Senadores tucanos trocam sabatina de Fachin por festa de FHC em Nova York

Por Painel

Revoada tucana Pesos-pesados do PSDB vão desfalcar a sabatina de Luiz Fachin na CCJ do Senado nesta terça-feira. Aécio Neves (MG), José Serra (SP), Aloysio Nunes Ferreira (SP) e Tasso Jereissati (CE) vão a Nova York prestigiar Fernando Henrique Cardoso, eleito pela Câmara de Comércio Brasil-EUA personalidade do ano, juntamente com Bill Clinton. Além das ausências, outro tucano, Álvaro Dias (PR), relator da indicação de Fachin ao STF, vai rasgar elogios ao escolhido de Dilma Rousseff.

Álibi Para amenizar a debandada, os tucanos argumentam que a aprovação de Fachin na CCJ já é esperada e que estarão presentes na votação em plenário, quando a maioria da bancada do PSDB tende rejeitar sua indicação.

Voo solo Na sabatina, o papel de questionar publicamente o postulante deve ser desempenhado apenas pelo líder Cássio Cunha Lima (PB).

Par de vasos Senadores de vários partidos relatam constrangimento com a insistência do postulante ao STF em levar sua mulher, a desembargadora Rosana Fachin, às audiências.

Sem clima A queixa dos parlamentares é que a presença da mulher inibe questionamentos mais duros à atuação pregressa do advogado, sobre a qual mesmo governistas manifestam dúvida.

Deixa quieto O silêncio de Ricardo Lewandowski sobre a emenda que obriga ministros do STF a fazerem nova sabatina no Senado para se aposentarem aos 75 anos visa não tumultuar ainda mais o ambiente da votação de Fachin, para quem o presidente da corte está em campanha.

Deixa estar Integrantes da corte dizem que, quando for submetida ao controle de constitucionalidade, a exigência de nova arguição “não vai durar cinco minutos no plenário” do Supremo.

Sabonete Governadores do Nordeste que se reuniram com Joaquim Levy na sexta-feira tentaram apertar o ministro para garantir mais repasses para seus Estados. O chefe da Fazenda escapou e só repetia: “Estamos vendo”.

Inflação O governo vai pagar 25% mais caro que nos supermercados para abastecer os palácios de refrigerante. Serão compradas 200 garrafas de 2 litros de guaraná a R$ 5,34 cada. No varejo, a mesma marca custa R$ 4,25.

Baixando… Preocupado com a vitória magra na aprovação do primeiro item do ajuste fiscal, o Planalto decidiu ampliar o espectro de busca por votos.

… o sarrafo Agora, a ordem é contemplar na partilha de cargos até parlamentares e dirigentes partidários que fizeram campanha para Aécio Neves em 2014.

Zerou o jogo “O governo não vai olhar para o retrovisor neste caso. Está olhando para a frente”, decreta um ministro. A prioridade é garantir uma base mais ampla, mesmo sem afinidade política.

Camaleão O governo deve nomear, por exemplo, Wilson Santiago (PTB-PB) para uma vice-presidência do Banco do Brasil, no lugar de Valmir Campelo. Candidato a senador em 2014, Santiago formou chapa com o PSDB e subiu ao palanque de Aécio.

Irrigação O Palácio do Planalto espera que 150 cargos federais nos Estados, cobiçados pelos parlamentares em suas bases, sejam “descarregados” nesta semana.

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Cativeiro Em reunião na semana passada, senadores do PT desabafaram que não veem a hora de o ajuste passar pelo Congresso. “Não podemos continuar reféns do PMDB”, lamentou um petista.

Sem saída Articuladores do governo decretam que a única maneira de Manoel Dias (Trabalho) permanecer no cargo é se o PDT votar em massa a favor da medida provisória de ajuste da Previdência. Avaliam, no entanto, que esse cenário é improvável.


TIROTEIO

A insistência de Fachin em justificar a situação ilegal compromete mais sua nomeação ao STF que a própria ilegalidade.

DO SENADOR ALOYSIO NUNES FERREIRA (PSDB-SP), sobre o indicado por Dilma ter exercido advocacia privada enquanto foi procurador no Paraná.


CONTRAPONTO

Chá de sumiço

Em reunião da Comissão da Reforma Política da Câmara, na última quinta-feira, o relator Marcelo Castro (PMDB-PI) demorou cerca de 2h30min para aparecer no plenário onde o grupo estava reunido. A demora provocou reações dos colegas de colegiado.

–Ele foi abduzido! O PMDB tem poder até para isso ““troçou o deputado Esperidião Amin (PP-SC).

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente do colegiado –que também votara pelo ajuste na noite anterior–, brincou:

–Ele sofreu um sequestro relâmpago, mas já tinha começado a pagar o resgate, votando a favor da primeira MP do ajuste do governo…