Governo teme que rejeição de contas leve agências a baixar nota do Brasil

Por Painel

Aos olhos de fora O governo foi avisado de que o mercado financeiro avalia que a eventual recomendação, pelo Tribunal de Contas da União, da rejeição do balanço de 2014 do governo Dilma Rousseff terá impacto negativo direto na economia. O Planalto e a equipe econômica tratam como “considerável” o risco de que haja rebaixamento da nota do Brasil pelas agências de risco em consequência da reprovação das contas, o que poderia interferir no já combalido ânimo dos investidores internacionais.

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Front Ministros petistas dizem que o TCU passa a ser uma trincheira permanente de batalhas do governo. Acham que a corte entrou no rol de instituições preocupadas em dar respostas a cobranças da população.

Casas… A Petrobras e o Planalto negociam a redução da participação de autoridades do governo em discussões e lançamentos de ações estratégicas da estatal, como o plano de investimentos que deve ser votado no fim da próxima semana.

… separadas A empresa não quer que a divulgação do programa seja transformada em palanque, por acreditar que precisa dar ao mercado um sinal de que sua prioridade será um bom desempenho financeiro e lucro rápido, sem concessões políticas.

Refino Aldemir Bendine discute com Dilma a substituição do presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto, cuja indicação é atribuída a Edison Lobão (MA) e ao PMDB de Minas.

Lattes A cúpula da Petrobras quer um nome do mercado para comandar a subsidiária. Não está descartada, porém, a escolha de um funcionário de carreira de perfil técnico e sem vínculo político.

Crime e castigo José Eduardo Cardozo (Justiça) encomendou ao Departamento Penitenciário Nacional um raio-x do sistema prisional para subsidiar campanha do governo contra a redução da maioridade penal. O ministro disse a aliados que ficou “alarmado” com os números.

Permuta 1 Leonardo Picciani (PMDB-RJ) fez uma indicação para o comando da CaixaPar, empresa de investimentos da Caixa, controlada pelo PP. O governo quer agradá-lo para aprovar o projeto que revê as desonerações.

Permuta 2 O PP, em troca, quer a direção do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), ocupada por afilhado do ministro Henrique Alves (Turismo).

Taxímetro Eliseu Padilha (Aviação Civil) telefonou para Aloizio Mercadante (Casa Civil) e pediu pressa nas nomeações: “Faz rodar as indicações para a gente se ver livre de vários problemas”.

Da paz As centrais sindicais disseram a Miguel Rossetto (Secretaria-Geral) que não farão pressão para derrubar o veto de Dilma à mudança do fator previdenciário. Tentarão alterar a progressividade na medida provisória.

Banco… Testemunhas disseram em depoimentos à Controladoria paulistana que o auditor fiscal Luiz Alexandre Magalhães, preso na nova etapa da investigação da máfia do ISS, enterrou dinheiro em um de seus imóveis.

… imobiliário Há propriedades do auditor que não foram alvo de busca e apreensão. A suspeita é que o dinheiro esteja numa delas. Ele tem imóveis bloqueados estimados em R$ 17 milhões.

Trovoadas O TJ-SP negou pedido do consórcio responsável pelo Rodoanel Sul à Dersa de R$ 85,4 milhões extras por gastos não previstos com chuvas. Para o desembargador Leonel Costa, Constran e Odebrecht deveriam ter estimado o custo no contrato.

Parada Para incluir a diversidade sexual no plano municipal de educação, PT e PSOL convocaram a militância LGBT para reunião da Comissão de Orçamento da Câmara de SP, nesta sexta.


TIROTEIO

Essa missão foi um equívoco, interferência direta na política interna venezuelana. Querem radicalizar lá como fazem aqui.

DE HUMBERTO COSTA (PE), líder do PT no Senado, sobre as agressões a senadores brasileiros por partidários do governo Maduro em Caracas.


CONTRAPONTO

Finanças pessoais

O deputado Delegado Waldir (PSDB-GO), conhecido pelas perguntas incisivas a depoentes da CPI da Petrobras, pedia explicação do ex-presidente do Conselho de Administração da Sete Brasil, Newton Carneiro, para a doação de R$ 25 mil à campanha de Dilma Rousseff.
Para isso, o tucano usou a si mesmo como exemplo:
—No meu orçamento pessoal, se eu tirar R$ 1 mil a patroa já briga —, afirmou.
Aproveitando a deixa do opositor, o relator da CPI, Luiz Sérgio (PT-RJ), fez uma intervenção em tom de brincadeira para desanuviar os ânimos:
—É bravo aqui, mas em casa quem manda é ela, né?