Troca ministerial pode indispor Dilma com PMDB da Câmara e do Senado

Por Painel

Cobertor curtíssimo Ao tentar agradar ao PMDB da Câmara e do Senado na mudança ministerial, Dilma Rousseff pode ficar sem nenhuma das alas do partido. Ela sustou a ida de Henrique Eduardo Alves para o Turismo, que havia sido confirmada aos deputados, para não melindrar Renan Calheiros. Agora, ensaia nomear o ex-presidente da Câmara para a Aviação Civil, caso Eliseu Padilha assuma a coordenação política. Os deputados reagem: a conta de 4 pastas para o Senado e 2 para a Câmara não fecha.

Camarote Como o discurso público do PMDB é que não quer cargos, os caciques que se reuniriam na noite de segunda no Palácio do Jaburu lavavam as mãos para a possível solução do impasse.

Às cegas Dilma pode ser forçada a nomear ministros sem aval da sigla. “O PMDB não tem de decidir nada. Quem nomeia ministro é a presidente”, diz um dirigente.

3 + 4 = 3 A bancada da Câmara não inclui Relações Institucionais, se confirmada, em sua cota. Já Renan só reconhece o Turismo como indicação, apesar dos outros 3 ministros ligados ao Senado.

apode0704paiinel

Eu sozinho ‌De passagem pela Câmara nesta segunda, o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) brincou, ao não encontrar nenhum líder partidário: “Eu não sou o último dos moicanos, eu sou o único dos moicanos”.

Curto prazo Joaquim Levy (Fazenda) disse a Romero Jucá (PMDB-RR) que o governo pretende definir até o fim de maio o plano para compensar perdas dos Estados com a reforma do ICMS.

Dossiê Opositores da escolha de Mauro Campbell para o STF levaram ao Planalto uma lista de decisões do ministro do STJ que criaram despesas para a União.

E o ajuste? O objetivo era indicar que Campbell, no STF, tenderia a votar contra o governo em questões sensíveis aos cofres públicos.

Gato escaldado Dirigentes petistas avaliam que as manifestações pelo Fora Dilma convocadas para o próximo domingo não têm atraído tanta atenção como as do mês passado, mas acham cedo para apostar em redução no número de manifestantes.

Chuva ou sol Os petistas dizem que o partido não pode condicionar sua reação para reverter a queda de popularidade do governo Dilma ao tamanho das manifestações e precisa sair da defensiva de qualquer maneira.

Vacina? O Vem Pra Rua, que organiza os atos, tem respondido aos que questionam sobre o público esperado que a “expectativa não é superar em número de pessoas”, mas na quantidade de cidades.

Gravataço 1 A CNI (Confederação Nacional da Indústria) e as federações estaduais prometem levar 200 empresários a Brasília nesta terça-feira para acompanhar a votação do projeto de lei que regulamenta a terceirização.

Gravataço 2 Os empresários querem se contrapor à mobilização dos sindicatos contrários à medida. Cerca de 70% da indústria recorre à terceirização de mão de obra, segundo dados da CNI.

Cabo de guerra A Associação das Empresas de Transporte Urbano já fala em repassar aos usuários o aumento de tributos previsto no ajuste fiscal. Segundo a entidade, são necessários R$ 0,15 a mais em cada passagem de ônibus para compensar a desoneração.

Hora do aperto O governo paulista estabeleceu linha direta com o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, para tratar do incêndio em Santos. A estatal vai enviar mais equipes e ferramentas, se houver disponibilidade.


TIROTEIO

Caiado acusado, Richa enrolado, Agripino e Anastasia investigados… A oposição está sem moral para apontar o dedo sobre corrupção.

DO DEPUTADO CARLOS ZARATTINI (PT-SP), sobre suspeita e acusações de envolvimento de líderes dos oposicionistas DEM e PSDB em casos de corrupção.


CONTRAPONTO

De perto ninguém é normal

O ex-deputado federal Paulo Delgado, afastado do PT e do Congresso nas duas últimas legislaturas, fez uma passagem por Brasília nesta segunda-feira, como convidado da posse do ministro Renato Janine (Educação).
Na fila dos cumprimentos, o empossado o saudou:

—Paulinho, tudo bem? Foi você que acabou com os manicômios no Brasil, não foi?

Em 1989, o petista foi autor do projeto que resultou na Lei Antimanicomial, que foi batizada com seu nome.

—Fui eu sim, ministro —confirmou o ex-deputado. —E posso dizer que o fiz em causa própria.