Cotado para suceder Graça Foster já defendeu privatização da Petrobras

Por Vera Magalhães
O economista Paulo Leme na sede do Goldman Sachs, em São Paulo, em 2013 (Karime Xavier/ Folhapress)
O economista Paulo Leme na sede do Goldman Sachs, em São Paulo, em 2013 (Karime Xavier/Folhapress)

Um dos principais cotados para assumir a presidência da Petrobras, Paulo Leme, presidente do Goldman Sachs no Brasil, já defendeu a privatização da estatal petrolífera.

Em janeiro de 1999 –logo depois da desvalorização do Real do início do segundo governo Fernando Henrique Cardoso, que levou a uma crise cambial–, Leme afirmou que a privatização da estatal, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal seriam medidas de “grande impacto” para restabelecer a confiança internacional no Brasil.

Na época diretor de mercados emergentes do Goldman Sachs, Leme disse que o mero anúncio da medida teria efeito “extremamente positivo” para, além de reconquistar a confiança externa, gerar receita para abater parte substancial da dívida interna.

O banco de investimentos chegou a lançar um relatório defendendo a privatização. “Quando há mudança de regime cambial, é muito importante restabelecer a confiança. No caso do Brasil, são necessárias medidas de grande impacto, como a inclusão da Petrobrás, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil no programa de privatizações”, dizia o texto.

Leme chegou a estimar que, dependendo da parcela da estatal a ser vendida, o governo poderia arrecadar entre US$ 20 bilhões e US$ 60 bilhões com a privatização da Petrobras.

O fantasma da privatização da Petrobras tem sido arma de discurso do PT de Dilma Rousseff em campanhas eleitorais desde 2002. No ano passado, a presidente voltou a usar o risco para atingir o tucano Aécio Neves.