PSDB quer usar ‘pedalada fiscal’ como motivo para impeachment de Dilma

Por Painel

Pé no acelerador O PSDB pediu que Miguel Reale Júnior, ministro da Justiça no governo FHC, elabore uma ação penal contra Dilma Rousseff pela “pedalada fiscal” que o governo realizou em 2014. Se for julgada pelo Senado por crime de responsabilidade, a presidente poderia sofrer impeachment. Os tucanos resolveram agir embalados pela pesquisa Datafolha que mostrou que 63% apoiam a abertura de processo contra Dilma. Reale ainda analisa o caso para ver se há viabilidade jurídica.

No papel O partido quer embasar a ação em pareceres de auditores e do Ministério Público junto ao TCU que apontam que o governo descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal ao adiar repasses a bancos públicos para melhoras as contas em 2014.

Agora ou nunca Depois da queda significativa de público nos atos do domingo, parte do tucanato avaliou que, se o partido não for ao ataque, perderá o timing, repetindo a trégua que deu a Lula após o mensalão, em 2005.

Melhor não Diante da nova diretriz do PSDB, o encontro de Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso, previsto para esta terça-feira, foi adiado “sine die”.

Sinais Aécio Neves convenceu FHC de que uma coisa seria conversar com o presidente do PMDB sobre reforma política. Outra, bem diferente, seria se encontrar com o articulador político de Dilma e passar a ideia de um “pacto” de governabilidade.

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Zoo Enquanto isso, o Planalto abriu licitação para renovar o estoque de ração para 400 aves e 500 peixes que vivem nas residências oficiais da Presidência. Serão R$ 121 mil para alimentar canários, carpas, surubins e avestruzes.

Batismo O primeiro teste de Temer à frente da coordenação política será desalojar petistas que estão empregados na extinta Secretaria de Relações Institucionais desde o primeiro mandato de Lula.

Fincou pé Renan Calheiros não aceitou nenhum dos arranjos apresentados a ele para realocar Vinicius Lages e dar o Ministério do Turismo a Henrique Eduardo Alves.

Contêiner Aliados de Renan dizem que o ex-presidente da Câmara, cuja nomeação é defendida por Temer e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deveria ficar com uma vaga da cota dos deputados, como a Secretaria dos Portos, hoje sob o comando de Edinho Araújo, ligado ao vice.

Motim Entidades ligadas ao agronegócio, como a CNA (Confederação Nacional da Agricultura), pretendem boicotar reunião convocada pelo ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral) nesta quarta-feira para discutir o valor do frete.

Aí não Produtores acusam o governo de querer tabelar “na marra” o valor, em mais uma demonstração de intervencionismo na economia. Representantes do setor se queixaram nesta segunda-feira diretamente a Joaquim Levy (Fazenda), que evitou entrar na bola dividida.

Maratona Depoimentos de políticos à Polícia Federal nos inquéritos da Lava Jato chegam a durar até quatro horas. Investigadores perguntam sobre seus bens e de sua família, além da origem do dinheiro de campanhas.

Quem… Parlamentares ficaram confusos ao receber a visita de um procurador do gabinete de Rodrigo Janot que os comunicou que a Procuradoria-Geral da República iria convocá-los a depor –e não a PF.

… manda? Alguns desses políticos, que já tinham sido procurados pela PF, entendem que há uma queda de braço entre os dois órgãos pelo comando dos inquéritos.


Aécio parece cada vez mais isolado: apoia protestos em que não aparece e dos quais lideranças do seu partido querem distância.

DE HUMBERTO COSTA (PE), líder do PT no Senado, sobre FHC ter recomendado que siglas de oposição não tentem se apropriar das manifestações anti-Dilma.


 

CONTRAPONTO

Glória, glória, aleluia!

O ministro Ricardo Berzoini (Comunicações) relembrou os tempos de parlamentar ao debater a ideia do PT de regulação da mídia com o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) numa sessão da Câmara no fim de março.
A cada vez que era citado, Aleluia pedia a palavra novamente para retrucar. Berzoini brincou:
–Vou me inscrever para a tréplica, mas certamente alguém vai se inscrever para a ‘quadréplica’!
Depois do debate, o ministro provocou o deputado:
–Acho até que S. Exa. foi bastante suave hoje aqui! Já não é o mesmo Aleluia que eu conheci há dez anos…