Para evitar ruídos, Dilma centralizará no Planalto relação com o Congresso

Por Painel

Quem manda aqui Dilma Rousseff e o Planalto passarão a centralizar as negociações entre o governo e o Congresso para evitar novas crises com os parlamentares em 2015. A presidente determinou que as articulações feitas por seus ministros com a Câmara e o Senado passem pelo crivo da Secretaria de Relações Institucionais em todas as ocasiões. O objetivo é evitar desgaste caso algum ministro prometa ao Congresso mais do que deveria, e a presidente precise vetar textos aprovados no plenário.

Pisando em ovos Coordenadores da campanha de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara articulam um almoço amanhã com líderes e ministros da base aliada em apoio ao petista. Os chefes da Esplanada ainda hesitam em comparecer.

Desigual O PR tem se queixado de pressão sobre o ministro Antônio Carlos Rodrigues (Transportes) para que a bancada apoie Chinaglia. “Estão cobrando uma fatura maior da gente do que do PRB e do PP”, diz um deputado.

Mapa da mina Aliados de Eduardo Cunha (RJ) contam 330 votos “certos” no peemedebista. O grupo tem cadernos detalhando como cada deputado pretende votar, divididos por partido e Estado. Os indecisos não somam 60.

Sem passeio Já para o Planalto, a vantagem de Cunha caiu de 100 votos para 50. O governo avalia que ele tem boas chances de vencer, mas acha que Cunha “não será o dono do Congresso”.

Lá e cá Apesar de boa parte da bancada do PSDB já defender o apoio a Cunha, alguns tucanos temem que o desembarque do partido da candidatura de Julio Delgado faça com que o PSB migre para o campo petista na disputa.

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24 horas Cunha e aliados farão plantão a partir de hoje em Brasília. Montaram QGs na liderança do PMDB, nas casas de apoiadores e no hotel Meliá, onde a Câmara alojou os novos deputados.

Boiando O núcleo político do governo já admite reservadamente que o ajuste econômico vai provocar “flutuações” na taxa de desemprego. “Nossas desonerações seguraram o emprego. Agora esse cenário muda um pouco”, diz um ministro.

Protagonismo Joaquim Levy (Fazenda) será o primeiro ministro a falar depois de Dilma na reunião da Esplanada hoje à tarde. Será seguido por Nelson Barbosa (Planejamento) e Tereza Campello (Desenvolvimento Social).

Decolou Davi Barioni, ex-presidente da TAM, será o novo presidente da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento.

Tempo… Dez minutos antes de ser preso, na madrugada do dia 14, Nestor Cerveró trocava mensagens com o filho, que o buscaria no aeroporto do Galeão, no Rio. Abordado pelos agentes da Lava Jato a 0h27, escreveu: “Bernardo, estão me prendendo na Polícia Federal”.

… real As mensagens estavam gravadas em um iPad apreendido com o ex-diretor da Petrobras. “Fica tranquilo. Vai ficar tudo bem”, escreveu o filho. Em menos de 10 minutos, Cerveró avisou: “Estou indo para Curitiba”.

Leque aberto Depois de atrair o PMDB para seu arco de aliados e flertar com o PSD, o prefeito Fernando Haddad tenta se aproximar do PDT, com vistas às eleições de 2016. Articuladores do petista devem retomar o contato com a sigla em fevereiro.

Tô chegando O vereador Netinho de Paula, que se desentendeu com a cúpula do PC do B nas eleições do ano passado, pode migrar para o partido para selar a aliança.


TIROTEIO

Agora sabemos que o estelionato eleitoral de Dilma tem um agravante: foi um crime premeditado contra o trabalhador brasileiro.

DO DEPUTADO PAULO PEREIRA DA SILVA (SD-SP), presidente do partido, sobre a revelação de que revisão de regras trabalhistas foi planejada antes da eleição.


CONTRAPONTO

Chá de cadeira

Ex-integrantes da cúpula do Itamaraty tiveram um breve reencontro no último dia 19 na posse do novo secretário-geral, Sérgio Danese. O embaixador Celso Amorim, que chefiou a pasta por quase 10 anos em dois períodos distintos, assistiu à cerimônia ao lado de Samuel Pinheiro Guimarães, seu secretário-geral de 2003 a 2009.

Após 30 minutos de atraso para o início do evento, Amorim, que foi ministro da Defesa pelos últimos quatro anos, cochichou para Pinheiro Guimarães:

—De uma coisa eu tenho saudade entre os militares: as cerimônias deles sempre começavam na hora exata!