de renda mais baixa são as que mais reclamam que sua situação econômica piorou nos últimos meses: o índice é de 55% entre quem ganha até 2 salários mínimos por mês.

Andar de cima Na classe média, de 2 a 5 salários mínimos, a taxa de quem sentiu a piora na pele é de 51%. Entre os mais ricos, tradicionalmente refratários a Dilma, o percentual cai para 41%.

Camisa Dilma se recuperou levemente entre os entrevistados que preferem o PT: os que avaliam o governo como ótimo ou bom passaram de 35% em abril para 40%. Os que acham ruim ou péssimo caíram de 29% para 25%.

O cara A reprovação ao governo é maior entre os que dizem conhecer “muito bem” o ministro Joaquim Levy (Fazenda): 71% deles dizem que a gestão Dilma é ruim ou péssima, contra 65% no geral.

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Não falarás Lula ficou atordoado com o vazamento de conversa em que disse a padres que ele e Dilma estão no “volume morto”. “Ele achava que estava no confessionário?”, lamenta um aliado.

Grude O PSDB vai se esforçar para impedir que o PT tente se descolar do governo em crise. A ordem é martelar a relação de Dilma com a sigla e com seu antecessor.

Na urna A preocupação imediata é com a eleição de 2016: os tucanos fazem um mapa das principais cidades do país para associar candidatos petistas à gestão Dilma, o que o próprio PT fez em 2012, mas agora quer evitar.

Veias abertas da… Em telegrama enviado em 2009, o embaixador brasileiro em Tegucigalpa relatava ter sido procurado por representante da Odebrecht sobre a construção da represa de El Tigre. A empresa queria que o governo de El Salvador aceitasse deslocar a obra para a fronteira com Honduras.

… América Latina “Para desbloquear as negociações e diluir os receios recíprocos entre as duas partes, seria muito eficaz uma atuação do presidente Lula da Silva, amigo que é do presidente eleito Funes e admirado que é pelo presidente Zelaya”, escreveu o embaixador Brian Michael Fraser Neele.

Por partes 1 Os advogados da Odebrecht entraram neste domingo com habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4ª Região em nome de dois dos diretores da empresa presos na Lava Jato: Cesar Rocha e Rogério Araújo.

Por partes 2 Os demais, inclusive do presidente, Marcelo Odebrecht, serão impetrados ao longo da semana.

Razões Na peça, a defesa alega constrangimento ilegal, prisão baseada apenas nas palavras de um delator “pródigo em mentiras” (Alberto Yousseff) e “equívocos cometidos” por parte do juiz Sergio Moro “na análise de documentos essenciais”.

Forra Integrantes da força-tarefa estampavam uma satisfação no rosto na sexta-feira com a prisão de Marcelo. No grupo, havia irritação com a postura da empresa para “tentar melar” a operação e minar a credibilidade de delegados e procuradores.

Intercâmbio Aécio Neves (PSDB-MG) conversou neste domingo com o governador de Miranda, Henrique Capriles, opositor de Nicolas Maduro. O ex-presidenciável venezuelano aceitou convite do tucano e virá ao Brasil na primeira semana de agosto.


TIROTEIO

O Datafolha mostrou que Lula está certo: a popularidade de Dilma chegou ao volume morto. E agora é que vai começar a seca.

DE BRUNO ARAÚJO (PSDB-PE), líder da minoria na Câmara, sobre pesquisa que mostra que a aprovação à presidente é de 10%, menor índice já registrado.


CONTRAPONTO

Esgrima de cavalheiros

Em 2004, então líder do PFL, José Carlos Aleluia (BA) idealizou o “prêmio Berzoini” de “maldades” contra aposentados, depois que o Ministério da Previdência, comandado pelo petista, criou recadastramento de idosos.
Neste ano, os dois se encontraram em audiência na Câmara. Diante de uma questão polida do deputado do DEM, o ministro, agora nas Comunicações, brincou:
–S.Exa. foi suave hoje! Já não é o mesmo Aleluia que conheci há dez anos. Mas, certamente, na réplica será!
Aleluia retomou a palavra, mas de novo moderado:
–V. Exa. adquiriu maturidade. Farei a réplica com cuidado, para que não haja necessidade de tréplica.