Oposição quer usar mudança no Fies para mostrar ‘pedalada’ fiscal em 2015

Por Painel

Pedalada estudantil? Um dos caminhos que a oposição avalia para acusar Dilma Rousseff de promover “pedaladas” fiscais também em 2015 é a mudança nos repasses do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Portaria do MEC de 29 de dezembro de 2014 fixou que instituições de ensino com mais de 20 mil matriculados pelo Fies receberão os recursos a cada 45 dias, em oito parcelas anuais. Antes eram 12 parcelas. O setor calcula que o Tesouro deixará de desembolsar R$ 3 bilhões neste ano com a mudança.

Carnê O pagamento do Fies é feito em certificados do Tesouro. Estes títulos, até antes da portaria, eram emitidos em paridade com a prestação do serviço, no fim do mês.

Não nego Em conversas com entidades mantenedoras, o MEC reconhece que há diferença entre o que elas gastarão para manter o aluno matriculado e o que receberão, mas não fixa prazo para pagar as parcelas cortadas.

Estaca zero O Planalto considera que a nova subida de tom de Renan Calheiros (PMDB-AL) contra o governo pode travar a aprovação de projetos de interesse de Dilma no Senado, entre eles a indicação de Luiz Edson Fachin para o STF.

Vem cá A articulação política acredita que será preciso se reaproximar do presidente do Senado e consultá-lo com mais frequência para evitar derrotas e surpresas.

Ressurrecto “O Renan deste segundo mandato não é o mesmo que se desdobrou para ajudar Dilma no primeiro”, lamenta um ministro.

Manada Um dia depois de receberem contracheques com descontos de até R$ 10 mil por faltas, deputados saíram em disparada pelos corredores da Câmara para votar na última sessão do dia.

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Velocista Onyx Lorenzoni (DEM-RS) correu até o plenário, votou e, dois minutos depois, ofegante, esperava o elevador do Anexo 4.

Alô 1 Dilma telefonou para Aldemir Bendine na quarta-feira, antes da reunião do Conselho de Administração que aprovou o balanço da Petrobras. Segundo interlocutores, a presidente pediu empenho para que a estatal se livrasse desse passivo.

Alô 2 Nas conversas recentes, a presidente disse a Bendine que a aprovação do balanço seria um ponto de virada e que a prioridade seguinte seria fechar o novo plano de negócios da Petrobras.

Casa decimal A presidente também acompanhou de perto a montagem da metodologia desenvolvida por Bendine e a cúpula da empresa para calcular as perdas com a corrupção.

Melhor não O Conselho Fiscal da estatal recuou e desistiu de ter acesso prévio, na segunda-feira, ao balanço auditado, com medo de ficar exposto em caso de vazamento de dados.

Vacina A Petrobras discutiu antes com a SEC (que regula o mercado de capitais nos EUA) o método para fechar a prestação. O gesto foi uma tentativa de demonstrar transparência e, assim, tentar evitar uma multa pesada do órgão, possibilidade considerada real pelo mercado.

Mais essa Um aliado de Michel Temer procurou caciques da Câmara na quarta-feira para manifestar preocupação com a possível instalação da CPI dos fundos de pensão. O Planalto teme que, de novo, as investigações atinjam partidos da base.

Visita à Folha Daniel Faccini Castanho, presidente da Anima Educação, visitou ontem a Folha. Estava com Ana Maria Diniz, integrante do Conselho de Administração, e Patrícia Oliveira, assessora de imprensa.


TIROTEIO

Pela maneira como age, o juiz Sérgio Moro deve pensar que ainda vive no faroeste: primeiro prende, e só depois pergunta.

DO DEPUTADO SIBÁ MACHADO (PT-AC), líder na Câmara, sobre o juiz ter pedido informações à polícia após ter prorrogado a prisão da cunhada de João Vaccari.


CONTRAPONTO

Eles só pensam naquilo

Em evento para a liberação de emendas parlamentares no Palácio dos Bandeirantes nesta quinta-feira, o deputado estadual Mauro Bragato (PSDB) foi chamado a falar em nome da Assembleia paulista. No fim do discurso, mencionou a presença expressiva de colegas de Legislativo, com representantes que iam do PT ao PSDB.

—Só não tem mais deputado porque nem todas as cidades do Estado estão assinando convênios… —disse.

Depois de uma pausa, completou, arrancando risos:

—Na Assembleia às vezes a gente tem dificuldade para manter o pessoal, mas aqui eles são bem obedientes!