Governo teme não ter força para barrar agenda que tira poder de Dilma

Por Painel

Vão-se anéis e dedos A cúpula do governo trata a Lei de Responsabilidade das Estatais e outras propostas do Congresso como uma “agenda anti-Executivo”, mas auxiliares de Dilma Rousseff já admitem que o momento político pode levar a petista a ser atropelada e sofrer um esvaziamento de seus poderes. A necessidade de concluir o ajuste fiscal reduz a margem para o Planalto se opor a essas investidas. A aprovação a jato da PEC da Bengala é citada como exemplo da tibieza da base na defesa do governo.

Às armas Apesar desse cenário adverso e dos apelos de Michel Temer, Dilma avisou a aliados que seu governo vai se posicionar “claramente” contra o projeto de redução da maioridade penal.

Brancaleone “Este é um assunto muito claro para a presidente. Ela vai lutar, mesmo que seja para perder”, afirma um auxiliar.

Que tal? Temer sugeriu a Dilma que o Planalto encomende uma pesquisa de opinião sobre a proposta. Ele reiterou à presidente e a Aloizio Mercadante (Casa Civil) que o governo será derrotado se entrar na disputa no Congresso.

Jetom A nomeação de Roberto Amaral para o conselho de Itaipu foi uma recompensa ao ex-presidente do PSB por ter ajudado o governo a obter apoio de deputados e senadores da sigla nas votações do ajuste fiscal.

Feriado? Dilma reúne sua equipe na sexta-feira para definir o slogan do pacote de concessões que será anunciado na semana que vem. No domingo ela receberá os ministros para bater o martelo sobre detalhes do programa.

Agência… Líderes de DEM, PPS, PMDB, PTB, PR e PSC acompanharam o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em viagem oficial a Israel e à Rússia.

… de turismo “Deu quórum. Fizemos uma reunião de líderes sem o PT no bar”, diz um deputado da comitiva, se divertindo com a ausência de representantes do partido de Dilma na comitiva do feriadão prolongado.

Lado a lado Fernando Haddad e Geraldo Alckmin vão aproveitar ida a Brasília vão juntos a Brasília na próxima terça para levar oficialmente a Eduardo Cunha a proposta de emenda à Constituição para regulamentar o pagamento de precatórios.

No bolso Prefeitos e governadores veem necessidade de recursos extras para quitar as dívidas judiciais no prazo estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal.

Biotônico Dirigentes esperam que os encontros do PT para prestação de contas da gestão Haddad no segundo semestre deem um “empurrão” para que o prefeito entre em ritmo eleitoral.

Curta temporada Petistas acham arriscada a estratégia de apostar apenas nos 45 dias de propaganda na TV para turbinar a candidatura reeleitoral de Haddad.

Pena… O grupo derrotado na disputa pelo comando do PSDB paulistano, capitaneado por José Aníbal, quer recorrer à Justiça para validar a eleição dos membros da executiva, feita em conturbada reunião na última terça.

… pra todo lado O novo presidente, Mario Covas Neto, encerrou o encontro após fracassada tentativa de composição. O grupo derrotado elegeu o restante dos membros à revelia. Covas Neto considera a eleição nula.

Zero à esquerda Um cacique tucano desdenha da disputa, que tem como pano de fundo 2016: “Estão brigando por nada”, diz, sobre a influência que a direção municipal terá na escolha do candidato a prefeito da capital.

Visita à Folha Beto Richa, governador do Paraná, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava com Deonilson Roldo, chefe de gabinete, Ives Gandra da Silva Martins e René Ariel Dotti, advogados.


TIROTEIO

Apareceu o preço do Roberto Amaral. Passou meses falando mal de seus companheiros de partido em busca de um carguinho.

DE BETO ALBUQUERQUE, vice-presidente do PSB, sobre o ex-ministro de Lula, nomeado por Dilma Rousseff para o conselho de Itaipu Binacional.


CONTRAPONTO

Cada um no seu quadrado

Na reunião que enterrou o relatório da comissão especial de reforma política, no fim de maio, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), lembrou aos líderes o acordo para que não houvesse votações que mudassem o funcionamento da Casa vizinha.
–Não vamos mexer em nada que diga respeito ao Senado e eles não vão legislar sobre nada que afete a Câmara.
Chico Alencar (PSOL-RJ) retrucou:
–Então é melhor acabar logo com o Legislativo bicameral! Até a extinção do Senado deveria ser abordada…
Cunha respondeu, dando risada:
–É melhor não tratar de nada disso também!