Petrobras cede acesso a balanço, mas tenta restringir vazamento

Por Painel

Ficha completa O Conselho Fiscal da Petrobras bateu o pé e manteve a demanda de receber já na segunda-feira os dados do balanço auditado da estatal, que só serão divulgados dois dias depois em reunião do Conselho de Administração. O presidente da empresa, Aldemir Bendine, atenderá a exigência, mas comunicará formalmente à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a relação de nomes e CPFs de todos os conselheiros que terão acesso aos dados com antecedência, para tentar coibir vazamentos.

Às cegas Uma das reclamações da Procuradoria-Geral da República sobre a condução dos depoimentos da Lava Jato pela Polícia Federal é que os políticos foram ouvidos antes que houvesse documentos fiscais ou telefônicos para confrontá-los.

Dois trabalhos Procuradores dizem que seria preciso tomar novamente os depoimentos no futuro.

Freio Já os investigadores afirmam que a PGR impediu que a Polícia Federal ampliasse o escopo das investigações e encontrasse detalhes sobre a origem exata e o destino do dinheiro desviado —o que não foi feito com profundidade no mensalão.

Guerra fria Até esta sexta-feira, o procurador-geral Rodrigo Janot e o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, não haviam conversado sobre a disputa entre os dois órgãos pelo comando dos inquéritos da Lava Jato.

O mediador O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) chegou a propor que a PF e a PGR emitissem uma nota conjunta destacando a harmonia das investigações. Não houve acordo.

Gênese 1 Em um notebook apreendido na Lava Jato, a PF encontrou e-mail enviado pelo ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli em agosto de 2013 a um gerente da estatal.

Gênese 2 Gabrielli pedia, já naquela época, informações sobre a participação do ex-diretor Internacional Nestor Cerveró na compra da refinaria de Pasadena, no Texas.

Fumaça e fogo Sete meses depois, o Palácio do Planalto responsabilizou Cerveró por produzir um parecer falho enviado ao Conselho de Administração da empresa.

Véu Na eleição de 2010, quase 93% do financiamento da campanha do novo tesoureiro petista, Márcio Macêdo (SE), a deputado federal foi oculto, feito por intermédio do diretório estadual, sem identificar o doador.

Às claras Com o fim das doações ocultas em 2014, Macêdo viu despencar em 75% sua arrecadação. Em 2010, recebeu R$ 1,9 milhão. No ano passado, foram R$ 493 mil. Ele não se reelegeu.

Segundas… No jantar de quinta-feira, Dilma Rousseff e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) falaram sobre terceirizações, mas a meta da presidente era abrir o canal para facilitar a aprovação do ajuste fiscal.

… intenções O governo acredita que a interlocução direta de Dilma com Cunha é um sinal ao mercado de que ela vai superar a crise política e poderá aprovar as medidas.

Pão e água Dilma serviu bacalhau e filé aos convidados, mas comeu um prato da dieta que segue há meses.

Ecológico Em tempos de crise, o governo deixou de mandar ao Congresso a versão impressa de 500 páginas da LDO. Nelson Barbosa (Planejamento) chegou ao Senado na quinta só com um CD.

Visita à Folha Walter Feldman, secretário-geral da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), visitou ontem a Folha. Estava com Rogério Caboclo, diretor financeiro, e Marcelo Netto, assessor.


TIROTEIO

A prisão de Vaccari mostra o entrelaçamento da corrupção com o PT de Dilma. O debate do impeachment é um caminho sem volta.

DO DEPUTADO ROBERTO FREIRE (PPS-SP), presidente do partido, sobre decisão da oposição de se unir pela saída de Dilma após a prisão do tesoureiro do PT.


CONTRAPONTO

Diplomacia zero

O chanceler Mauro Vieira participou na quinta-feira de audiência conjunta das comissões de Relações Exteriores e de Segurança Pública da Câmara sobre a política externa brasileira. O ministro respondeu a perguntas dos deputados sobre Mercosul, relação com a Venezuela e o fuzilamento de brasileiros pelo governo da Indonésia.

Ao inquiri-lo, Heráclito Fortes (PSB-PI), que presidiu a Comissão de Relações Exteriores do Senado, ironizou:

—Nesses 12 anos em que acompanho o tema só se falava do Marco Aurélio Garcia. O fato de hoje ele não ter sido citado já considero um avanço da política externa!