PT teme que ajuste fiscal isole Dilma em meio a radicalização da oposição

Por Painel

Não me deixem só O PT considera mortal a combinação entre a queda brusca de popularidade de Dilma Rousseff e um ajuste fiscal que penaliza sobretudo a base social do partido. Parlamentares petistas defendem que a presidente ceda na negociação das medidas no Congresso, sob pena de perder o apoio de sindicatos e movimentos sociais —segmentos que poderão lhe dar sustentação caso a oposição decida radicalizar e caminhar seriamente para a defesa do impeachment de Dilma.

Na ferradura Senadores do PT esperam que o governo anuncie alguma medida para taxar o andar de cima, nas palavras de um petista. Avaliam que a tributação sobre lucros e dividendos nas empresas, por exemplo, daria discurso ao partido para defender o ajuste proposto.

No cravo 1 Já o Planalto reitera apoio irrestrito ao pacote proposto pela equipe econômica e admite ceder em questões pontuais, desde que o aumento de receita e a economia sejam preservados.

No cravo 2 Caso as mudanças nos benefícios previdenciários e trabalhistas sejam desfiguradas no Congresso, a saída será rever a desoneração da folha de pagamentos de alguns setores da economia —quantos e quais dependerá da conta de chegada que precisar ser feita.

Blindado Nelson Barbosa (Planejamento) e Carlos Gabas (Previdência) serão os responsáveis pela negociação com o Congresso. A ordem de Dilma é preservar Joaquim Levy (Fazenda) do desgaste de discutir as medidas do ajuste com parlamentares.

Chapa O Planalto pediu a aliados de Dilma nos Estados um mapa de rádios regionais a que a presidente pode conceder entrevistas exclusivas para melhorar sua imagem.

Sem amarelar Nas últimas reuniões com conselheiros políticos, Dilma cobrou o fim da “paralisia” do governo em crises. Afirmou que muitos ministros ficam perplexos e de braços cruzados em vez de botar a mão na massa.

Foursquare Deputados e senadores da oposição vão participar de protestos de 15 de março pedindo o impeachment de Dilma. Ronaldo Caiado (DEM-GO), por exemplo, já confirmou presença.

Põe na tela O governo paulista leva até o fim desta semana à televisão uma campanha de publicidade de suas ações de combate à crise de abastecimento de água. Não há menção à possibilidade de racionamento.

Que ano… E o governo federal publica nos próximos dias portaria com medidas de economia de energia em prédios públicos. A ordem é desligar a luz em repartições públicas e estabelecer metas de pelo menos 10% de redução de consumo.

… é hoje? As medidas lembram as adotadas pelo grupo chefiado pelo então ministro do Planejamento Pedro Parente em 2001, no racionamento de FHC.

Baixa tensão Técnicos da Câmara recomendaram o arquivamento do pedido de abertura de uma CPI do setor elétrico, protocolado pela oposição. O argumento é o de que não há um objeto determinado a ser investigado.

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Visual Colegas de José Eduardo Cardozo (Justiça) brincam que o ministro precisa ir às compras. Após perder 10 kg com a dieta Ravenna, ele tem aparecido em solenidades com ternos enormes.

Dois em um A provável nomeação de Rodrigo Garcia (DEM-SP) para o secretariado de Geraldo Alckmin (PSDB), depois do arquivamento da ação sobre o cartel do Metrô no Supremo, levará de volta à Câmara o deputado Roberto Freire, presidente do PPS.


TIROTEIO

Além da inépcia administrativa, essa gente se preocupa em montar dossiês. É hora de desbaratar a operação por trás dessa fraude.

DE JOSÉ ANÍBAL (PSDB-SP), suplente de senador, sobre a decisão do STF de arquivar ação que apurava sua participação no cartel do Metrô em São Paulo.


CONTRAPONTO

Vamos falar a verdade

Logo depois de eleito, o prefeito de Manaus (AM), Arthur Virgílio, convidou Neilton Marques para a Secretaria de Meio Ambiente. Ele disse que não poderia aceitar e indicou a engenheira agrônoma Kátia Schweickardt.

Virgílio, que não conhecia a professora, a chamou para conversar. Antes de aceitar, Kátia avisou:

—Vou pensar, mas preciso dizer: mesmo morando em Manaus há 20 anos, nunca votei no senhor.

O prefeito elogiou a franqueza e manteve o convite. Hoje, quando conta a história, o tucano brinca:

—Espero que em 2016 ela finalmente vote em mim!