PT usa acordo no IR para forçar flexibilização de medidas trabalhistas

Por Paulo Gama

O governo foi avisado por líderes petistas que as medidas provisórias 664 e 665, que endurecem acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários, terão o mesmo tratamento do veto ao reajuste do Imposto de Renda caso a saída não seja acordada com o Legislativo. O PT desde o início demonstrou dificuldade de apoiar as medidas, que atingem sindicatos e centrais, base política e social importante do partido.

Agora, a sigla usa o fato de o governo ter cedido na discussão do veto do IR para arrancar concessões também no pacote trabalhista, que endurece regras para a concessão do seguro-desemprego e de pensões por morte, entre outras medidas.

O objetivo do conjunto de mudanças de ordem tributária, fiscal e trabalhista anunciado pelo ministro Joaquim Levy (Fazenda) é chegar ao fim do ano com um superávit primário de 1,2% do PIB. O mercado tem demonstrado ceticismo quanto à capacidade do governo de atingir a meta, diante das dificuldades políticas para implementar o ajuste.

No jantar com parlamentares do partido, na segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff apelou para que a sigla saia em defesa das medidas. Disse que era importante a sinalização ao mercado de que há condições políticas para o cumprimento do superávit.