Base avisa governo que negociará diretamente com Eduardo Cunha

Por Painel

Sem intermediários Deputados da base de Dilma Rousseff avisaram nesta quinta-feira ao Planalto que passarão a ter reuniões de articulação política diretamente com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sem a participação de um representante do governo. Acham que, como o peemedebista rejeita os interlocutores indicados pelo Executivo, a discussão interna pode ser mais efetiva para controlar a pauta de votações. A situação de Pepe Vargas, que já era crítica, vai ficando insustentável.

Conte comigo Principal aliado do PT e alvo de preocupação pelas recentes demonstrações de rebeldia, o PMDB só teve 16 de seus 58 votos a favor da derrubada do veto de Dilma à correção da tabela do Imposto de Renda.

Fiéis? O PP, que controla a Integração Nacional, teve 18 de 35 votos pela queda do veto. O PSD de Gilberto Kassab (Cidades) deu 16 dos 32 votos contra o governo.

Manso O Planalto demonstrou ter se convencido de que não pode mandar medidas provisórias sem conversa prévia. Diz que tratará o caso do Imposto de Renda como um “modus operandi” para próximas discussões.

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Num clique Do deputado Lucio Vieira Lima (PMDB-BA), sobre a articulação política do Planalto: “Era melhor Dilma criar um grupo de WhatsApp. Ficava mais fácil para pôr e tirar ministro de uma hora para outra”.

De ocasião A defesa de Eduardo Cunha feita por tucanos na CPI da Petrobras se deve ao interesse do PSDB de manter o presidente da Câmara como aliado antigoverno e continuar influindo na condução dos trabalhos da comissão daqui para a frente.

Tamo junto Por fim, o delator que citou Cunha, o ex-policial Jayme Alves (o Careca), foi o mesmo a dizer que levou dinheiro de Alberto Youssef ao senador Antonio Anastasia (MG), único tucano investigado na Lava Jato.

Todo ouvidos Ao menos quatro órgãos do governo federal monitoram as redes para mensurar as manifestações de domingo: Gabinete de Segurança Institucional, Secretaria-Geral, Secom e Ministério da Justiça.

Vai que… Apesar de terem sido convocadas com viés pró-Dilma, o governo monitora também o clima dos atos desta sexta-feira.

Termômetro Na segunda-feira, dia seguinte às passeatas, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, recebe Eduardo Cunha no café da manhã e Joaquim Levy (Fazenda) para almoço com empresários.

Bombeiro Levy recebeu nesta quinta deputados da Frente Agropecuária, que levaram extensa pauta do setor e a ameaça de nova paralisação de caminhoneiros. O ministro acalmou o grupo e ficou de discutir as propostas.

Secou? Empreiteiras de São Paulo reclamam que a prefeitura da capital sustou empenhos de restos a pagar de 2014. Luciano Amadio Filho, da Apeop, reclamou da situação com o prefeito Fernando Haddad e com o secretário Marcos Cruz (Finanças).

Relógio A prefeitura fixou em decreto prazo até 27 de fevereiro para que as secretarias confirmassem empenhos. Como muitas não o fizeram, o limite pode ser prorrogado até o fim de março.

Câmera lenta Os gastos com investimentos da gestão Haddad caíram 28,5% no primeiro bimestre, em relação ao mesmo período de 2014.

Hedge Nos contratos com grandes consumidores, a Sabesp inclui cláusula que a exime de punição se o fornecimento de água for interrompido por “caso fortuito ou motivo de força maior”.


TIROTEIO

O PSDB avalizou Eduardo Cunha e atacou Janot sem escutar o Ministério Público. Ainda é cedo para isso. Pode ter sido um tiro no pé.

DE IVAN VALENTE (PSOL-SP), deputado federal, sobre a dobradinha entre os tucanos e o presidente da Câmara na sessão desta quinta da CPI da Petrobras.


CONTRAPONTO

Fora de ordem

Depois de a Câmara ter aprovado a convocação do ministro Cid Gomes (Educação) para explicar sua declaração sobre a existência de “400 picaretas” na Casa e a aprovação em primeiro turno da PEC da Bengala, o deputado Arthur Virgílio Bisneto (PSDB-AM), em primeiro mandato, comentou com os colegas da bancada:
–Mas nós não somos minoria? Me preparei pra isso, mas a gente ganha todas!
O veterano Luiz Carlos Hauly (PR) comentou:
–Com a inaptidão do governo na condução da política estamos virando maioria. Acostume-se com isso.