Ampliação do foco da Lava Jato para além das doações põe PT em alerta

Por Painel

Nova avenida A nova preocupação da cúpula do PT após a prisão de João Vaccari Neto é a suspeita que a força-tarefa da Lava Jato e o juiz Sérgio Moro jogaram sobre o pagamento feito pelo partido a gráficas. Segundo membros da direção da sigla, o tesoureiro nunca deu detalhes sobre a contratação dessas empresas —sua defesa se concentrava nas doações de empreiteiras. Petistas creem que Moro abriu o novo flanco por crer que as doações não seriam suficientes para condenar os acusados.

Na mira Integrantes da força-tarefa da Lava Jato dizem que Sérgio Moro já reuniu evidências para decretar a prisão de José Dirceu.

Gatilho A senha foi o despacho em que o juiz lembrou que empreiteiras que contrataram Dirceu se valeram de consultorias fictícias para pagamento de propinas.

Em família Petistas se queixam da prisão da cunhada de Vaccari e da condução coercitiva de sua mulher para prestar depoimento. Veem nos procedimentos uma forma de coação do tesoureiro.

Vapt-vupt O PT quer uma solução rápida para a substituição de Vaccari na tesouraria do partido. O deputado estadual José Américo (SP), atual secretário de Comunicação da sigla, é cotado.

Eu avisei Petistas que defendiam a demissão de Vaccari colocam sua permanência no cargo até a prisão na conta do advogado Luiz Flávio DUrso e acusam o ex-tesoureiro de ter pensado apenas em si, e não no partido.

Fim do… Julio Delgado (PSB-MG) apresentou requerimento para que o ex-ministro da CGU Jorge Hage deponha na CPI da Petrobras.

… retiro O deputado quer que Hage fale sobre a acusação de que o órgão deixou de apurar denúncias de pagamento de propina pela holandesa SBM em contratos da Petrobras devido às eleições.

Que tal? Cobrado por associações como AMB e Anamatra para que apresse seu voto na ação do fim do financiamento privado de campanhas, o ministro Gilmar Mendes, do STF, respondeu que as entidades deveriam cobrar celeridade no julgamento do assassinato de Celso Daniel, que se arrasta há 15 anos.

Trator Uma ala da oposição quer acelerar a discussão sobre o pedido para abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Alguns defendem que PSDB, DEM, PPS e SD protocolem requerimento já em maio.

Geladeira 1 Irritado com Dilma, o PMDB do Senado não pretende ter pressa para aprovar o nome de Luiz Edson Fachin para o Supremo.

Geladeira 2 Apesar de Renan Calheiros (AL) ter marcado a sabatina para o dia 29, um dirigente prevê que o processo ainda pode levar de três a quatro semanas.

Tête-à-tête Fachin teve conversa rápida e amena com Dilma na terça à noite. A presidente quis saber se o indicado se mudará para Brasília e disse ter certeza de que ele está preparado para enfrentar a sabatina no Senado.

À la carte O governo ofereceu abertamente a Renan o comando da Codevasf, do Dnocs, da Infraero e da Conab para seu afilhado Vinicius Lages. O peemedebista não aceitou nenhum deles.

Tchau Temer “demitiu” Lages em café da manhã com deputados, senadores e ministros. Agradeceu a presença do ministro, “mesmo sabendo das mudanças que ocorrerão” –antes de Henrique Alves ter sido nomeado.

Em treinamento Confrontado por deputados do PMDB, Temer disse que espera saber, em 90 dias, se terá verdadeira autonomia e prestígio do Planalto como articulador político de Dilma.

Fornada O vice-presidente já tem pronto o primeiro pacote de nomeações para o segundo escalão. Os nomes, de vários partidos da base, podem ser enviados ao “Diário Oficial” ainda esta semana.


TIROTEIO

É estranho uma central mudar sua posição da noite para o dia. A UGT roeu a corda. Merece o troféu de ratazana do sindicalismo.

DE MIGUEL TORRES, presidente da Força Sindical, sobre a central ter apoiado a proposta de regulamentação da terceirização, mas ter feito protestos na terça.


CONTRAPONTO

Protestofobia aguda

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O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), conversava com jornalistas nesta quinta-feira quando se assustou ao ouvir barulho de gritos se aproximando no Salão Verde.

Percebendo o nervosismo do chefe, um assessor esticou o pescoço e viu que a algazarra era feita por um grupo de 30 crianças, que fazia uma visita guiada ao Legislativo.

—Calma, dessa vez não é protesto, pode ficar tranquilo. São só uns estudantes! —disse, arrancando risos.