Renan ameaça barrar no Senado ‘agenda conservadora’ de Cunha

Por Painel

Sinal dos tempos Renan Calheiros (PMDB-AL) avisou a aliados que vai se opor à “agenda conservadora” que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) chancelou como presidente da Câmara. Se o projeto de redução da maioridade penal avançar, Renan —que já se dispôs a desacelerar a tramitação do projeto que regulamenta a terceirização— ameaça engavetá-lo. O presidente do Senado não quer apenas se descolar de Dilma Rousseff, mas também evidenciar diferenças em relação ao deputado fluminense.

Pai… Renan também sinalizou que trabalhará para derrotar o governo em ao menos um ponto do ajuste fiscal: quer barrar o aumento do período necessário para acesso ao seguro-desemprego.

… dos pobres O governo já cedeu e reduziu sua proposta original de 18 para 12 meses. O presidente do Senado quer aproveitar o recuo para forçar novas negociações.

Nós contra ele Cunha, por sua vez, tem dito a aliados que é contraditória a posição de Renan de cobrar ações de Dilma, como fez sobre o pronunciamento de 1º de Maio. Se exige relação de independência com o Legislativo, não deveria opinar sobre ações do Executivo, avalia.

Agente secreto Depois de destravar nomeações no Cade e na Anvisa, o governo vai soltar na próxima semana uma leva de indicações para a ANTT, a Anatel e a ANA.

Não é… Relatório do TCU contradiz fala do presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, de que a Odebrecht obtinha os melhores contratos na Petrobras por chefiar o cartel de empreiteiras.

…. bem assim Na refinaria Abreu e Lima (PE), a Camargo Corrêa ficou com 90% do contrato de R$ 3,411 bilhões: R$ 3,07 bi, e a Odebrecht, com R$ 2,33 bi.

Mais um Na Repar, no Paraná, a Camargo Corrêa ficou com 70% de um contrato de R$ 2,47 bilhões (R$ 1,73 bi). A Odebrecht obteve R$ 928,7 milhões, que correspondem a 51% de um contrato no qual estava consorciada com a OAS e a UTC, que ficaram com 24,5% cada uma (ou R$ 446,14 milhões cada).

Quem te viu Paulo Skaf, o presidente da Fiesp, vai trazer o ministro do Comércio Exterior de Cuba, Rodrigo Malmierca, para apresentar oportunidades na ilha a investidores, na quinta-feira.

Tempo perdido Em avaliação a petistas no ato da CUT, Lula lamentou que Dilma tenha perdido o timing para sinalizar o veto ao projeto da terceirização. Ele não acredita que a sucessora vá sancioná-lo, mas acha que, ao adiar o anúncio, não conseguirá capitalizar o ato.

Bandeira branca CUT e Força Sindical conversaram sobre a possibilidade de atuarem juntas na negociação do projeto no Senado. A Força aceitou defender restrições parciais à terceirização da atividade fim, se não houver mudanças em pontos como a representação sindical.

É o fim Em almoço do 1º de Maio, o líder do PT, Sibá Machado (AC), prometeu ao presidente da CUT, Vagner Freitas, incluir emenda extinguindo o fator previdenciário em uma das medidas provisórias do ajuste, a 664. Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) apresentou a que cria o fator 85-95.

Par ou ímpar O governo está dividido: o ministro Carlos Gabas (Previdência) é favorável a propostas que amenizem o fator. A turma de Joaquim Levy (Fazenda) não quer nem ouvir falar delas.

De canto 1 Um dos raros governistas na festa da Força Sindical, o ministro Manoel Dias (PDT) preferiu não bater papo com outros políticos.

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‌De canto 2 Cumprimentou brevemente a mesa em que estavam Cunha, Paulinho da Força e tucanos, recusou um pastel e subiu direto ao palco. Ficou sozinho ao fundo, enquanto a dupla Marcos & Belutti se apresentava antes do ato político.


 

TIROTEIO

Não se pode aceitar que não haja registros do processo que custou bilhões à Petrobras, com Dilma na chefia. É conversa para boi dormir.

DO DEPUTADO HUGO MOTTA (PMDB-PB), presidente da CPI da Petrobras, sobre informação de que registros das reuniões do conselho foram destruídos.


CONTRAPONTO 

Em perspectiva

Estrela da festa de 1º de Maio da Força Sindical, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), passou a manhã sentado a uma mesa em companhia de Paulinho da Força (SDD-SP), Roberto Freire (PPS-SP) e alguns deputados do PSDB —entre eles Mariana Carvalho, eleita pelo Estado de Rondônia.
Quando dirigentes da central comentaram que a estimativa de público poderia atingir um milhão de pessoas, o peemedebista brincou com a tucana, que tem base eleitoral em Porto Velho, município de 500 mil habitantes:
—Se os números estiverem certos, tem mais gente aqui do que em toda a sua cidade! —disse, para risos da mesa.