Dilma vê com ressalvas ‘sugestões’ do Senado e do Supremo para vaga no STF

Por Painel

Labirinto supremo A queda de braço entre Dilma Rousseff, o Legislativo e o Judiciário se acirrou na reta final da escolha do novo ministro do Supremo Tribunal Federal. A presidente e seus conselheiros ficaram incomodados com a impressão de que ela está terceirizando ao Senado e ao próprio STF a prerrogativa de escolher o nome. Dilma não quer desagradar a Ricardo Lewandowski e teme que os senadores barrem o indicado, mas passou a ver com reserva nomes que receberam aval público dos dois Poderes.

Paga… Por isso, auxiliares de Dilma que defendem o advogado Luiz Fachin ainda não descartam que ele seja indicado, apesar das ameaças de aliados de Renan Calheiros (PMDB-AL) de que ele seria rejeitado pelo Senado.

… pra ver? Já outros observadores argumentam que a derrota no Senado equivaleria a um “voto de desconfiança” na presidente e elevaria em muitos graus a temperatura da crise política.

Road show Benedito Gonçalves, um dos mais cotados para a vaga entre os pelo menos seis candidatos do STJ, seguiu orientação de políticos para se movimentar nos últimos dias. Esteve com Renan e outros senadores.

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Samba de breque Um senador peemedebista explica por que Dilma e Renan não trataram de polêmicas na conversa que tiveram na quarta-feira: Agora é aquela hora em que a ala está se ajeitando na concentração, antes de entrar na avenida.

Escolhendo… Apesar da reação de Dilma contra a terceirização, a equipe de Temer na articulação política vê pouca brecha para alteração do projeto. O grupo vai trabalhar por pequenos ajustes para evitar distorções e problemas de arrecadação, mas só.

… batalhas Por ora, a posição do vice é recomendar que Dilma não vete o projeto. O placar da Câmara foi tão largo que haveria grande risco de o veto ser derrubado.

Sobrevida Se for aprovada acareação entre João Vaccari Neto e Pedro Barusco na CPI da Petrobras, o tesoureiro do PT pretende comparecer novamente munido de habeas corpus que impeça sua prisão e reafirmar que nunca recebeu propina.

Olhos nos olhos O PT e os advogados de Vaccari acreditam que ele pode repetir a defesa, porque não há provas materiais das acusações. Admitem, no entanto, que o impacto da fala de Barusco cara a cara com o tesoureiro deve ser devastador.

Psicotécnico Opositores que observavam Vaccari de perto dizem ter visto suas mãos tremerem quando ele foi confrontado com a possibilidade de uma acareação.

Em família Tucanos cogitaram convidar para a CPI a cunhada de Vaccari acusada de ter recebido R$ 400 mil do doleiro Alberto Youssef, mas recuaram. Acreditam que ela pode ser vista como “vítima” dos ataques da oposição.

Bandeira… Antes de assinar o pacto pela responsabilidade fiscal, na quarta-feira, Rui Falcão (PT) perguntou se o documento barrava a elevação de tributos.

… vermelha “O PT tem propostas de aumento de impostos”, destacou o dirigente. A sigla defende abertamente a taxação de fortunas.

Recomeço Uma semana após morte do caçula, Thomaz, Geraldo Alckmin voltou a despachar no Palácio dos Bandeirantes. Já recebeu secretários como o da Justiça, Aloísio de Toledo César.

Visita à Folha Giovanni Giovannelli, presidente da Pearson no Brasil, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Cláudia Santos, assessora de imprensa.


TIROTEIO

Poderíamos ter ido para o enfrentamento só para aparecer bem na foto. Isso fica bonito na capa do jornal, mas não dá resultado prático.

DE JOÃO CARLOS GONÇALVES, secretário-geral da Força Sindical, sobre posição da CUT contra o projeto de terceirização e os protestos em frente ao Congresso.


CONTRAPONTO

Sem intermediários

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara discutia nesta quarta-feira proposta de emenda constitucional que reduz de 39 para 20 o número de ministérios, idealizada pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e encampada pela bancada do partido.

O PT batalhou pelo adiamento da matéria.

—Podemos até reduzir [as pastas], mas quem é que topa sair? —questionou o líder José Guimarães (PT-CE).

Diante do apelo, o presidente da CCJ, Artur Lyra (PP-AL), foi irônico ao se referir à nova articulação política:

—Ué, por que vocês não ligam para o Temer?